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Crônica
 
Religião e moralidade
Por: Salvatore D' Onofrio

A reportagem da revista Veja (19/4) "Moral sem Deus?" trata das relações entre fé e valores humanos, rediscutindo a batida questão se é possível fazer o bem e evitar o mal sem acreditar na existência de Deus. A meu ver, a pergunta deveria ser invertida: é possível praticar a verdade, a justiça, o amor entre seres pensantes, se continuarmos a praticar dogmas registrados em escrituras consideradas sagradas: Bíblia, Alcorão, Vedas?
A história nos dá exemplos de lutas horrorosas entre várias religiões: judeus e egípcios (ainda no Velho Testamento); cristãos e muçulmanos (na época das Cruzadas pela conquista de Jerusalém); católicos e protestantes (especialmente, A Noite de São Bartolomeu, entre 23 e 24 de agosto de 1572: massacre de aproximadamente cinqüenta mil huguenotes ingleses, começado em Paris e continuado por meses em outras cidades da França); conflito entre xiitas e sunitas (desde a morte do Profeta Maomé, em 632, até hoje, especialmente na Síria). Sem falar dos horripilantes atos de terrorismo que vêm sendo perpetrados ultimamente no mundo todo, em nome de Alá, considerado pelo Islamismo como o único Deus verdadeiro, sendo os crentes de outras religiões os "infiéis" a serem convertidos ou destruídos.
Como pensar na existência de uma moral religiosa perante tantas crueldades cometidas em nome de um Deus, que teria várias faces com ideologias tão diferentes? Precisaríamos seguir os mandamentos de Moisés, Jesus Cristo ou Maomé? Tal perplexidade faz com que a religião se torne a maior inimiga da ciência ética, que deveria estar em busca de uma moral universal e estritamente humana, sem apelar para prêmios ou castigos num outro mundo, o sobrenatural, de puros espíritos, que existe apenas na imaginação de crentes inconformados com a condição humana de sofrimento e morte.
Eu não deveria roubar o que pertence ao meu semelhante, não porque é um pecado e irei para o Inferno mas, simplesmente, porque não gostaria de ser roubado. Não fazer aos outros o mal que não gostaria que fosse feito a mim mesmo é o "imperativo categórico", formulado pelo filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804). Tal sistema ético, que privilegia o espírito da coletividade, do público sobre o privado, em lugar do egoísmo individual, se fosse praticado em todos os países, reduziria a injustiça social, a violência, a corrupção política, a miséria humana. Para melhorar o nível de civilização, mais útil do que a crença num Deus salvador, é a reflexão sobre nossa realidade. É preciso pensar com nossa própria cabeça, sem acreditar piamente no que pregam líderes religiosos ou políticos.

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Salvatore D' Onofrio
Dr. pela USP e Professor Titular pela UNESP
Autor do Dicionário de Cultura Básica (Publit)
Literatura Ocidental e Forma e Sentido do Texto Literário (Ática)
Pensar é preciso e Pesquisando (Editorama)
www.salvatoredonofrio.com.br
http://pt.wikisource.org/wiki/Autor:Salvatore_D%E2%80%99_Onofrio

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