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Crônica
 
Mulheres: lendas vivas
Por: Marlene A. Torrigo

Elas chegam. Morosas, cabisbaixas, adoecidas, assim elas chegam. Tem 80, 90 anos, para mais ou para menos. Nascidas no período das duas grandes guerras, elas ainda estão aqui, lendas vivas. Foram belas, amaram, casaram, tiveram filhos, netos, bisnetos, mas aqui, na instituição de saúde onde eu trabalho, elas chegam, sozinhas em sua maioria. Claudicantes, algumas usam bengala. São mulheres que atravessaram décadas assistindo gerações partindo. Heroínas, submissas, suportaram os trancos e barrancos da vida, tiveram sua juventude dominada, acorrentada, pelo machismo medieval de pais e esposos. Muitas delas foram pai, mãe e avó num tempo em que não havia telefones, celulares e câmeras de vigilância para monitorar seus filhos, como assim atuam as mães modernas. Há aquelas que trabalharam ano após ano na lavoura e agora tem câncer de pele. As nascidas no período da Guerra Fria, encontraram um mundo em transformação, sociedades em evolução, valores morais menos rígidos, principiaram a exigir direitos, rebelaram-se. Mais jovens do que suas antecessoras, elas desconhecem como foi ser jovem antes de 1950, numa sociedade machista e castradora, sem nenhum direito. Desconhecem como foi sofrido conquistar espaço, atenção, respeito. Respeito... Respeito que perdem na caminhada para a velhice. Tratam-nas como crianças. Comunicam-se com elas no diminutivo, “Vózinha, me dá a sua mãozinha” ou “Vózinha, cuidado com o pézinho”. Mulheres que estudaram, que trabalharam, que lutaram, que ajudaram a girar a roda da civilização, não mais possuem nomes próprios. Mas elas, as mais velhas, com suas graves perdas cognitivas de visão, audição e movimentos, agora chegam em busca de tratamento médico, atenção de recepcionistas e enfermagem. Precisam de uma palavra amiga. Sorriem, mas seus olhos tristes revelam seu sofrimento psíquico, revelam o medo que sentem de se tornarem totalmente dependentes de cuidados de outros, de acabarem os seus dias num asilo frio, inóspito. Frágeis vidas, segurando-se na vida. Sentem medo do passo seguinte, da solidão dos seus dias. Será a essas mulheres valorosas que eu desejo um Feliz Dia Internacional da Mulher!

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