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João Victor Vasconcelos de Matos
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Segredos
Por: João Victor Vasconcelos de Matos

Era uma fria noite de quinta-feira, 12 de agosto. A lua brilhava intensamente, embelezando ainda mais a sombria escuridão que pairava entre as nuvens. Ricardo acabara de chegar em casa e esperava, no limite de sua paciência, sua esposa Sophia que ainda não tinha chegado nem dava notícias. Quase entrando na manhã do dia seguinte, eis que a porta se abre ruidosamente, revelando por detrás um rosto feminino marcado pelo cansaço.

-Onde estava? Achas que pode curtir a noite sozinha, sem me avisar, sem me dar satisfação? - questionou o desconfiado Ricardo.
-Ora, segundo as minhas convicções, apesar de sermos casados não sou sua propriedade e tu não tens o direito de controlar minha vida, o que eu faço e com quem faço. Sei me cuidar muito bem... - argumentou a firme Sophia.
-Pois bem, saiba que tuas convicções estão erradas, e você deve sim informar-me tudo o que se passa. Onde já se viu uma mulher casada raparigando por entre a noite...
-Olha, você me respeite, jamais repita essas palavras novamente! Eu tenho o direito de fazer o que bem entender e não lhe devo pedir permissão para isso. Já estou cansada. Se não concorda, aproveite que a porta está aberta! - exclamou a agora brava, Sophia.
-Eu vou, e não me espere voltar! - e assim saiu batendo a porta, Ricardo.

Mas logo ele voltou. Apesar de tudo, não conseguia ficar longe daquela que menina linda a qual se apaixonara no passado. Chegando em casa assustou-se, não com algo que viu, mas sim pelo que não viu. Sophia não estava em casa. Procurou por entre os cômodos, porém nada encontrou. Achou que ela havia ido para a casa de colegas, e esperou o amanhecer. Nenhuma novidade.

***

Mesmo tendo sido forte, Sophia chorou. Amava aquele homem e não conseguia ver-se longe dele. Enquanto afogava suas mágoas, ouviu um barulho. De repente, escuro. Faltara energia. Lembrou-se de velas na cozinha e foi atrás. No meio do caminho, seu olhar voltou-se ligeiramente para atrás, onde jurou ter visto algo. Apesar do susto, chegou na cozinha. Pegou o fósforo, a vela e, ao riscar o palito, o fogo reluzente brilhou por entre as trevas da casa. Voltou para sala. Entretanto, mais uma vez um vulto foi percebido. Assustada, virou-se. Mais uma vez, desta vez a sua frente algo se movia. Ao perceber, ameaçou gritar. Quando o ia fazer algo segurou-a bem forte, tapando sua boca, apertando seus lábios. Um vento apagou a chama que ainda clareava a tensa situação. Escuro total.

***

Ricardo acordou desesperado. Quanto mais o tempo passava, mais uma dor apertava seu peito. Angústia. Tristeza. Arrependimento. Pegou o celular, ligou, passou mensagens, fez postagens. Nada. Ninguém tinha visto ou sabia onde Sophia estava. Quando estava pronto para sair, buscar por conta própria sua amada, o telefone tocou.

-Ela está viva. Por enquanto. Seja rápido, duas e meia da tarde no boteco da praça. Estarei de azul. Cinquenta mil reais. Sem negociação.

Aflito, Ricardo não sabia o que fazer. Não tinha esse dinheiro, não sabia quem era, não sabia como Sophia estava. A única coisa que lhe restara eram amigos. Um amigo. Policial Marcos. Ligou para ele.

-Exatamente. Quando cheguei, ela não estava mais. Brigamos, sim, nada diferente do que já tinha acontecido antes. Não sei o que fazer, não tenho esse dinheiro. Eu quero minha esposa de volta! – exclamou Ricardo.
-Calma. Isso é o que você mais precisa neste momento. Chamarei dois dos meus homens, iremos disfarçados. Nós encontramos na praça. Sem desespero. Sem dinheiro. - combinou Marcos.

Conforme o combinado, lá estava Ricardo duas horas da tarde no local acertado. Procurou em todos os lugares próximos, nada. Nenhuma evidência de Sophia, nem daquela voz que te ligara, apesar de não saber quem era. Não aguentou esperar, entrou no boteco. Poucas pessoas estavam ali. Nenhuma vestia azul. Encontrou sentado à mesa seu antigo amigo, James, que veio ao seu encontro.

-Ricardo, quanto tempo meu amigo. O que o trazes aqui? – puxou assunto James.

Enquanto contava toda a história, percebeu que entrava no bar um homem de pouca idade, barbudo, com óculos escuros, cabelo curto. Ele vestia azul. Ricardo logo se deu conta que poderia ser ele. Como uma sincronia perfeita, no mesmo momento, na outra porta entrou Marcos, disfarçado e com dois homens. Cumprimentaram-se de longe. Quanto mais conversava com seu amigo James, mais estava certo de que aquele cara que acabara de entrar era ele. James concordava.

Em certo momento de impaciência, ao ver que nada acontecia, tomou a decisão de ir afrontar o seu suspeito, partindo pra cima junto com o policial. Sem demora, questionou sobre Sophia e sobre o que aquele rapaz tinha feito com ela. Tamanha frieza do sujeito fez Ricardo agredi-lo com um duro golpe na lateral esquerda de seu rosto. Uma confusão estava formada. Socos, pontapés, garrafas e copos atingiram o rapaz de camisa azul que, ainda assim, negava veementemente toda acusação que lhe faziam. De tanto apanhar, apagou. Estava desmaiado. Ricardo, aos prantos, desesperava-se mais a cada minuto sem notícia alguma. Olhou ao redor sentiu falta de alguém. James havia sumido.

Ao ser questionado o dono do bar disse-lhe que James falava ao telefone quando sumiu ao entardecer do dia. Não sabia ao certo, mas tinha o ouvido mencionar a respeito de um dinheiro que alguém não tinha levado. Ricardo entendeu tudo. Quem havia sumido com Sophia fora ele, seu então amigo James, que já havia lhe confessado uma profunda admiração por sua esposa.

Ricardo então correu incrivelmente rápido, seguindo os passos do traidor. Ao perguntar às pessoas na rua, adentrou uma floresta que circundava a cidade. Correndo por entre as árvores, sem destino algum, Ricardo chorava muito. Era raiva, dor, saudade e revolta. De repente avistou algo no chão alguns metros a sua direita. Parecia um homem, ou talvez uma mulher. Sophia! Pensou. Não era ela. James era quem estava ali deitado.

Desacordado, tinha uma grande marca de um golpe fatal em sua cabeça. Estava morto. Aterrorizado, olhou ao redor e viu algo que serviu como uma grande dose de um dos mais poderosos tranquilizantes do mundo. Era Sophia. A mulher da sua vida estava a alguns metros de distância, chorando, segurando uma foice.

-Acabou! Agora tudo acabou! - exclamou.
Em um abraço que parecia interminável, Ricardo sussurrou:
-Acabou! Perdoe-me! EU TE AMO!

*Texto escrito baseado em roteiro produzido pelo mesmo autor para o curta: "Segredos da Taverna" ( https://www.youtube.com/watch?v=H3tbZ_RS04U )

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