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Conto
 
NA VOLTA, UMA A MAIS
Por: Celso Corrêa de Freitas

NA VOLTA, UMA A MAIS

Um simples sinal foi o bastante para que aquele grupo de mulheres, conhecidas como Guardiãs, começasse a entrar pelo corredor de acesso ao interior da quadra da GRCES W 30, escola de samba coirmã da GRCES Madeira, que estava na quadra da anfitriã W 30 comemorando seus 86 anos de existência no universo carnavalesco.
Entrava naquela quadra com as guardiãs, uma história de conquistas, sendo essa ultima inédita para a Madeira, pois essa no desfile de 2017 ganhará o cobiçado Galhardete de ouro na categoria melhor Ala da Velha Guarda, com a Ala das Guardiãs.
O samba forte, envolvente, apaixonante avançou noite adentro, com as Guardiãs se entregando ao pulsar da bateria e magia dos enredos cantados pelos puxadores de samba das duas agremiações.
Quando a noite alta chegou, o samba esmoreceu, e os pavilhões se aquietaram nos braços das portas estandartes, que até então riscavam o piso da quadra, envolvidas pela dança de seus sedutores parceiros mestres salas, as guardiãs atenderam ao sinal de seu mestre para iniciarem a jornada de volta para suas casas.
Elas após saudarem os pavilhões da Madeira e da W30, saíram pelo mesmo corredor que entraram...
Eu estava saindo com as Guardiãs, tão feliz quanto elas, quando Oliver, um amigo recente da Madeira me pegou pelo braço, interrompendo a minha saída, e meu falou:
- Oslec, eu não sei se você acredita no espiritismo, mas eu acredito cara, e eu vi a Leticia entrando com vocês na quadra...
Na verdade eu fiquei sem poder responder a Oliver sobre as particularidades das minhas crenças, e parei, para não dizer congelei ante o relato dele, pois ao dizer que viu Leticia entrando com as Guardiãs, ele estava me afirmando que Leticia Gita, uma das nossas mais queridas guardiãs, falecida a cerca de 30 dias passados estava ali para viver aquele momento conosco, um momento que ela ajudou, sempre dando o melhor de si, para construir.
Eu precisei alertar as guardiãs sobre o ônibus que chegava, saindo do meu torpor, Oliver ao me ouvir chamar pelas guardiãs, disse-me:
- Não conte para elas agora, pois as reações podem ser imprevisíveis.
No que eu ponderei de imediato...
- Não, não vou, é só para elas irem para o ônibus...
Oliver então continuou...
Oslec, minha mulher estava ao meu lado neste momento, e sentiu quando eu dei uma baqueada ao ver a Leticia logo atrás das Guardiãs entrando sorridente.
- Oliver, você está bem?
- Olha amor (Falando com sua esposa, também praticante da mesma religião dele) aquele espirito que está entrando com as Guardiãs!
- Sim, estou vendo!
- Lembra-se da Guardiã que eu te falei que havia falecido por estes dias... É ela...
- Foi ela Oslec, eu vi cara, era ela!
Oliver estava com a emoção explicita no brilho dos seus olhos e no tremor das suas mãos que se apertavam nas minhas...
Eu o deixei ali na calçada do Pelouro em frente à quadra da W 30, e me dirigi para o ônibus, as Guardiãs já estavam embarcadas. O mestre das Guardiãs também embarcou, e todos nós iniciamos a vigem de volta para Piaçabuçu.
Mas! Só eu sabia, que com certeza existia naquele retorno, uma passageira a mais naquele ônibus.
FIM

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