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A CONFUSÃO DO CREPÚSCULO
Por: Suely Braga


A CONFUSÃO DO CREPÚSCUL0
SUELY BRAGA
Hoje é domingo. Domingo é dia de visita. Não estou esperando ninguém. Há muito tempo que não recebo visitas. A única que me visitava, a minha amiga Cidinha, faz tempo que não aparece. Anda muito doente. Ela sempre passava as tardes de domingo comigo. Era maravilhoso. Ficávamos de mãos dadas passeando no jardim. Na primavera admirávamos as borboletas adejando no ar, as flores desabrochando, os sabiás beijando-as carinhosamente. Á tardinha sentávamos neste banco. Olhávamos o cair da tarde. O sol desaparecendo atraz dos montes, deixando o céu escarlate. Encantávamo-nos com a natureza. Este lugar é muito bonito.
Cidinha me trazia biscoitos, broas e bolo de chocolate. Falávamos de nossas vidas numa conversa animada e emocionante. Ah! Como sinto falta de minha querida
amiga.!
Não tenho família aqui. A neta que criei desde os quatro anos, quando perdeu os pais num acidente aviatório. Ela preencheu o vazio com a morte de minha filha. Ganhou uma bolsa de estudos e foi morar em Paris. Casou-se com um francês e lá se radicou. Faz anos que não a vejo. As notícias são escassas.
Fui muit feliz. Nossa casa era o ponto de encontro de intelectuais e artistas. Participavamos de muitas festas. Tínhamos muitos amigos. Viajavamos muito.
Com a morte de meu marido senti-me muito só e desamparada. Vi-me frente a frente comigo mesma.
Nos primeiros anos reunia-me com as amigas para sair, tomar chá, passear. Ocupei-me um tempo, ensinando canto e dança para crianças carentes no abrigo de uma vila. Depois os anos foram passando e os problemas de saúde me impediram de continuar. Comecei a sentir a tristeza de ver os dias vestir as tardes e as tardes vestir as noites. Estava muito solitária. Então vim morar neste lugar onde guardo meus segredos, minhas recordações.
A saudade torna-se um tumor letal. A solidão é um muro alto, ao qual não consigo ultrapassar. Deito-me na cama à procura do sono e encontro o estado de silêncio. Sem sono a vida corre lenta e densa.
Quando me aproximo do espelho em meu quarto, noto que o processo de envelhecimento não cessa.
Dentro do meu casaco marrom respiro sem muito interesse.
Uma confusão do crepúsculo empana-me o pensamento e só ouço o intermitente lamento do meu coração, como o último eco de uma sinfonia longínqua.
Tocou a sineta. É hora do jantar.
OSÓRIO, 20/01/2014.

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