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Crônica
 
A BÍBLIA NÃO É A PALAVRA DE DEUS.
Por: ANTONIO PAIVA RODRIGUES

A BÍBLIA NÃO É A PALAVRA DE DEUS.

“Ninguém nasce para sofrer. Se nesse instante você está sofrendo, não ande de cabeça baixa, desalentado. Para tudo existe uma solução. Não aumente o sofrimento. Nós todos viemos ao mundo para progredir; a dor, muitas vezes, faz esse processo. No entanto, não é o principal nem o mais necessário. Você é também um irmão de Cristo: então, se sofre agora, faça como Ele após o Calvário: renasça para a felicidade, para a vida. Você merece ser feliz”. Se vista de esperança. Uma esperança forte, concreta, verdadeira. Não se deixe vencer pelos problemas e aflições. Você é mais forte do que eles. Tenha confiança nisso. Quanto mais você acredita que carrega grande força no peito, mais ela quer sair para se tornar realidade e trazer alegria e paz a você e aos outros. Busque força. Confie. Deus, a força que há em você, não tem limites no que pode e ama. Temos visto com muita frequência pessoas, religiosos afirmarem que a Bíblia é a palavra de Deus.

Para nós seres humanos imperfeitos, aceitamos Deus como nosso Pai Maior, já que o Cristo, assim o chamava. Uma definição muito inteligente sobre Deus foi a que nós aceitamos sem tirar o mérito das outras. “Deus é a Inteligência Suprema Causa Primária (primeira) de todas as coisas”. Espírito são seres inteligentes que habitam o Universo e Deus está sempre a criá-los. Ressalte-se que Espírito não tem sexo, mas ele quando recebe uma missão aproxima-se de um processo de fecundação, onde o espermatozoide se une ao óvulo formando um zigoto. Ali ele espera a formação de corpo durante nove meses para de ele tomar conta. Nesse período ele fica como se estivesse em estado de repouso. Aquela gestação já tem DNA e poderá ser masculina ou feminina. Voltando ao tema em que muitos afirmam que a Bíblia é a palavra de Deus temos que meditar bastante. Se a própria Bíblia é quem diz isso, então não vale. Queremos saber de uma fonte fidedigna se tal afirmação é convincente.

Nós seres humanos estamos à cata de provas, seja ela para chegarmos a conclusão sobre a nossa existência e as Leis Divinas que nos regem. Não somos incrédulos, mas a procura de provas mostra que a inteligência humana está nos forçando a isso. Existem muitas declarações bíblicas que servem tão somente para provar que ou Deus não é “essa coisa benigna e maravilhosa” que as religiões dizem, ou então ela não é a palavra de Deus. Procuramos entender que se Deus é esse divindade tão boníssima ele jamais seria sanguinário como vemos em diversas passagens do Antigo Testamento, onde o clã de Abrão, Isaque e Jacó, o designou Deus de Israel o chamando de Yahveh, Javeh e Jeová. Qualquer ser humano com o mínimo de conhecimentos médicos jamais chegaria a conclusão que o hímen será garantia de virgindade. Existem esses apetrechos corporais que podem ser elásticos e mesmo com relações sexuais eles não se rompem.

Ou seja, o critério tribal e machista do sangue nos lençóis para garantir a virgindade da esposa na noite de núpcias não é senão uma prática machista, bárbara, torpe e injusta. Que se passa com a lei do todo-amoroso pai Iahvéh? Vocês consideram Iahvéh como Pai? Em Deuteronômio 22:13-21: "Caso um homem tome esposa e realmente tenha relações com ela, e venha a odiá-la, e ele a tenha acusado de atos notórios e lhe tenha dado má fama, e tenha dito: 'Esta é a mulher que tomei, e passei a chegar-me a ela e não achei nela evidência de virgindade', então o pai da moça e a mãe dela têm de tomar a evidência da virgindade da moça e apresentá-la aos anciãos da cidade, junto ao portão dela; e o pai da moça tem de dizer aos anciãos: 'Dei minha filha a este homem por esposa e ele passou a odiá-la. E eis que a acusa de atos notórios, dizendo: "Não achei na tua filha evidência de virgindade." Ora, esta é a evidência da virgindade de minha filha.' E eles têm de estender a capa diante dos anciãos da cidade. E os anciãos daquela cidade têm de tomar o homem e têm de discipliná-lo. E têm de multá-lo em cem ciclos de prata e dá-los ao pai da moça, porque deu má fama a uma virgem em Israel; e ela continuará a ser sua esposa. Não se lhe permitirá divorciar-se dela em todos os seus dias. "Se, porém, este assunto se provou verdadeiro, não se achando evidência de virgindade na moça, então eles têm de levar a moça para fora, à entrada da casa de seu pai, e os homens da sua cidade têm de matá-la a pedradas e ela tem de morrer, porque cometeu uma ignominiosa insensatez em Israel, cometendo prostituição na casa de seu pai. Assim tens de eliminar o mal do teu meio." Pode ver-se a lei torpe, ignorante, machista e sádica, típica de um povo de pastores incultos e bárbaros, e a sua deidade sádica, mórbida e doente, que os cristãos no seu proselitismo dizem ser um "Deus de amor". Primeiro, utilizam um critério de virgindade absolutamente ineficiente. Muitíssimas mulheres inocentes que não sangravam na noite de núpcias morriam apedrejadas injustamente. Por outro lado, note como se penaliza o mal: Se o homem mente, é açoitado e cobra-se dele uma indenização monetária.

Supõe-se que a mulher mente (algo impossível de provar com lençóis sem sangue) então paga com a sua vida. Isto é um machismo injusto e cruel. Este é mais um exemplo das leis bárbaras que o povo de sádicos aborígenes hebreus colocou na boca da sua deidade irascível, sedenta de sangue, de ódio e de vingança. Só um néscio fundamentalista pode dizer que esta lei é "justa, sábia e inspirada" por Deus. Portanto, ou a Bíblia não é a palavra de Deus, ou Deus não é este exemplo de bondade e de justiça apregoado pelos religiosos. São suspeições que devemos estudar bastante para se chegar a uma conclusão plausível. Não precisamos chegar a esse ponto para dizer que Deus é cruel. São visões e comportamentos humanos da época, pois Moisés nos mostrou Deus de uma maneira e Jesus Cristo de outra. Jesus não nominou Deus, pois sempre o chamava de meu Pai. E é pelos ensinamentos de Jesus e pela fé que acreditamos na existência desse grande ser Supremo.

Afirmar que a Bíblia é a palavra de Deus torna essa afirmativa repleta de polecimidade, pois o Pai Maior não desceu do seu grande pedestal divino, para ditar normas aos espíritos imperfeitos frutos da sua criação. Espírito são seres inteligentes que habitam o Universo, e Deus está sempre a cria-los. Na realidade o que é a Bíblia? A maioria afirma que a Bíblia é a sagrada escritura, o conjunto de livros do Antigo Testamento e do Novo Testamento, que contém as doutrinas que orientam o comportamento dos cristãos. Do grego “biblion”, que significa “livro” “rolo”. A palavra Testamento (em hebraico “berith”) significa aliança, contrato, pacto. A Bíblia judaica é chamada de Velho Testamento pelos cristãos. A primeira Bíblia conhecida pelos cristãos foi à judaica, na qual vêm à profecia da vinda de Jesus. A Bíblia judaica era conhecida em duas formas pelos cristãos antigos: a original em hebraico e a tradução grega conhecida por Septuaginta. A Bíblia foi escrita em três línguas: hebraico, aramaico e grego. O Antigo Testamento foi escrito maioritariamente em hebraico e algumas partes em aramaico, enquanto o Novo testamento foi escrito em grego. O Antigo Testamento é composto pelo Pentateuco, Livros Históricos, Livros Poéticos e Livros Proféticos. O Novo Testamento é formado pelos Evangelhos, Ato dos Apóstolos, Cartas, e o Apocalipse.

A Bíblia Sagrada é o livro mais vendido de todos os tempos e já foi traduzida em mais de 2.000 idiomas. O primeiro livro da Bíblia, o Gênesis, foi escrito por volta de 1.445 antes de Cristo, e o último livro, o Apocalipse foi escrito por volta de 90 a 96 depois de Cristo. A Bíblia foi escrita por aproximadamente 40 homens, em um período que totalizou cerca de 1.600 anos. Para os católicos, a Bíblia é composta por 73 livros divididos em 46 do Antigo testamento e 27 do Novo Testamento. Para os Protestantes, a Bíblia tem 66 livros. 39 do Antigo Testamento e 27 do Novo Testamento. O Antigo Testamento possui 39 livros que relatam histórias relacionadas à criação do mundo e todos os acontecimentos que se seguiram até aos anos 445 antes de Cristo. No seu último livro (Malaquias), fala sobre a vida do Messias. Dentre os inúmeros livros apócrifos (que não foram escritos por inspiração divina), existem sete livros sagrados reconhecidos pela Igreja católica que não constam no Antigo Testamento da Bíblia Cristã: Tobias, Judite, I Macabeus, II Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico e Baruque.

O Novo Testamento possui 27 livros que apresentam a história de Jesus Cristo, englobando acontecimentos durante sua vida e após a sua morte. Os Atos dos Apóstolos narram à história mais antiga da Igreja, enquanto os quatro Evangelhos retratam, de formas diferentes a vida de Jesus. O Novo Testamento contém as Cartas de São Paulo, entre outras. No final do Novo testamento, está o Livro do Apocalipse, que descreve o fim do mundo e a Segunda Vinda de Jesus, onde todos seriam julgados e o governo justo de Deus viria a Terra. No sentido figurado, a palavra Bíblia é empregada para designar um livro de extrema importância, que contém as informações relevantes sobre determinada área do conhecimento, por exemplo: “Bíblia da Administração Financeira” entre outros. Um aspecto que chamou a atenção de muita gente foi sobre uma história que virou filme, senão vejamos: “Um livro que está causando polêmica e que virou filme. O autor desta peripécia chama-se Moacyr Scliar e tem a seguinte sinopse. Uma mulher de nosso tempo, empregada de uma loja de louças, submete-se a uma terapia de vidas passadas e conclui que numa encarnação anterior, há três mil anos, foi ela que escreveu a primeira versão da Bíblia. A mulher que escreveu a Bíblia é o relato em primeira pessoa da trajetória fabulosa dessa personagem anônima, filha de um pastor de cabras do deserto, que vai a Jerusalém e torna-se uma das setecentas esposas do rei Salomão”. Tem mais: “Por ser a única letrada do harém, o soberano a encarrega de escrever a história do povo judeu, ainda que para isso ela entre em choque com os sisudos escribas oficiais da corte”.

Unindo erudição, fantasia e humor, Moacyr Scliar brinda o leitor com uma recriação deliciosa da vida cotidiana na Jerusalém do tempo de Salomão, oferecendo novas e irreverentes versões para conhecidos episódios bíblicos. Misto de narrativa de aventura e sátira de costumes, a mulher que escreveu a Bíblia faz parte daquela seleta categoria dos livros que é impossível - parar de ler. Queríamos reafirmar que esta sinopse não é de nossa autoria, mas inserimos nesta matéria para chamar a atenção dos religiosos de plantão, que até o presente momento não se manifestaram a respeito do livro e do filme. Vocês seriam capazes de assimilar tais fatos como verdadeiros? Alguns exegetas, estudiosos em religião afirmam que a Bíblia não é apenas a Bíblia. Ela também funciona como uma espécie de Constituição. Natural: o Livro Sagrado não é exatamente um livro, mas uma coleção de 66 livros. Alguns livros são basicamente de histórias, caso do Gênesis, que narra o início dos tempos e as origens do povo de Israel.
Outros não. Eram obras que, antes de entrarem para a Bíblia, tinham vida própria na forma de códigos de conduta.

Ou seja: eram versões antigas, escritas entre o século 10 a.C. e 5 a.C., daquilo que hoje conhecemos como "código civil" e "código penal". Esses códigos, essas leis, estão principalmente nos livros Deuteronômio e Levítico. Mas aparecem por praticamente toda a Bíblia, inclusive no Novo Testamento, escrito a partir do século 1 e que revisa boa parte dessas leis. Por essas, muitos preceitos bíblicos são contraditórios ou sujeitos a mais de uma interpretação. "No contexto em que foram escritos, porém, eles ajudaram a formar um povo com uma identidade tão forte que sobreviveria a séculos de diáspora e uma religião que dominaria o mundo ocidental", diz o historiador Marc Zvi Brettler, professor de estudos judaicos da Universidade Brandeis, nos EUA. Nas próximas páginas, vamos fazer uma viagem pelas leis daquele tempo e daquele espaço. É a Bíblia. Mas como você nunca leu. Poucas coisas mudaram tanto nos últimos 3 mil anos como a instituição do casamento. Então esse é o nosso primeiro tópico. Para começar, o Velho Testamento deixa claro que as mulheres deveriam ser funcionárias de seus maridos. Funcionárias mesmo: não só com deveres, mas com direitos também. Se uma esposa fosse "demitida" pelo parceiro, por exemplo, podia ganhar uma carta de recomendação, que a moça podia usar como trunfo na hora de tentar uma vaga de mulher de outro sujeito.

Não é exagero falar em "vaga": um homem podia ter tantas esposas quanto quisesse (ou melhor: quanto pudesse adquirir e sustentar). A poligamia era a regra. Tanto que o primeiro caso aparece logo no capítulo 4 do primeiro livro da Bíblia: "E tomou Lameque para si duas mulheres" (Gênesis). São opiniões e mais opiniões que deixam alguns de orelha em pé, mas qual será a verdadeira história da Bíblia? Sobre o sexo ela se apresentava assim: “Sexo, além de polígamo, qualquer homem podia ter amantes, contanto que oficiais. Eram as concubinas. Jacó trabalhou 14 anos pela posse de suas duas mulheres - mas ganhou duas concubinas de bônus pelos bons serviços prestados”. Uma série de regras estabelece como deve ser a vida sexual também: toda mulher tem de se casar virgem, ou então poderá ser dispensada pelo marido - por outro lado, se o marido acusar falsamente a esposa de não ter casado casta, deve permanecer com ela até o fim da vida. Gosto e aprecio ler uma das melhores revistas que existe no Brasil, a Superinteressante, e foi nessa litura dinâmica de me deparei com um assunto bastante perspicaz e que para alguns estudiosos tem um principio fundamental valioso. A história de Deus foi escrita pelos homens. Mas quem é o autor do livro mais influente de todos os tempos? Uma boa indagação que merece uma resposta bastante inteligente. Vejam como as respostas são surpreendentes. (Fonte: José Francisco Botelho e Bruno Garattoni – publicado em 30/11/2008). Em algum lugar do Oriente Médio, por volta do século 10 a.C., uma pessoa decidiu escrever um livro. Pegou uma pena, nanquim e folhas de papiro (uma planta importada do Egito) e começou a contar uma história mágica, diferente de tudo o que já havia sido escrito. Era tão forte, mas tão forte, que virou uma obsessão.

Durante os 1 000 anos seguintes, outras pessoas continuariam reescrevendo, rasurando e compilando aquele texto, que viria a se tornar o maior Best Seller de todos os tempos: a Bíblia. Ela apresentou uma teoria para o surgimento do homem, trouxe os fundamentos do judaísmo e do cristianismo, influenciou o surgimento do islã, mudou a história da arte – sem a Bíblia, não existiriam os afrescos de Michelangelo nem os quadros de Leonardo da Vinci – e nos legou noções básicas da vida moderna, como os direitos humanos e o livre-arbítrio. Mas quem escreveu, afinal, o livro mais importante que a humanidade já viu? Quem eram e o que pensavam essas pessoas? Como criaram o enredo, e quem ditou a voz e o estilo de Deus? O que está na Bíblia deve ser levado ao pé da letra, o que até hoje provoca conflitos armados? A resposta tradicional você já conhece: segundo a tradição judaico-cristã, o autor da Bíblia é o próprio Todo-Poderoso. E ponto final. Mas a verdade é um pouco mais complexa que isso. Temos que afirmar que talvez não haja, na história do mundo, um povo mais misterioso que o povo hebreu ou judeu. Através de mil vicissitudes e perseguições, em meio a impérios que se ergueram e caíram de guerras e revoluções que assolaram o planeta, esse pequeno povo durante milhares de anos unido, tenaz e, de certo modo, invencível. Suas origens se remontam há muitos milhares de anos, e já vemos no Egito, na época da construção das pirâmides e na Babilônia como cativos na época de Ciro. Mas suas origens, todavia, se remontam há muitos séculos antes. Como os assírios, os caldeus e os fenícios, os judeus eram um povo semítico provavelmente surgido na Caldeia.

A própria Igreja admite que a revelação divina só veio até nós por meio de mãos humanas. A palavra do Senhor é sagrada, mas foi escrita por reles mortais. Como não sobraram vestígios nem evidências concretas da maioria deles, a chave para encontrá-los está na própria Bíblia. Mas ela não é um simples livro: imagine as Escrituras como uma biblioteca inteira, que guarda textos montados pelo tempo, pela história e pela fé. Aliás, o termo “Bíblia”, que usamos no singular, vem do plural grego ta biblia ta hagia – “os livros sagrados”. A tradição religiosa sempre sustentou que cada livro bíblico foi escrito por um autor claramente identificável. Os 5 primeiros livros do Antigo Testamento (que no judaísmo se chamam Torá e no catolicismo Pentateuco) teriam sido escritos pelo profeta Moisés por volta de 1200 a.C. Os Salmos seriam obra do rei Davi, o autor de Juízes seria o profeta Samuel, e assim por diante. Hoje, a maioria dos estudiosos acredita que os livros sagrados foram um trabalho coletivo. E há uma boa explicação para isso.As histórias da Bíblia derivam de lendas surgidas na chamada Terra de Canaã, que hoje corresponde a Líbano, Palestina, Israel e pedaços da Jordânia, do Egito e da Síria. Durante séculos acreditou-se que Canaã fora dominada pelos hebreus. Mas descobertas recentes da arqueologia revelam que, na maior parte do tempo, Canaã não foi um Estado, mas uma terra sem fronteiras habitada por diversos povos – os hebreus eram apenas uma entre muitas tribos que andavam por ali. Por isso, sua cultura e seus escritos foram fortemente influenciadas por vizinhos como os cananeus, que viviam ali desde o ano 5000 a.C. E eles não foram os únicos a influenciar as histórias do livro sagrado. As raízes da árvore bíblica também remontam aos sumérios, antigos habitantes do atual Iraque, que no 3o milênio a.C. escreveram a Epopeia de Gilgamesh. Essa história, protagonizada pelo semideus Gilgamesh, menciona uma enchente que devasta o mundo (e da qual algumas pessoas se salvam construindo um barco).

Notou semelhanças com a Bíblia e seus textos sobre o dilúvio, a arca de Noé, o fato de Cristo ser humano e divino ao mesmo tempo? Não é mera coincidência. “A Bíblia era uma obra aberta, com influências de muitas culturas”, afirma o especialista em história antiga Anderson Zalewsky Vargas, da UFRGS. Foi entre os séculos 10 e 9 a.C. que os escritores hebreus começaram a colocar essa sopa multicultural no papel. Isso aconteceu após o reinado de Davi, que teria unificado as tribos hebraicas num pequeno e frágil reino por volta do ano 1000 a.C. A primeira versão das Escrituras foi redigida nessa época e corresponde à maior parte do que hoje são o Gênesis e o Êxodo. Nesses livros, o tema principal é a relação passional (e às vezes conflituosa) entre Deus e os homens.
Só que, logo no começo da Beeblia, já existiu uma divergência sobre o papel do homem e do Senhor na história toda. Isso porque o personagem principal, Deus, é tratado por dois nomes diferentes. Em alguns trechos ele é chamado pelo nome próprio, Yahweh – traduzido em português como Javé ou Jeová. É um tratamento informal, como se o autor fosse íntimo de Deus. Em outros pontos, o Todo-Poderoso é chamado de Elohim, um título respeitoso e distante (que pode ser traduzido simplesmente como “Deus”).

Como se explica isso? Para os fundamentalistas, não tem conversa: Moisés escreveu tudo sozinho e usou os dois nomes simplesmente porque quis. Só que um trecho desse texto narra à morte do próprio Moisés. Isso indica que ele não é o único autor. Os historiadores e a maioria dos religiosos aceitam outra teoria: esses textos tiveram pelo menos outros dois editores.Acredita-se que os trechos que falam de Javé sejam os mais antigos, escritos numa época em que a religiosidade era menos formal. Eles contêm uma passagem reveladora: antes da criação do mundo, “Yahweh não derramara chuva sobre a terra, e nem havia homem para lavrar o solo”. Essa frase, “não havia homem para lavrar o solo”, indica que, na primeira versão da Bíblia, o homem não era apenas mais uma criação de Deus – ele desempenha um papel ativo e fundamental na história toda. “Nesse relato, o homem é co-criador do mundo”, diz o teólogo Humberto Gonçalves, do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos, no Rio Grande do Sul. Pelo nome que usa para se referir a Deus (Javé), o autor desses trechos foi apelidado de Javista. Já o outro autor, que teria vivido por volta de 850 a.C., é apelidado de Eloísta. Mais sisudo e religioso, ele compôs uma narrativa bastante diferente. Ao contrário do Deus-Javé, que fez o mundo num único dia, o Deus-Elohim levou 6 (e descansou no 7o). Nessa história, a criação é um ato exclusivo de Deus, e o homem surge apenas no 6o dia, junto aos animais. Tempos mais tarde, os dois relatos foram misturados por editores anônimos – e a narrativa do Eloísta, mais comportada, foi parar no início das Escrituras. Começando por aquela frase incrivelmente simples e poderosa, notória até entre quem nunca leu a Bíblia: “E, no início, Deus criou o céu e a terra…”.

Em 589 a.C., Jerusalém foi arrasada pelos babilônios, e grande parte da população foi aprisionada e levada para o atual Iraque. Décadas depois, os hebreus foram libertados por Ciro, senhor do Império Persa – um conquistador “esclarecido”, que tinha tolerância religiosa. Aos poucos, os hebreus retornaram a Canaã – mas com sua fé transformada. Agora os sacerdotes judaicos rejeitavam o politeísmo e diziam que Javé era o único e absoluto deus do Universo. “O monoteísmo pode ter surgido pelo contato com os persas – a religião deles, o masdeísmo, pregava a existência de um deus bondoso, Ahura Mazda, em constante combate contra um deus maligno, Arimã. Essa noção se reflete até na ideia cristã de um combate entre Deus e o Diabo”, afirma Zalewsky, da UFRGS.
A versão final do Pentateuco surgiu por volta de 389 a.C. Nessa época, um religioso chamado Esdras liderou um grupo de sacerdotes que mudaram radicalmente o judaísmo – a começar por suas escrituras. Eles editaram os livros anteriores e escreveram a maior parte dos livros Deuteronômio, Números, Levítico e também um dos pontos altos da Bíblia: os 10 Mandamentos. Além de afirmar o monoteísmo sem sombra de dúvidas (“amarás a Deus acima de todas as coisas” é o primeiro mandamento), a reforma conduzida por Esdras impunha leis religiosas bem rígidas, como a proibição do casamento entre hebreus e não-hebreus. Algumas das leis encontradas no Levítico se assemelham à ética moderna dos direitos humanos: “Se um estrangeiro vier morar convosco, não o maltrates. Ama-o como se fosse um de vós”.

Outras passagens, no entanto, descrevem um Senhor belicoso, vingativo e sanguinário, que ordena o extermínio de cidades inteiras – mulheres e crianças incluídas. “Se a religião prega a compaixão, por que os textos sagrados têm tanto ódio?”, pergunta a historiadora americana Karen Armstrong, autora de um novo e provocativo estudo sobre a Bíblia. Para os especialistas, a violência do Antigo Testamento é fruto dos séculos de guerras com os assírios e os babilônios. Os autores do livro sagrado foram influenciados por essa atmosfera de ódio, e daí surgiram às histórias em que Deus se mostra bastante violento e até cruel. Os redatores da Bíblia estavam extravasando sua angústia. Por volta do ano 200 a.C., o cânone (conjunto de livros sagrados) hebraico já estava finalizado e começou a se alastrar pelo Oriente Médio. A primeira tradução completa do Antigo Testamento é dessa época. Ela foi feita a mando do rei Ptolomeu 2o em Alexandria, no Egito, grande centro cultural da época. Segundo uma lenda, essa tradução (de hebraico para grego) foi realizada por 72 sábios judeus. Por isso, o texto é conhecido como Septuaginta.

Além da tradução grega, também surgiram versões do Antigo Testamento no idioma aramaico – que era uma espécie de língua franca do Oriente Médio naquela época. Dois séculos mais tarde, a Bíblia em aramaico estava bombando: ela era a mais lida na Judéia, na Samária e na Galileia (províncias que formam os atuais territórios de Israel e da Palestina). Foi aí que um jovem judeu, grande personagem desta história, começou a se destacar. Como Sócrates, Buda e outros pensadores que mudaram o mundo, Jesus de Nazaré nada deixou por escrito – os primeiros textos sobre ele foram produzidos décadas após sua morte. E o cristianismo já nasceu perseguido: por se recusarem a cultuar os deuses oficiais, os cristãos eram considerados subversivos pelo Império Romano, que dominava boa parte do Oriente Médio desde o século 1 a.C. Foi nesse clima de medo que os cristãos passaram a colocar no papel as histórias de Jesus, que circulavam em aramaico e também em coiné – um dialeto grego falado pelos mais pobres. “Os cristãos queriam compreender suas origens e debater seus problemas de identidade”, diz o teólogo Paulo Nogueira, da Universidade Metodista de São Paulo. Para fazer isso, criaram um novo gênero literário: o evangelho.

Esse termo, que vem do grego evangélion (“boa-nova”), é um tipo de narrativa religiosa contando os milagres, os ensinamentos e a vida do Messias. A maioria dos evangelhos escritos nos séculos 1 e 2 desapareceu. Naquela época, um “livro” era um amontoado de papiros avulsos, enrolados em forma de pergaminho, podendo ser facilmente extraviados e perdidos. Mas alguns evangelhos foram copiados e recopiados à mão, por membros da Igreja. Até que, por volta do século 4, tomaram o formato de códice – um conjunto de folhas de couro encadernadas, ancestral do livro moderno. O problema é que, a essa altura do campeonato, gerações e gerações de copiadores já haviam introduzido alterações nos textos originais – seja por descuido, seja de propósito.
“Muitos erros foram feitos nas cópias, erros que às vezes mudaram o sentido dos textos. Em certos casos, tais erros foram também propositais, de acordo com a teologia do escrivão”, afirma o padre e teólogo Luigi Schiavo, da Universidade Católica de Goiás. Quer ver um exemplo? Sabe aquela famosa cena em que Jesus salva uma adúltera prestes a ser apedrejada? De acordo com especialistas, esse trecho foi inserido no Evangelho de João por algum escriba, por volta do século 3. Isso porque, na época, o cristianismo estava cortando seu cordão umbilical com o judaísmo. E apedrejar adúlteras é uma das leis que os sacerdotes-escritores judeus haviam colocado no Pentateuco. A introdução da cena em que Jesus salva a adúltera passa a ideia de que os ensinamentos de Cristo haviam superado a Torá – e, portanto, os cristãos já não precisavam respeitar ao pé da letra todos os ensinamentos judeus.

A julgar pelo último livro da Bíblia cristã, o Apocalipse (que descreve o fim do mundo), o receio de ter suas narrativas “editadas” era comum entre os autores do Novo Testamento. No versículo 18, lê-se uma terrível ameaça: “Se alguém fizer acréscimos às páginas deste livro, Deus o castigará com as pragas descritas aqui”. Essa ameaça reflete bem o clima dos primeiros séculos do cristianismo: uma verdadeira baderna teológica, com montes de seitas defendendo ideias diferentes sobre Deus e o Messias. A seita dos docetas, por exemplo, acreditava que Jesus não teve um corpo físico. Ele seria um espírito, e sua crucificação e morte não passariam – literalmente – de ilusão de ótica. Já os ebionistas acreditavam que Jesus não nascera Filho de Deus, mas fora adotado, já adulto, pelo Senhor. A primeira tentativa de organizar esse caos das Escrituras ocorreu por volta de 142 – e o responsável não foi um clérigo, mas um rico comerciante de navios chamado Marcião.

ANTONIO PAIVA RODRIGUES-JORNALISTA- MEMBRO DA ACI- DA UBT- DO PORTAL CEN( LUSO-BRASILEIRO)-DO RECANTO DAS LETRAS- DO PARA LER E PENSAR- E DA ALOMERCE.

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