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Conto
 
Elos de sangue
Por: Marlene A. Torrigo

A família é como os ramos de uma árvore: todos crescemos em direções diferentes, mas as nossas raízes permanecem uma. (Desconhecido)

Há vinte anos eu tive um colega de trabalho, 35 anos, que fora abandonado quando tinha quatro anos de idade, em Minas Gerais. A única lembrança que ele trazia à mente era de uma mulher de cor que mandou que a esperasse. Uma senhora que encontrou a criança chorando na praça, tentou encontrar a mulher que a abandonara em praça pública, em vão. Então ela pegou o menino aos seus cuidados, adotando-o. Deu-lhe seu sobrenome e o do seu marido, mantendo o primeiro nome do garoto, que disse chamar-se Antonio.
Quando ele cresceu, sua mãe adotiva ajudou-o a procurar sua família. Infelizmente não conseguiram. Quando o conheci ele estava casado, tinha uma filhinha e sua esposa estava grávida. Seus pais adotivos haviam morrido. Ele amara de verdade os seus pais não biológicos, era feliz pela família que formara e zelava com muito amor, mas em seus olhos morava uma tristeza infinita por desconhecer a sua família de sangue. Todas as suas férias ele as usava para procurá-la, levado por seu imorredouro sonho. Ele dizia que se não conseguisse encontrar alguém de sangue legítimo, os seus filhos jamais viriam a conhecer os seus laços paternos.
Há uns sete anos, reencontrei uma colega de trabalho que mantinha contato com Antonio, e por ela eu soube que ele ainda não havia desistido de encontrar os seus pais. Que trauma esse homem carrega em seu espírito! - em sua mente ainda aquele menino de quatro anos covardemente abandonado em uma praça.
Imagine-se, saber que somos parte de uma ancestralidade, que possuímos avós, pais, irmãos, tios, primos, sobrinhos, saber que temos um elo sanguíneo que constitui as nossas raízes, mas desconhecê-lo? Isso é terrível!
Assim, por mais conflitos familiares que vivenciemos, por mais que nos mantenhamos afastados da nossa vasta parentela, devemos dar graças por termos consciência do elo que nos posiciona no mundo.

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