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Conto
 
Iracema
Por: Morena

Quando partiste não despedaçaste apenas o meu coração, despedaçaste a minha vida. Sobreviver àqueles dias foi terrível. Consegui afugentar a palidez dos dias tristes. Agarrei-me à esperança, porque alguma coisa dela me restara. Resisti à dor. Arquitetei amar novamente. Não amei. A saudade fazia-me chorar. Sentia-me perdida. Com o tempo a dor abrandou. Abrandou sim, mas a cada riso eu sentia uma lancetada no coração. A febrícula que se apoderou das minhas fibras quando partiste, tenho-a até hoje. Essa enfermidade obrigou-me a não te esquecer. Jamais te odiei. Em nenhum momento. Odiar-te como se eras o amor da minha vida? Às vezes, quando eu pensava demasiado em ti, pude sentir o triste acalanto da morte como se a vida fugisse do meu corpo ouvindo cantos de maldição. Outras vezes, agarrei-me a qualquer sopro de vida que viesse trazido das fortes ventanias. Respirava fundo. Dizia-me, Iracema, não morra por quem a feriu, por quem despedaçou o teu coração. Morra por teu sangue, morra de ira, morra pelas palavras profanas que escreves, morra quando o mundo acabar para ti, mas jamais morra de amor. Assim fortalecendo-me, adquiri uma capacidade incrível de abstrair-me de situações desagradáveis do cotidiano, elevando os meus pensamentos à música, incitando os meus nervos, veias e artérias, desligando-me de crenças excêntricas, de beatitudes delirantes. A vida pedia ação, força, determinação. Assim agi. As fortes ventanias foram as minhas aliadas. Não consegui realizar metade de tudo o que sonhei, de tudo o que planejei dentro do meu estado de revolta sísmica, mas uma coisa eu aprendi com a dor; não amar mais ninguém, não com amor de perdição.


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