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Crônica
 
Cavalinho amigo
Por: Haroldo Pereira Barboza

O cavalinho amigo

Um colega meu de futebol, tendo se tornado pai em 1982, nos 2 primeiros anos reclamava que seu filho Pedro criava muito caso e o deixava bastante envergonhado nas festas regulares onde precisava estar presente com a esposa. Chegou a dizer que a partir do ano seguinte (quando Pedro faria 3 anos) ela que fosse sozinha com o filho pois ele não tinha mais saco para aturar o filho “reclaminha”.
Como eu tinha boa intimidade com o colega que estudou comigo no último ano de faculdade e era pai de um bom menino de 4 anos, mandei-lhe a “letra” abaixo.
“Pedro (como outras crianças abaixo de 5 anos) não fazem malcriação para nos envergonhar diante de outros pais (muitos passam por momentos piores que nem imaginamos) nem de vizinhos.
Como elas ainda possuem um vocabulário restrito, na hora de reclamar de algo que incomoda (nariz entupido, sapato apertado, camisa espetando) ou quando desejar continuar praticando algo que gostam (escorrega, pula-pula, piscina), sentam, esperneiam e choram. Elas ainda não possuem percepção de que a vida é repleta de compromissos cruéis e a agenda nos furta bons momentos ao lado de nosso herdeiros.
E não adianta bater. Tem de explicar 4 ou 8 vezes, trocando palavras, com gestos leves e voz baixa. Em paralelo, já ir criando um cenário a ser usado dentro de algumas horas para substituir o incômodo ou a atração atual.
Nada de ficar dizendo que Papai Noel (ou Papai do Céu) vai pegar. Vá lá que às vezes usemos um tubarão, aranha ou jacaré para que eles não se sintam atraídos a chegar perto deste elementos perigosos.
Mas certamente elas percebem a ausência (ainda mais se for por represália) de qualquer um do par e tal situação fica armazenada no fundo de suas mentes, causando revoltas e doenças mais à frente.
Para serem saudáveis, não basta boa alimentação, boas roupas, higiene e visita ao médico e brinquedos industrializados. O que pesa mais é a amizade dos pais que possuem alta paciência para lapidar o tesouro que o destino ofereceu ao casal.
Quantos pais são felizes mesmo tendo que cuidar de filhos defeituosos por toda vida? Não reclamam da perda da vida social nem sentem vergonha de vizinhos de moradia ou de escola.
Quantos deles não dariam a vida para ter um filhote saudável “malcriado” e cheio de energia para ensinar-lhe boa conduta além de segredos da vida que ele jamais esquecerá em ter aprendido com seus heróis diretos?
Como vamos deixar de estar com eles nos dias marcantes (mães, pais, junina, criança, natal, aniversário)?
Você tem coragem de perder uma destas ocasiões?”
Na festa (junina) seguinte da creche, lá estava meu colega de joelhos servindo de “cavalinho” para Pedro e um vizinho do prédio.

HPB – ago/2017

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