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Crônica
 
DOZE DE OUTUBRO DIA DA CRIANÇA
Por: Suely Braga


DOZE DE OUTUBRO “DIA DA CRIANÇA”
SUELY BRAGA
O que fazemos pelas nossas crianças?
Nossas casas estão inundadas de propagandas sobre o Dia da Criança. Propagandas que enchem os olhos e fazem palpitar os corações das crianças. Cada dia os brinquedos mais sofisticados, mais atraentes. Os pais fazem o maior sacrifício para adquiri-los.
Os canais de televisão já estão anunciando, que os empresários esperam faturar mais este ano do que no ano passado com as vendas no Dia da Criança.
A grande maioria das crianças nesta sociedade consumista ,já são consumistas em potencial.
Os canais de televisão para muitas crianças são “as Babás” na ausência dos pais, que saem para lutar pelo pão de cada dia.
Dizemos que as crianças são o futuro da sociedade, o futuro dos países. Até que ponto contribuímos para que isso se torne realidade?
Temos um Estatuto da criança e do adolescente muito bem elaborado, mas ele está sendo cumprido?
O que vemos em nosso país, em outros países da América Latina e em outros países do mundo, principalmente os que estão destroçados pelas guerras é uma legião de crianças famintas, destruídas pela miséria, perambulando pelas ruas,
mendigando moedas nas sinaleiras ou entregues às drogas, abandonadas à própria sorte.Crianças amontoadas nos abrigos, muitas vezes, sem as mínimas condições de serem recuperadas.
O que podemos dizer das crianças sujeitas à exploração do trabalho infantil, crianças usados pelos traficantes, já transformadas em pequenos delinqüentes e criminosos. E as crianças da Síria
sofrendo as consequências de uma guerra montada pela ânsia de poder dos homens?Crianças trans- formadas em bucha de canhão?
As crianaças da Àfrica que vivem na pobreza e na miséria morrendo de inanição.
As crianças que estão morrendo nos oceânos junto com os pais refugiados.
E aquelas crianças que nem chegam a nascerem abortadas pelas mães de todas as classes sociais, ou de adolescentes que jogam seus filhos no lixo, ou os abandonam em qualquer lugar?
As crianças que com seus olhinhos inocentes, sua ingenuidade, suas fantasias, seus sonhos são impedidas de viver decentemente uma infância feliz.
Crianças que clamam por amor, respeito e consideração e são excluídas e abandonadas sem expectativa de vida. No entanto, há outras crianças, uma minoria, nascidas em berço de ouro,
amadas, paparicadas, onde reina a riqueza e a abundância, vivendo alegres, sorridentes, nadando em bens materiais, com todos o desejos satisfeitos.Crianças ricas criadas sem limites, onde seus mínimos desejos são plenamente satisfeitos.Será que estas crianças são sempre felizes e serão adultos realizados?
Portanto, todos os dias são dias das crianças.
Toda a sociedade, os governos, as instituições e cada um de nós temos que fazer uma profunda reflexão e contribuirmos com nossa parte, para que todas as crianças, o futuro do mundo, possam ter vida, alimento, saúde, educação e amor para terem uma infância feliz e no futuro construírem um novo mundo.

OSÓRIO, 12/10/2017


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