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Crônica
 
Tudo por um sonho, por uma paixão
Por: Marlene A. Torrigo

“Pela primeira vez em dez anos, mais de 60% dos recém-formados em Medicina foram aprovados no exame do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), mas erros em análise de problemas de saúde frequentes foram considerados altos pelo conselho. O levantamento mostrou que 88% dos recém-formados não souberam interpretar o resultado de uma mamografia, 78% erraram o diagnóstico de diabete, 60% demonstraram pouco conhecimento sobre doenças parasitárias e 40% não souberam interpretar uma suspeita de apendicite aguda."

O que o trecho acima de uma matéria recente pretende mostrar é que muitos médicos não atingiram os acertos necessários, mas entendo que cada médico é especialista naquela área pela qual tem afinidade, pela qual tem paixão. Por exemplo, um médico otorrino não conseguirá mesmo avaliar acertadamente uma ultrassonografia de um paciente com problemas renais, mesmo porque as faculdades de Medicina não os prepara para tanto. São seis anos mais dois de especialização, o que acaba sendo pouco. Experiência adquire-se com o passar dos anos, na prática. Dificilmente um médio ortopedista estará preparado para atender um paciente enfartando. Pretender que os médicos saibam tudo de todas as áreas é o mesmo que eu pretenda escrever um livro de empreendedorismo quando a minha praia é a social.

“Essa é uma prova de dificuldade média para fácil. Se o médico recém-formado não sabe fazer um diagnóstico de diabete e câncer de mama, que estão na rotina, é muito complicado, assim afirmou Bráulio Luna Filho, coordenador do exame.”

Eu entendi perfeitamente as colocações da matéria, porém tudo tem a ver com o que eu escrevi anteriormente, paixão. Existem profissionais ruins em todas as profissões. Sabemos que existem estudantes de Medicina que o fazem pelo título, afinal ser chamado de doutor por pacientes que veem médicos como semideuses, eleva qualquer ego aos céus (Em Enfermagem, uma equipe é desvalorizada por muitos pacientes, é ofendida, até mesmo agredida, mas no trato com o Ser Médico a conduta deles é outra). E tem aqueles que cursam Medicina por imposição ferrenha de pais que determinam que um filho será doutor desde que nasce, sem levar em conta que este pode não ser o sonho dos seus bebês. Então, ambos estudam apenas para superar cada semestre até o tão ambicionado canudo. E tem aqueles que estudam por paixão, por amor àquilo que sempre sonharam.

A filha do mais velho dos meus irmãos é médica formada pela USP há mais de vinte anos. Meu irmão, professor, e sua esposa, costureira, trabalharam duro para que a filha se formasse doutora. Materiais e livros de medicina são caríssimos. Lembro de um livro que meu irmão me mostrou que lhe custou três meses de salário. A minha cunhada muitas vezes varava a noite numa máquina de costura e meu irmão além de dar aulas fazia serviços extras como pintor de carros. Ele ainda tinha a filha mais nova cursando arquitetura. A futura médica - que seguiu do ensino primário ao médio sempre tirando notas máximas, posto que possuísse um QI acima da média - por sua vez, não se importava de ir para a faculdade vestida com jeans surrados, camiseta e conga nos pés. Eu a vi reciclando roupas em idade que as moças são muito vaidosas. Tudo por um sonho, por uma paixão.

Eu estive na Argentina em 2016, onde a faculdade é gratuita, e lá conversei com muitos estudantes brasileiros. Pude entender que havia estudantes que estavam ali por imposição dos pais e outros por complicações com o ego - sem falar naqueles que nem estudando estavam, notava-se envolvidos em drogas, enganando os pais no Brasil para não perder a mesada. Garra, determinação e paixão pela medicina, vi muito mais naqueles que trabalhavam para garantir seu sustento e naqueles por reconhecimento a cada tostão dos pais batalhando longe deles. Destarte, creio que maus médicos sempre surgirão dentre os bons. E isso está em todas as profissões.

A matéria diz: "O Cremesp está lançando uma campanha, por meio de uma petição online, que tem como objetivo o exame obrigatório para médicos."
Assim, como o provão da OAB que licencia advogados a exercerem a profissão. Resolverá? Não se sabe, afinal existem péssimos advogados por aí.

Eu conheci uma enfermeira que medrava diante de um quadro de parada cardiorrespiratória. Sempre que um paciente apresentava sinais e sintomas de infarto ela pedia para a colega tomar-lhe a vez. Ter uma vida suspensa por um fio em mãos não é para qualquer um. Mas médicos e enfermeiros estudam e são treinados para salvar vidas? Sim, mas ninguém é infalível, ninguém é 100% aço, ninguém é Deus. A moça se dava bem em outros procedimentos que exigiam técnica, destreza, competência.
Também, não sejamos tão radicais. A gente não consegue armazenar tantas informações na cabeça. Somos inábeis em muitas coisas. Ninguém sabe tudo de tudo e nem nasceu para ser expert em tudo de tudo.

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