A casa dos grandes pensadores

Bem-vindo ao site dos pensadores!!!

| Principal |  Autores | Construtor |Textos | Fale conosco CadastroBusca no site |Termos de uso | Ajuda |
 
 
 

 

 
Crônica
 
Carnaval é inovação, é ideia maluca na cabeça, é muito samba no pé
Por: Marlene A. Torrigo

Carnaval é inovação, é ideia maluca na cabeça, é muito samba no pé. Assim pensado, tenho uma crítica séria a fazer: não gosto quando uma escola de samba inventa de homenagear artistas. A Unidos da Tijuca homenageou Miguel Fallabella e a Peruchi homenageou Martinho da Vila? Inadmissível! Que eles sejam bons artistas, é inegável. Mas serem estrelas maiores da festa de Momo?
Vários artistas já foram homenageados em escolas de samba: Dercy Gonçalves, Roberto Carlos, Xuxa, Ivete Sangalo, Silvio Santos, Maria Bethânia, e até mesmo Zezé de Camargo e Luciano, dupla sertaneja que foi homenageada pela Imperatriz Leopoldinense em 2016. Zezé e Luciano... Nada a ver com samba no pé!
Nas histórias das nações existem grandes personalidades, grandes acontecimentos em todas as áreas, que precisam ser escavadas, rebuscadas, exploradas pelos carnavalescos. Carnaval se faz como fez a Paraíso de Tuiuti, que trouxe para avenida um tema social atual ligado ao passado escravocrata, saindo-se muito bem, sagrando-se favorita para para ganhar o Carnaval 2018.
Existe centenas de temas para abordar nas áreas das Ciências, das Artes, dos inventores e descobridores, na incompatibilidade dos credos, na sincronia dos folclores, na exuberância das divindades e até mesmo temas sinistros, como o enredo da Salgueiro em 2017, em alusão aos sete pecados capitais - inspirado na Divina Comédia da grande obra de Dante Alighieri - que deu um baile de originalidade de forma clássica, satânica e assombrosa.
Não, não sou tão drástica assim quanto a artistas serem homenageados em escola de sambas. Posso ser a favor, desde que haja junção de vários deles realmente de valor. Até poderia exemplificar com uma homenagem à Velha Guarda, que envolveria os grandes cantores e compositores brasileiros do tempinho da minha mãe Letícia e da minha avó Cecília, duas potiguares que eram malucas por carnaval.
Anísio Silva, Nelson Gonçalves, Orlando Silva, Ataufo Alves, Noel Rosa, Lamartine Babo, Chiquinha Gonzaga (Ó abre-alas que eu quero passar), Dalva de Oliveira, Nora Ney, Marlene, Maysa, Aracy de Almeida... Tão esquecidos eles estão. Não lembro se alguma escola já os homenageou, assim, todos juntos.
Não acho justo agremiações carnavalescas homenagearem pessoas que nada fizeram para melhorar, transformar, enriquecer a história de um povo, de uma nação. O que rola nos bastidores das escolas de samba para que homenageiem artistas isolados e vultos falsos da história? Quem sabe?

 Comente este texto

 

Comentário (0)

Deixe um comentário

Seu nome (obrigatório) (mínimo 3, máximo 255 caracteres) (checked.gif Lembrar)
Seu email (obrigatório) ( não será publicado)
Seu comentário (obrigatório) (mínimo 3, máximo 5000 caracteres)
 
Insira abaixo as letras que aparecem ao lado: QFdO (obrigatório e sensível. Utilize letras maiúsculas e minúsculas;)
 
Não envie mensagem ofensiva e procure manter um intercâmbio saudável com o seu correspondente, que com certeza busca dar o melhor de si naquilo que faz.
Seu IP será enviado junto com a mensagem.