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Crônica
 
DITADURA LIGHT
Por: Milton Menezes

Um cantor popular de músicas sertanejas disse há pouco ao ser entrevistado, que no Brasil não teria existido uma ditadura!
Ponto final.
Uma declaração polêmica, sobretudo se considerarmos que pensadores da música sertaneja não são muito comuns na elite intelectual artística.
Por mais estranho que pareça, se analisarmos os fatores, os diagnósticos e os sintomas da chamada "Revolução" de 1964, teremos que dar um sentido a esta posição sertaneja.
Com certeza muitas vítimas do terror militar naqueles anos 60 estarão chocadas com esta posição.
Primeiro foram os militares mesmo que tentaram inutilmente dar ao putsch uma impressão de revolução salvadora. Este título foi vendido ao povo naqueles anos e para muitos era até simpático.
O medo do comunismo na Europa do pós-guerra, batendo às portas da América Latina avassalava o mundo civilizado.
Depois os crimes da casta repressora militar brasileira foram se popularizando e nos final dos anos 60 já não se falava mais tanto de revolução, porém de golpe militar.
Enfim, quando o regime militar, que não tinha competência alguma para administrar um país como o Brasil, sentiu que a batata quente estava lhe queimando na mão, declararam o Brasil “salvo” e devolveram o governo aos políticos.
Revolução ou ditadura (e ai tenho que dar razão ao cantor sertanejo) ocorre sobretudo com violência ideológica. Crimes são também cometidos, entretanto com o cunho ideológico, pretensivo mas evidente, com a ilusão de que se está realmente servindo à sociedade, além de cometer-se alguns crimes (querendo justificar os fins com os meios).
Assim ocorreu a revolução francesa do final do século XVIII, algumas outras revoluções, entre as quais a de outubro de 1917 na Rússia, a revolução vermelha chinesa. Nem todas foram ditaduras. A revolução russa foi uma ditadura interminável, a chilena que suprimiu Allende também foi ditadura, francesa foi apenas ideológica e aterrorizante, uma das piores no mundo civilizado, sem ditadura, os opressores se sucederam no poder e no terror, de monarquistas a jacobistas, todos sedentos de poder.
A característica mais lógica das ditaduras é a energia criminosa que não é monopólio dos militares, entretanto como eles são os que se encontram em poder do armamento, são os autores mais rápidos para agir.
A diferença enorme entre as ditaduras conhecidas internacionalmente (quase todas conduzidas por militares) e a “ditadura” brasileira dos anos 60, é que a violência no Brasil não teve cunho ideológico.
Nem todos os militares se confraternizaram com a violência, muitos se contentaram com o poder e quando perceberam que não tinham capacidade para dirigir o país se prontificaram a entregar o poder de volta aos políticos.
Este também é o motivo pelo qual a tomada do poder e o início do regime militar é ligado a uma certa violência, entretanto a saída dos militares foi mais um toque apático de retirada, sem violência.
Naturalmente, para quem é torturado não faz muita diferença se a tortura é criminosa ou ideológica. O meio usado é o terror em sua forma mais abominável e vítima de terror é vítima de terror, de mais nada.
Entretanto (e isto não é nenhum elogio aos militares de 1964) o terror no Brasil foi mais criminoso e esparso que ideológico.
Autores de crimes não foram revolucionários porém certos oportunistas (tanto militares como policiais civis) que exerceram sua pior energia criminal para oprimir e roubar vítimas.
Neste ponto eu poderia até mesmo intensificar a redução do termo ditadura no Brasil para dizer putsch mesquinho e mesmo considerar o golpe mais uma disenteria militar do que um movimento ideológico, que felizmente vai se esquecendo no tempo.
Por outro lado, é oportuno lembrar que o militares (nem se pode generalizar a acusação do terror daqueles anos) não prejudicaram o país mais que os políticos da atualidade que provocam com razão o pensamento de que o Brasil necessitaria agora de uma autoridade mais rigorosa que esta conduzida pelos Lulas e Temers ou Cunhas e outros tantos que lotam a Câmara e o Senado brasileiros.
Até neste ponto se pode compreender que para reduzir um pouco a criminalidade no Rio de Janeiro foi necessário enviar uma força-tarefa de militares.

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