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Paixão e Apego
Por: Valdir Pedrosa

PAIXÃO E APEGO

“E a solução do meu processo, senhor Alfredo? Sinto-me prejudicado pelos parentes de má fé. Minha parte na herança dos avós é cobiçada pelos primos. Segundo já lhe fiz ver, meu quinhão é superior aos demais. Soube, todavia, que o Visconde de Cairu interpôs toda a sua influência contra mim. Ninguém ignora tratar-se de um grande velhaco. Que não poderá ele fazer com as artimanhas políticas? Está mal informado a meu respeito. O senhor enviou meu pedido ao Imperador?” [1]

Aristarco era um dos vários Espíritos dementados amparados pelo posto de socorro vinculado à colônia Campo da Paz. Profundamente arraigado aos assuntos de ordem material, o infeliz irmão interpelou Alfredo, o administrador daquela instituição, sobre o processo que corria em relação a herança de seus avós. Sua mente não conseguia focar em nada além do dinheiro que ele pensava ainda ter direito. Esse fato nos remete à outro, narrado por André Luiz na obra “No Mundo Maior” [2]. Em excursão às regiões inferiores do Umbral, em companhia de Calderaro, André avistou um grupo de velhinhos que se engalfinhavam na lama achando que fosse ouro. Como se não bastasse, alimentavam enorme preocupação para que os ladrões não os roubassem. Dentre este triste agrupamento, André reconheceu Cláudio, que fora seu avô na última encarnação e que havia lhe ajudado muito em sua formação médica. O mentor explicou que a condição apresentada por aquelas entidades era consequência do profundo apego à fortuna material que, como bem sabemos, é transitória. Nossos irmãos não se encontravam aptos ao equilíbrio na zona mental do trabalho digno.

Aliás, é muito comum recebermos em reuniões mediúnicas Espíritos que se encontram em situações semelhantes no Além. Quando encarnados, cultivaram tanto apego aos mais diversos bens materiais que, ao chegarem no plano espiritual, conservam a nítida sensação de ainda estarem no mundo físico. Perguntam por suas residências, fazendas, terrenos, automóveis, roupas e demais objetos que consideram de grande valor. Além destes há aqueles outros que se apegam às pessoas, como se fossem de sua propriedade. Consideram como posse seus pais, irmãos, cônjuges e filhos. Sofrem absurdamente pela separação, pois não amaram realmente, mas apenas se apegaram. E na ausência daquilo em que se apega, a criatura é tomada por um enorme vazio em sua vida, a se traduzir, por vezes, em uma dor incomensurável e sofrimento inenarrável. Só quem passou por isso é capaz de entender completamente o que estamos dizendo.

Em nosso entendimento, o apego nasce da paixão incontrolável e não do amor. Há quem diga que o apego é o oposto do amor, pois enquanto este liberta, aquele prende. A paixão corrompida pelo apego surge de um egocentrismo no qual a pessoa busca construir a sua própria felicidade às custas do outro. É um tipo de sentimento onde o indivíduo quer se apropriar de pessoas, objetos e situações visando o controle de tudo. Considerando o apego como um dos filhos da paixão, será que são, em essência prejudiciais ao homem? Será que no dia a dia, um pouco de apego e paixão não seriam benéficos? Demonstra a história da humanidade que as paixões são capazes de levar as pessoas a realizarem grandes feitos. Assim, podemos dizer que o apego comedido e bem compreendido pode se traduzir por zelo, dedicação, afeição, ternura e cuidados com tudo aquilo que é importante para nós. Mas o problema é que nem sempre ou, na maioria das vezes, os instintos primitivos sobrepõem as nossas aspirações mais sublimes. Dominados pela ausência do autocontrole, surgem os excessos que, inevitavelmente, maculam as boas intenções de que nos imbuímos.

Allan Kardec perguntou aos Espíritos superiores responsáveis pela Doutrina Espírita: “Será substancialmente mau o princípio originário das paixões, embora esteja na Natureza?” Os guias responderam: “Não; a paixão está no excesso de que se acresceu a vontade, visto que o princípio que lhe dá origem foi posto no homem para o bem, tanto que as paixões podem levá-lo à realização de grandes coisas. O abuso que delas se faz é que causa o mal.” O Codificador também perguntou: “Como se poderá determinar o limite onde as paixões deixam de ser boas para se tornarem más?” E obteve a seguinte resposta: “As paixões são como um corcel, que só tem utilidade quando governado e que se torna perigoso desde que passe a governar. Uma paixão se torna perigosa a partir do momento em que deixais de poder governá-la e que dá em resultado um prejuízo qualquer para vós mesmos, ou para outrem.” [3]

Por fim, com carinho e firmeza, Alfredo respondeu a Aristarco: “(...) acredito que você está sendo experimentado para conhecer a grandeza da herança divina. Que valem os patrimônios terrestres, ante os patrimônios imperecíveis? Não pense no que tem perdido; medite nos bens sublimes que poderá alcançar, diante da Vida Eterna. Esqueça os primos ambiciosos e o Visconde que não o compreendeu. Terão eles de deixar quanto possuem, no campo transitório, a fim de prestarem contas à Divindade.” [1] E quando chegar a nossa vez de prestarmos contas à Deus? O que apresentaremos a nosso favor? Nossos bens são apenas materiais? São paixões e apegos em excesso que sufocam e prendem? Ou já teremos conquistado alguns tesouros verdadeiros, aqueles que nem as traças e a ferrugem consomem, e nem os ladrões minam ou roubam? [4]


[1] Os Mensageiros – Pelo Espírito André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier – capítulo 21 (Espíritos dementados).
[2] No Mundo Maior – Pelo Espírito André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier – capítulos 18 (Velha afeição) e 19 (Reaproximação).
[3] O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – 3ª parte (Das leis morais) – capítulo 12 (Da perfeição moral) – questões 907 e 908.
[4] Evangelho Segundo Mateus – 6:19-21.

Valdir Pedrosa – Fevereiro/2016

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