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Conto
 
VIDAS
Por: Suely Braga


VIDAS
SUELY BRAGA

No alpendre da casa Reinaldo deitado na rede, observa as ondas do mar em busca da praia. Vê ao longe a imagem de um navio. Com o olhar perdido no horizonte, pensa em sua vida. Nesse mesmo dia há quinze anos sua mulher morreu. Lembra da época em que há poucos anos de casados, compraram a casa. Ele e Júlia gostavam de passar ali os fins de semana, longe do burburinho da cidade. Davam longas caminhadas à beira mar, enquanto faziam planos para o futuro. Viajariam nas férias para a Europa. No entanto, esses projetos ruíram como um castelo que se afunda no mar. Foi tão intensa a dor dessa perda que pensou jamais superá-la. Seu coração ficou partido e o luto durou mais de três anos. Aos poucos começou a sentir prazer na companhia dos amigos e frequentar restaurantes e bares com música ao vivo. Companhias lhe eram apresentadas, mas fugia de todas. A boa aparência apesar de seus cinquenta anos atraia as mulheres, mas não aceitava a companhia delas.
Desce da rede, veste um calção, calça os tênis e sai para dar uma caminhada na praia.
Depois de poucos passos divisa um vulto de mulher sozinha sentada numa pedra. Continua caminhando e uma atração inexplicável o aproxima daquela solitária. Chegando próximo acha que aquele rosto não lhe é desconhecido.
Quanto mais perto chega reconhece o rosto de Lígia, claro já modificado pela passagem dos anos. Quando ela levanta a cabeça, ele exclama admirado:” Lígia é você?
Ela a princípio não o reconhece. Levanta-se e se aproxima mais dele, olha-o profundamente e pergunta: “É você Reginaldo? Quantos anos se passaram!” Ele senta no chão ao seu lado e a conversa flui normalmente.
Reginaldo conta de sua casa ali na praia e narra com detalhes a morte de sua esposa. Ela com emoção na voz diz: “É, jamais esqueci quando me abandonaste para casar com Júlia. Sofri muito e continuei te amando. Depois de muito tempo casei com um empresário rico, mas nossos modos de encarar a vida foi o que nos afastou. Estou divorciada há dez anos. Tivemos dois filhos. A Márcia casou com um americano e mora nos EUA. Jairo ficou morando comigo, mas morreu num acidente aviatório faz dois anos. Estou sofrendo muito com a perda de meu filho, por isso vim sozinha para esta linda praia para ver se alivio minha cabeça e meu coração.”
Reginaldo pegou na mão de Lígia e a beijou.
Diz: “Lamento muito e compartilho com teu sofrimento”
Ela olha-o profundamente e diz:” Você está muito bem com esta pele morena e estes cabelos grisalhos que lhe dão um charme especial.”
Ele a olha também e confirma: “você apesar do sofrimento continua bela com estes olhos grandes e amendoados, os cabelos longos e sedosos e o rosto com apenas alguns sinais do tempo, mas liso e formoso.”
Lígia fala: “estou hospedada no Hotel Jangadeiro na beira da praia.”
A manhã já vai alta e o sol está muito quente.
Reginaldo convida-a: “Vamos conhecer minha casa. Eu faço uma peixada para nós.”
Levantam-se ao mesmo tempo e saem caminhando, de mãos dadas como antigos namorados. É véspera de Natal.

Osório, 23/ 12/ 2017.

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