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Crônica
 
Síndrome de Pinóquio
Por: Marlene A. Torrigo

Todas as pessoas mentem. Crianças, adolescentes, adultos, todos mentem. Integrantes de uma família forcejam pequenas mentiras uns para com os outros. Há casais que vivem casamentos baseados em mentiras, há namorados e/ou namoradas que mentem no relacionamento o tempo todo. Mas vamos lá, mentir esporádico, às vezes e por necessidade, pode ser considerado normal.
Certas vez enviei um currículo para uma instituição de crianças excepcionais omitindo dez anos da data do meu nascimento, porque sabia que só admitiam no quadro de enfermagem mulheres até xis idade. Eu precisava desesperadamente do emprego. Fui chamada, passei em todos os testes e admitida com outras quinze candidatas comecei a trabalhar em plantões noturnos. Passados dois meses a encarregada dos recursos humanos exigiu minha presença. Eu pressentia que tinham descoberto a minha mentira. De fato, descoberta eu aleguei, com outra mentira, que fora um erro de digitação. A encarregada - não sei se creu em mim - deixou passar. Trabalhei cinco anos na instituição. Senti culpa, mas dei graças. Perdoei-me pelo que fizera por ter filhos para suster.
Claro que essa não foi a única vez que eu menti em minha vida toda. Seres humanos mentem e pronto. É como se mentir não seja pecado. Se quem me lê alegar que nunca contou uma mentirinha aqui e ali para “salvar a pátria”, desculpe-me, mas, sinceramente você está mentindo. Não existe quem não suavize ou forceje informações, pareceres, filosofias.
A preocupação maior é com os mentirosos compulsivos, chamados mitômanos, que são pessoas que inventam histórias e as creem verdadeiras. Não é difícil saber se uma pessoa é mitômana, porque eis que ela mente exageradamente, sempre dando pistas cujos dados não condizem com a a realidade.
Eu tive uma amiga de bairro que fantasiava absurdos. Mentirosa compulsiva, ela dizia ser secretária do dono da indústria onde era operária. Dizia ter sua própria secretária. Namorando, contava absurdos de como seria a festa do noivado. Seu enxoval seria encomendado da Itália. Seu casamento seria noticiado em jornais e revistas. Morando com seus humildes pais e muitos irmãos e irmãs numa casa pobrezinha, mentia tudo sobre tudo referente à sua família. Quando ela falava dos seus ancestrais, pelos deuses mentirosos! Claro, àquela época se desconhecia que ela era doente patológica. Eu, boa ouvinte de contos que sou desde jovem, a forcejava a contar suas histórias fictícias, deambular nos seus incríveis delírios de grandeza. Apesar de tudo, as gordas mentiras da minha amiga não faziam mal a ninguém.
Entretanto, infelizmente, há os mitômanos tóxicos, lesivos e prejudiciais. Mentem com intenção de prejudicar alguém, cometendo injúrias, ultrajes hediondos. Quem já não foi vítima de falsa acusação? Eu teria muitos casos acontecidos comigo ou com outras pessoas vitimas de calúnias bem elaboradas. Mentir para “salvar a pátria” pode ser perdoável, mas mentir para prejudicar pessoas? Não mesmo!
A maioria dos políticos brasileiros se conduzem como se a verdade não faça parte das normas e princípios que regem uma sociedade, que moral e ética não sejam importantes. Honradez, retidão probidade, são virtudes que muitos de eles desconhecem. Tanta hipocrisia, artimanhas e falcatruas os beneficiam amplamente, e o povo... Que se dane o povo, exclamam eles. Tais tipos de mentirosos não são doentes, são pessoas inteligentes e cônscias de suas condutas execráveis.
Logicamente que para santos não nascemos. Nas nossas afinidades sociais por vezes precisamos mentir. Tal necessidade pode até ser considerada normal desde que não se ultrapasse a linha da decência, que não se fira ninguém e não se torne vício incorrigível. Destarte, busquemos ser honestos tanto quanto possamos. Jamais nos humanizaremos com dignidade se dermos demasiada importância e prioridade às mentiras.


* http://www.plenamente.com.br/artigo/186/mitomania-ou-mentira-compulsiva-que-voce.php#.WTnjR2jyuUk

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