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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Jornada, direitos e salário
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Como desenvolver aumentando a desigualdade?


No último dia 13 de maio foi lembrado que a Lei Áurea, a que aboliu a escravidão no Brasil, completou 130 anos. No dia 1º deste mesmo mês, a comemoração foi pelo Dia do Trabalhador. Quais pontos positivos os que trabalham em alguma atividade tiveram para comemorar como avanço social? Se as informações da mídia estão corretas, o trabalho sob regime de escravidão ainda pode ser encontrado facilmente por aqui. Basta procurar nas fazendas do interior ou na atividade de confecção na cidade de São Paulo, onde os bolivianos são explorados sem dó.
Quanto ao trabalho formal, aquele com carteira assinada, um bem que será extinto se depender dos empresários nacionais, o trabalhador desconfia que os direitos conquistados serão perdidos em nome do lucro. E pensar que a jornada excessiva e as condições insalubres, registradas na época da 1ª Revolução Industrial, eram coisas de museu. A especialização do operário, que depende muito da sua formação escolar, exige recursos cada vez menos oferecidos pelas empresas. Como obter qualificação estando desempregado ou ganhando menos?
A internet divulga vídeos preocupantes sobre o futuro do trabalho. Montadoras de automóveis onde a maioria das tarefas é realizada por robôs, a realidade da Inteligência Artificial através da automação industrial. Isso se estende para qualquer atividade que utiliza o processo de fabricação em série. Nas outras profissões, algumas fadadas à extinção, segundo os estudiosos do assunto, o horizonte não é mais animador. Fala-se que um esclarecimento legal, certos diagnósticos médicos e até algumas cirurgias, podem dispensar a presença humana.
Sabe-se que o Brasil, apesar de muitos avanços tecnológicos, ainda é considerado subdesenvolvido quando se fala em tecnologia de ponta. Enquanto o nosso agronegócio é equiparado aos maiores centros produtivos do mundo, a indústria de bens duráveis e a logística para escoar os produtos deixam muito a desejar – é a nossa deficiência na estrutura física. Como superar o tal custo Brasil apenas reduzindo salários e direitos trabalhistas? Isso até influencia na nossa competitividade, mas não é o único motivo. Como o capital intelectual é tratado por aqui?
Enquanto os países desenvolvidos estão voltados para a industrialização 4.0, a chamada 4ª Revolução Industrial, o Brasil voltou com os seus empregados para os ambientes insalubres e reduziu os seus salários. As fases anteriores da Revolução, a introdução da máquina à vapor, a linha de produção em série e a automação, já são coisas do passado. Por que se orgulhar tanto de montar núcleos têxteis artesanais, em lugares que jamais se emanciparão financeiramente através disso? Isso é mentalidade progressista? Ou é somente por causa da alta margem de lucro?
Diz-se que o motivo do atraso do nosso país é por causa da grande interferência do governo nas atividades privadas. À parte isso ser totalmente verdade, por que toda grande empresa privada exige muitos benefícios fiscais, tributários e toda infraestrutura física para se instalar em determinado local? Qual a contrapartida oferecida pelas empresas? Somente os empregos? E se a atividade for a exploração de um recurso finito? O que se vê no Brasil é que a maioria dos empresários jamais coloca a mão no bolso para investir – tudo depende do governo.
Infelizmente as previsões otimistas que o avanço tecnológico proporcionaria mais tempo livre para as pessoas desfrutarem de uma boa qualidade de vida não aconteceu. Jornadas cada vez maiores, competição extremamente acirrada, obsolescência profissional em alta velocidade... estresse 24 horas por dia. E se dê feliz aquele que se encontra nessa situação porque a fila de desempregados, apesar da promessa da Ponte para o Futuro, aumenta a cada pesquisa divulgada pelos órgãos responsáveis por esse controle. Ah, o salário também está em queda livre!


J R Ichihara
15/05/2018

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