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Crônica
 
Em que se plantando tudo dá...
Por: Marlene A. Torrigo

Em um governo de ricos para ricos o abismo entre classes só aumenta; ricos se tornam milionários, pobres remediados retornam à pobreza e pobres sonhadores abraçam à miséria. Recessão, desemprego, colapso em todos os ministérios, perdão de dívidas de empresários, municípios e estados, aumento extraordinário de tributos e reformas que apenas favorecem o empregador, toda somatória contribuiu para o aumento da miséria, fazendo triplicar o número de pessoas em situação de rua. Eles são tantos... Estão por toda parte. Espremem-se nas grandes e pequenas cidades buscando refúgio.

Nas minhas férias de janeiro último, hospedei-me em São Paulo – distante apenas 20 quilometros da minha cidade – e pude constatar o triste índice em alta da pobreza. Em um desses dias, iniciando um percurso a partir do Metrô Armênia, percebi que a Praça Armênia se transformou num reduto de renegados. O cheiro de urina e excrementos humanos, endossado pelo cheiro de maconha, causou-me náuseas. Seguindo das imediações da Pinacoteca do Estado ao Parque da Luz, a situação não melhorou. Na Estação da Luz, em reforma desde o incêndio que destruiu o Museu da Língua Portuguesa, em 2015, a síndrome da miséria está por toda parte. Na marquise da estação os mendigos refugiavam-se da chuva. Dependentes químicos, doentes mentais, famílias imigrantes, desocupados por livre vontade e pessoas que foram lançadas à condição de degradação humana com a redução de programas sociais, pareciam mortos-vivos. A população masculina dominava sobre a feminina, claro. A maioria das mulheres não sobrevive ao feminicídio no submundo.

Por ali, ao lado da Praça Princesa Isabel, há um Centro de Referência especializado em população de rua, cujo objetivo é reintegrá-la à cidadania e estimulá-la a seguir contra a maré da pobreza extrema. Aliás, louve-se que a triste odisseia dos moradores de rua é aplacada graças aos mutirões de refeições realizados por anjos anônimos que tentam minimizar tanto sofrimento.

Seguindo pela Avenida Duque de Caxias, sentido Avenida Rio Branco, notava-se que o número de indigentes ganhava proporções alarmantes. Senti sede. Eu, ali ao passeio da maior metrópole brasileira, pretendi tomar uma laranjada em alguma lanchonete, porém o cheiro nauseabundo não me motivou a fazê-lo. Aliás, nas calçadas do comércio havia resquícios de urina e fezes por toda parte - e aquele cheiro horrível.

Avenida Paulista, nunca a vi tão repleta de seres alienígenas. Percorria-a por uns bons dez quilômetros e os pude “filmar” carregando os seus andrajos, pedindo esmolas e comida em bares e restaurantes. Com a chuva fina que caia, o vão do Museu de Arte de São Paulo (MASP) estava atulhado de moradores de rua. Os transeuntes seguiam apressados, indiferentes, afinal, se se deixar a vida parar... E a tão badalada Rua Augusta nada ficava a dever à Avenida Paulista no quesito indigência.

Há quem exclame, “São vagabundos! Que levantem às cinco da manhã todos os dias e enfrentem a selva de pedra como nós!” Não, não são vagabundos. Nem todos possuem capacidade psíquica e/ou neurológica e espiritual para enfrentar os mares revoltos da vida. Nem todos possuem capacidade intelectual para enfrentar um mundo altamente competitivo. Há os que optam por assim viver? Mas levados pelo quê? Por uma mente absolutamente inteligente, lúcida, brilhante?

Por tudo que eu vi, senti compaixão, horror e medo. Sim, medo! Quem garante que o Brasil esteja a salvo de ser transformado numa Venezuela, que produziu um êxodo migratório no norte brasileiro que dura há cinco anos, devido a gravíssima crise econômica, social e política que assola o país, obrigando cidadãos venezuelanos dominados pela fome e desespero a buscar refúgio na terra em que se plantando tudo dá?
Sim, em que se plantando tudo dá... Destarte, sigamos às urnas!


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