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NÉLIO CARDOSO DE MEDEIROS
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A embaixatriz visita a favela
Por: NÉLIO CARDOSO DE MEDEIROS

¬¬ A embaixatriz visita a favela





O dia ensolarado e um calor de 39º C à sombra não impedia a festa no Outeiro das Donzelas. Uma banda musical civil amadora tocava dobrados e marchas carnavalescas. A embaixatriz da França iria subir colinas e visitar favelas, montes, montanhas e conhecer o teleférico localizado entre cachoeiras altíssimas. O Senador Cágado e o deputado federal Dr. Jaguanem trariam sua imensa comitiva em helicópteros comprado com o dinheiro do “zé povinho”. A embaixatriz da França! Dona Lamecha preparava galantine de peixe para os visitantes. O marido mais contente do que pescador de lambaris, exultava: - Meu sonho, cumprimentar a embaixatriz! Depois dessa, posso ir feliz para o céu dos peixes! A mulher preocupada: - Você nem sabe falar francês, e fica só falando em conhecer a França. Isso é só para professoras, Izadora nossa amiga de eras jurássicas e também professora de Língua Francesa visitou Bourges a convite do embaixador porque fala bem o idioma francês e leciona para crianças carentes. O marido irritado: - Ela fala a Língua Francesa? Tem certeza? Será que sabe o que é pegnoir? A mulher colocou as mãos na cintura: - Animal! Ela até assistiu a avant-première do filme “A raposa do rabo de veludo” aqui no Cine Theatro Esperança. O marido ainda descrente: - Já conversei com ela na Esquina dos Pecadores, não citou nada em francês. Ela te disse o nome do ator principal?
- Claro, azêmola! Um tal de Jean Gabin.
- Mentirosa ela é. O ator foi o Alain Delon.
- Assistiu também “O passageiro da chuva”, sem legendas e falado em francês.
- E quem era o ator, ela te disse?
- Charles.
- Bronson?
- Sim.
- Mas o sujeito é americano, e aqui na favela não entra filme francês.
- Só na favela?
- Izadora te contou mais alguma coisa? O que ela viu lá na França?
- Visitou Châtedoroux? Granville? Biarritz conheceu o Golfo de Gasconha? O de Biscaia? Navegou no canal? Foi em Dunkirk?
- Foi em Bourges, e me trouxe um bouquet de rosas.
- Ainda bem que são francesas, vamos ofertá-las para a embaixatriz.
- Tá doido, homem? Ela recebe milhões de ramalhetes das madames lá da capital e são tantos presentes que nem mais cabem no Chateau de Legrand lá nas Montanhas do Pinto da Serra.
- A embaixatriz tem um chalet naquele bairro distante e abandonado?
- Nem tanto esquecido, políticos não saem mais de lá, tem tantos eleitores quanto mosquitos que causam a febre verde.
- E Izadora, será que vai aparecer para falar com os franceses?
- Não sei. Não tenho bola de cristal nem de vidro.
- Te contou mais algum filme lá da velha Gália?
- “O Ferroviário” com Brigitte e Gabin.
- Esse filme é tão antigo quanto a queda da pastilha.
- Animal irracional! Em favelas não são exibidos filmes franceses, só americanos, preciso repetir, ó azêmola?
- Detesto-os, detesto-os! O mundo todo tem que falar o idioma francês, chega de língua inglesa.
-To be or not to be, the question, my husband!
Oxímoro ia “partir pras ingnorâncias” quando bateram à porta do seu barraco. Atendeu. Quase caiu ajoelhado quando viu Izadora. O monumental espécime feminino usava um vestido-saco e os pequenos seios quase apareciam sob a roupa, mostrando uma trasparência digna de ser pintada por Renoir.
Engasgando, as palavras não saíam, quando Dona Lamecha Marie Claire interveio:- Entre, entre logo Izadora, meu marido vai degustá-la tanto com os olhos que irá procurar um oculista ainda hoje. A donzela perguntou:- Dona Lamecha onde está o Belmondo?
- Foi lá pro campo do Bengalinha Futibol Clúbi esperar a comitiva da embaixatriz.
- E Brigitinha?
- Saiu com o Jean, e foram lá pro Motel das Donzelas Desiludidas.
- E a senhora deixou?
Oxínomoro recuperou a voz e pigarreou:
- Deixamos, ela já ficou desiludida.
- Izadora, o Oxímoro não acredita que você ganhou o prêmio Ninfeta Perdida e ainda viajou pra França.
- Quem inventou essa história foi o Maurice. Ele inventa contos sobre minhocas dizendo que serão atrizes de tele-lágrimas.
- Não foi o Michel? Ele é tão apaixonado pelas francesas.
- Michel? Coitado! – Então foi o Maurice? - Quando? Onde? - Lá na Associação das Cunhatãs, “seu” Oxímoro. Dona Lamecha sorriu: - Então foi o Maurice!
Izadora ajeitou a calcinha vermelha: - Ele quis agradar ao pai. Defende o “doutor” Oxímoro até no subsolo poluído.
- Garoto esperto. Sabe que sonho com as francesas, ouço músicas de, Bizet, Massenet, Gounod, Debussy, Massenet, Saint-Säens, Lully e muitos outros. - Nunca ouvir falar nesses sujeitos, “seu” Oxímoro. - Talvez nem ouça tão cedo, aqui no Outeiro das Donzelas só assistimos filmes americanos. Só tem música deles nas rádios. Não agüento mais, vou fundar uma associação só para temas franceses. Será a “Associação França das Colinas para os Favelados Carentes de Culturas Galicianas”. Fogos começaram a espocar violentamente, e Oxímoro começou a gritar: - Corram, os aviões estão lançando bombas, protejam-se, vamos para o abrigo antiaéreo, atacam a embaixatriz e sua comitiva, vai começar uma nova guerra! Mandem a banda tocar a Marselhesa. Crianças e mulheres primeiro. Onde deixei minha garrucha? Vamos salvar os franceses! A embaixatriz corre perigo de morte. Vive La France! Antes de morrer quero ler o menu e ver se tem galantine de peixe, minha mãe, minha mãezinha, não vou assistir a avant-première do filme “Franceses na Favela”, onde estão vocês? Fujam, fujam lá pro alto da montanha. Peguem as armas, levem o nosso computador e os devedês com meus filmes franceses, tragam comida enlatada e água, ficaremos sitiados vários dias, e salvaremos a vida dos nossos visitantes........ na França o processo histórico de construção do Estado Moderno ao século X, quando Felipe II subiu ao poder...... com a guerra dos Cem Anos que reduziu sensivelmente o poder político e econômico dos senhores feudais......................... Uma escultural professora de História, torneadíssima, usando um biquíni tipo “fio-dental”, acordou-me aqui na Associação das Cunhatãs. Há três dias sem dormir, tentava eliminar um “vírus” no computador da mulherada, e ao tocar num chípi, apareceu no monitor um filme sobre tiroteios em favelas, misturando replika klockor rolex a imagem com aulas de História. Quero saber de guerra? Quero paz, até paz em cartão de crédito. Infelizmente ainda não sei nada da língua francesa. Será que Charles Degô se escreve assim? E Chiráqui? Ajurduí? Cuidado a guilhotina pode voltar, ouvi numa voz interior...
- Por favor, garçon...
- Oui, monsieur.
- Arranje-me uma soubrette, uma garçonete, um Duvalier.
- Vai viajar pra França? - Talvez em outra encarnação, por enquanto será um tête-a- tête lá no Bairro do Chalet... au clair de lune... Mande tocar “Les amantes de Venice” com Edith Piaf num disco de vinil...au revoir...Mas a música que não sai da minha cabeça é “Tem francesinha no salão”...e fico ansioso para o carnaval chegar e pular o “can-can”. Acordei com um lagarto lambendo meus pés e uma cobra dormindo ao meu lado. Roncava tão alto que me acordou sem nenhuma consideração para com o meu descanso obrigatório pela Previdência Anti-social.

À bientot!




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