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Celso Corrêa de Freitas
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O PROTEGIDO
Por: Celso Corrêa de Freitas

Gregório não conseguia dormir. Aquela estava sendo uma noite terrivel. Outras noites numa escala menor de pensamento também tinha lhe tirado o sono, mas dessa vez ele não estava bem.
Sua mente era um turburinho de ponderamentos sobre os ultimos acontecimentos.
Por imperativo da sua condição de segurança pessoal, o seu instinto de proteção sempre atento lhe causava vez ou outra dores de cabeça, mas nada preocupante como as dores dessa noite, que ainda estava na sua metade.
Gregório era responsável pela segurança do homem mais controverso do País, e no contexto das suas obrigações, aquele homem era seu Protegido, porém! A proximidade lhe impos um sentimento de amizade por aquela carismática figura.
Seu Protegido estava a um passo de ser preso pela justiça, e essa possibilidade era angustiante para ambos.
Essa prisão ainda não tinha acontecido pelo poder de articulação do seu Protegido junto aos seus julgadores. A sobrevida que esses davam a ele lhe permitia avançar mais uma passo rumo ao que ele julgava ser a sua salvação, voltar a ser Presidente do Brasil.
E esse conhecedor dos subterrâneos do poder não podia perder tempo.
Por isso estavam todos naquela caravana pelo País, começada pelo Rio Grande do Sul.
Por essa razão agora estavam ali na cidade de Macieira, pernoitando.
A caravana estava num momento dificil, pois sua passagem por diversas cidades resultaram em muitos protestos dos moradores locais quanto a presença ali do seu Protegido.
O objetivo da caravana estava prejudicado, e o que era para ser uma viagem tranquila se transforma num insano trabalho para desviar-se dos bloqueios e chegar nos centros urbanos das cidades e ali ser recebido por chuva de ovos, tomates, pedras…e estrume.
Assim que chegaram em Macieira, uma reunião do comando da caravana foi realizada…
Nós precisamos fazer alguma coisa para deter essas manifestações contra a gente, que estão ganhando corpo a cada dia, e ocupando espaço demais na mídia…Esbravejou o Protegido.
Mas é só no Face e algumas redes Presidente…A grande mídia e a nossa mídia estão conseguindo denunciar as ações desses fascistas…
Não é bem assim não, eu sinto que isso vai crescer, imagina quando chegar na Bahia…Vão jogar coco na gente! E no Rio, granadas?
Tenha calma Presidente, vamos dar um jeito…
O comando da caravana sabia que precisavam gerar algo que provocasse uma comoção nacional a favor do protegido…
Eu sei como fazer isso…Disse um militante, balançando entre os seus dedos um miguelito.
Primeiro preciso que vocês dispensem a escolta que está sendo feita pelo Estado.
No dia seguinte e de novo na estrada, mas dessa vez sem escolta, o ônibus parou num ponto ermo do trajeto, escolhido aleatóriamente por parecer bem apropriado. O militante desceu, caminhou em linha reta na frente do ônibus e no sentido das rodas. Deixou o miguelito no chão, retornou ao ônibus, entrou, e o ônibus rodou.
Mais a frente pararam de novo, e constataram que o miguelito tinha de fato furado um dos pneu do ônibus.
Agora era colocar em prática a parte final da ideia.
A noticia de que a comitiva do Protegido havia sofrido um atentado varreu o País. A informação era de que tiros haviam sido disparados contra a caravana e atingido um dos ônibus.
A reação foi imediata e o atentado de cara atribuido aos inimigos do protegido.
A grande imprensa saiu do imobilismo informativo, e estampou em suas primeiras páginas o atentado, e até quem até então estava em silêncio absoluto levou o assunto para o horário nobre so seu jornalismo.
Mas a estrada continuava ruim, pois ao tornar-se público, os especialistas oficias e não oficiais começaram a opinar sobre o acontecido, oficialmente e não oficialmente. As diferenças de tiros feitos em veiculos em movimentos ou parados foram ressaltadas e a conclusão entre todos foi que os tiros foram dados com o ônibus parado e com o atirador muito próximo do veiculo. A teoria do vitimismo se multiplicou e as redes sociais se encarregaram de sepultar o conceito de atentado, tratando-o sim como um auto-atentado.
Pela primeira vez, quando do desembarque em Abacaxisal, Gregório via depois da contrária repercussão nacional e do consenso que o atentado fora um fogo amigo, o seu protegido e amigo se sentindo acuado. Existia naquele rosto algo novo, o medo.
Gregório o seguiu carregando sua mala e bagagem de mão rumo ao quarto onde ele passaria aquela noite. Chegando a porta do quarto, antes de entrar ele lhe disse:
Acho que agora me lasquei de vez companheiro Gregório…
Que isso Presidente, o senhor é maior que tudo isso…
Ele entrou, e Gregório ficou ali no corredor diante da porta do seu Protegido por alguns segundos.
Gregório tinha em si a certeza de que aquele homem, cuja caminhada de vida sempre navegou entre o certo e o errado, o justo e o injusto, o bem feito e o mal feito, estava agora com sua história indo para a lata do lixo, tornando mais forte o sentimento daqueles que o consideravam tão somente um ladrão e pilar da corrupção brasileira.
O dia amanheceu, e o sol invadiu o quarto de Gregório que levantou-se , arrumou-se, e desceu ao hall, para retomar suas funções de chefe de segurança da caravana.
Mas, não tomou café…
Ficou parado de pé, na varanda do Hotel, olhando para o descampado a sua frente, onde estavam estacionados os ônibus, carros e motos da comitiva.
Passava das 9 horas quando o Protegido chegou ao refeitório, acompanhado da equipe de filmagens, que registrava todos os movimentos dele, cada aceno dado, cada abraço, cada sorriso…
Pessoal, hoje vamos parar as filmagens um pouco por alguns instantes para a gente poder tomar um bom café, pois o dia hoje promete…
É isso ai Presidente…
Todos os equipamentos da produção, bolsas e outros materiais foram deixados sobre uma mesa colocada estratégicamente próxima a mesa do café, onde estava o Protegido aguardando sua equipe para o desejum.
O Protegido preparou o seu café, que tinha num prato próximo de si, uma fatia de presunto e um pão de queijo.
Ele levava a caneca a boca, quando Gregório aproximou-se.
O que foi companheiro Gregório…
Presidente, eu preciso salvar a sua história!
Gregório sacou sua pistola e a queima roupa, disparou duas vezes contra o corpo do seu protegido. O primeiro tiro foi no coração, e o segundo na cabeça…
O corpo do Protegido foi impulsionado para trás, desabando ao chão de forma estrondosa.
O pânico foi geral, e todos procuraram se abrigar…Não era momento de querer entender o que acontecia, era hora de se proteger de novos tiros…
Um silêncio dominava o local. Aos poucos as pessoas foram se levantando. Assustadas, não sabiam o que fazer diante de Gregório e do corpo do Protegido…
Gregório não esperou que alguém lhe fizesse qualquer pergunta. Disse com a voz embargada, mas audível a todos.
A história do meu Presidente vive.
Em seguida, levantando sua mão, colocou a arma apontada para a sua fronte, e disparou.
Seu corpo desabou inerte sobre o defunto que não precisaria mais a partir de então, da Proteção de ninguém.

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