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Crônica
 
CIVISMO
Por: Tolentino e Silva

Lembro-me muito bem quando cheguei à Brasília, em 1962 e fui levado à pequena escola que funcionava no acampamento da Cia Construtora Nacional, localizada na Vila Planalto pouco abaixo do Palácio do Planalto, para que fosse matriculado. Era tudo muito estranho para um adolescente que deixou a pequena cidade de Virginópolis, com apenas três mil habitantes à época. Na futura capital da República, morávamos em alojamentos construídos a partir da madeira oriunda do Paraná, que era também utilizada para fins diversos, nas centenas de construções espalhadas naquele planalto. Vivíamos como uma sociedade humana rudimentarmente organizada, improvisada, com o objetivo único de construir a Capital Federal. Proletários chegavam, diuturnamente, através dos famosos paus-de-arara, oriundos principalmente da região Nordeste do país. Com o advento do Golpe Militar instaurado dia 21 de abril de 1964, destituíram do cargo o presidente João Goulart (Jango) e as coisas mudaram muito, principalmente na educação. Em cumprimento à Lei 869/68 tornaram-se obrigatórias no currículo escolar, a partir de 1969, as disciplinas: Organização Social e Política Brasileira (OSPB) e Educação Moral e Cívica (EMC), substituindo as matérias filosofia e sociologia, principalmente porque ambas estudam o comportamento humano. A OSPB e EMC foram extintas em 1969.
Os principais objetivos eram controlar a atuação política dos estudantes e formar cidadãos com perfis de acordo com o regime. Uma segunda intenção era que os professores mostrassem para os alunos a importância da Pátria e a sua dedicação a ela. No pátio havia três mastros, onde eram hasteadas as bandeiras do Brasil, Brasília, e do Colégio, respectivamente. Antes da entrada nas salas de aula, formávamos filas em frente a esses mastros e solenemente, a exemplo dos militares, em posição de sentido, bradávamos o Hino Nacional, enquanto dois alunos ou alunas hasteavam, com cadência, a Bandeira Nacional. A execução do hino era sincronizada com o hasteamento. Ambos tinham que encerrar ao mesmo tempo. Os livros de Olavo Bilac e Coelho Netto foram instrumentos de grande valia para a implantação das disciplinas, com uma seqüência de livros intitulados “Contos Pátrios”, principalmente para crianças, na disciplina Moral e Cívica, como: Pátria Nova, A Civilização, O Recruta, A Defesa, A Pátria Brasileira (para alunos das escolas primárias) e muitos outros. Em nossos dicionários a palavra civismo é sinônimo de patriotismo e diz respeito às atitudes e comportamento de pessoas, na defesa de certos valores e práticas, com deveres essenciais para se viver coletivamente, com o fito de garantir a harmonia e o bem-estar de todos. O civismo é mais que isso, é respeitar os valores de cada um, às instituições, ou seja, os mecanismos que controlam ordeiramente e com justiça, os seguimentos sociais.
Hoje, arraigadas às percepções contrárias a esses costumes, parte da sociedade, principalmente no campo político, enveredou-se por caminhos exclusos, aquém da conformidade das leis, implantando uma cultura de costumes imorais, desumanos, onde o individualismo prevalece ao coletivo, criando uma desordem social, ficando o povo refém de uma administração injusta, cujos resultados são desastrosos: desproporcional distribuição de renda, crescimento assustador do tráfego de drogas, segregação racial, violência, antes apenas urbana, alastrando-se também até as zonas rurais, desemprego, mendicância, sucateamento nas áreas da saúde, educação e segurança pública.

Enquanto os administradores públicos não enxergarem e terem plena consciência de que o país pertence ao povo e não a uma camada da sociedade, não haverá ordem, progresso e justiça social. “Dar a César o que é de Cesar.” (Mateus 22,21 - Evangelhos Sinópticos).


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