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Crônica
 
Suicídios simultâneos
Por: Marlene A. Torrigo

Suicídios geram sempre um assombro terrível. Então, imagine-se suicídios simultâneos em uma mesma família. Os pais da jovem que transmitiu o seu suicídio ao vivo na última quarta-feira, também se suicidaram dois dias depois. Marido e mulher eram oficiais da polícia, sendo a mulher ex-sargento e ele subtenente. A dor dos pais que nada puderam fazer para impedir o gesto dramático da filha, foi mesmo insuportável. Três pessoas jovens, três vidas perdidas.
Sabe-se que em profissões altamente estressantes os profissionais devem receber acompanhamento psicológico para bom desempenho profissional, e não atuarem fragilizados mentalmente. Mas não é o que sempre acontece.
A fragilização mental tanto atrapalha o individuo em suas funções profissionais como em seus problemas pessoais. Professores, médicos, enfermeiros, militares, escritores, músicos, combatentes, são alguns dos profissionais que sofrem esgotamento nervoso originado de atividades laborais contínuas, e boa parte deles, se não tratados, virão a sofrer panes graves que podem sim, levá-los a praticar atos extremos.
Temos também a Síndrome de Burnout, uma patologia psíquica que faz com que uma pessoa que vivencie situações diárias traumatizantes no trabalho, deseje abandonar seu emprego, sua profissão, até mesmo aquele cargo de destaque e bem remunerado pelo qual tanto sonhou e batalhou.
Os eternos conflitos familiares... Pais desajustados psicologicamente só tendem a maximizar os dramas dos filhos, especialmente adolescentes. Bullying também é um grande catalizador de dores emocionais em qualquer idade. Se a vítima estiver fragilizada, o caminho para o suicídio passa a ser o seu gatilho detonador.
Que não se pense que alguém possa manter-se um mouro mental por toda vida. Todos estão sujeitos a romper em algum momento a barreira da normalidade, vindo a sofrer algum tipo de transtorno mental. Uma pessoa pode até permanecer um dínamo mental na juventude e maturidade, contudo, na velhice pode dar-se o seu xeque-mate emocional. Parkinson, Alzheimer, depressão aguda, esquizofrenia são algumas das doenças psíquicas que assolam a velhice. O número de suicídios após os sessenta anos é assustador.
No trágico caso dos suicídios simultâneos acontecido em família na última semana, dos pais seguido ao da filha, revela que em suas psiques havia uma bomba que deflagraria em grande tragédia. Mui embora a garota já estivesse sendo tratada pela psiquiatria há alguns meses, um profissional das doenças psíquicas não possui bola de cristal que revele o que de hediondo há na cabeça de uma pessoa. Eu sempre lembro o caso da paciente que anos atrás apaixonou-se pelo seu psiquiatra - sem que o mesmo soubesse -, e um dia, portando uma arma de fogo, entrou no consultório do médico, matando-o.
Precisam os familiares e amigos mais próximos dos que morrem tragicamente, buscar apoio psicológico e/ou psiquiátrico, a fim de tratar a grande dor emocional causada pelas perdas. Se perder um ente querido de um momento para outro dói terrivelmente, imagine-se perder mais deles de uma só tacada.
Também é necessário desmistificar o suicídio, ignorar tabus e aprender o beabá científico de tudo o que pode nos levar a sofrer uma pane emocional. Mas não será o suicídio causado por uma doença canalizada na alma? Sim, eis uma grande verdade! E é evidente que por mais que saibamos que a morte é uma realidade, nunca nos imbuiremos de forças titãs para enfrentá-la, mesmo assim, se cuidarmos e tratarmos da nossa psique, haveremos de reerguer-nos e sobreviver às perdas trágicas, mesmo com a grande dor ocasionada pela saudade.

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