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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Mata-mata e a seletividade
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Melhorar através da derrota?


Felizmente, para os que detestam a Copa do Mundo, o suplício está se encaminhando para os finalmente. Agora os países competidores entraram na fase do mata-mata, onde só poderá continuar quem derrotar o adversário. Talvez seguindo a vontade dos críticos ferrenhos dessa paixão mundial, os países mais desenvolvidos estão sendo eliminados. Algumas postagens nas redes sociais citam que a precocemente eliminada Alemanha, a atual campeã, exibe números invejáveis de desenvolvimento humano. Mas... O que isso tem a ver com o futebol apresentado?
Seletividade à parte, como não poderia deixar de ser, conservamos o rótulo de vira-lata em relação aos países do Primeiro Mundo. Engrossando a fila dos estrangeiros que acham o Neymar um simulador, inclusive criticado pelo ex-astro argentino Maradona, parece que é o único que faz isso em campo. Quem assistiu o que o uruguaio Suarez fez no jogo contra Portugal nada viu de simulação? Em qualquer disputa ele levou às mãos à nuca! No jogo da Inglaterra contra a Colômbia, o que houve de simulação dava para distribuir cartões à vontade. Ah, mas o Neymar...
Engraçado como as opiniões revelam um lado curioso das pessoas. Maradona apontou muitos defeitos do Neymar. Mas quem se lembra do jogo em que ele fez um gol de mão, contra a Inglaterra, na Copa de 1986? Para muitos foi um ato de esperteza! Pelo status que alcançou pôde fazer isso e ainda foi elogiado. Ele deu água batizada com sonífero para o lateral Branco, da Seleção Brasileira, na Copa de 1990, facilitando a Argentina vencer o Brasil. Depois ainda citou o caso com ironia. O pior é que muitos não acharam nada disso desonesto ou antiprofissional.
Mas a declaração do técnico da Seleção do México, após a derrota para o Brasil, rasgou as etiquetas do perdedor. Ele disse que Neymar é um péssimo exemplo para as crianças. O motivo foi porque o jogador brasileiro recebeu um pisão, fora do campo, depois de uma disputa com o lateral mexicano. As imagens mostraram que foi de propósito, mas para os que não aceitam as simulações do nosso atacante, tudo não passou de fingimento. Nisso até muitos brasileiros acham que esse comportamento justifica as pancadas que ele leva nos jogos – é indefensável por isso.
Os profissionais que vivem comentando futebol mundo afora sempre dizem que essa atividade é apaixonante porque numa partida tudo pode acontecer. Cantar a vitória somente depois do apito final do árbitro. Também se valer de tradição, peso da camisa e outros fatores pouco decide num jogo de Copa do Mundo. Quem imaginaria que a insignificante Coreia do Sul fosse despachar a poderosa Alemanha, uma tetracampeã? Da mesma forma, como explicar porque o Japão perdeu de 3 a 2, para a Bélgica, após estar vencendo de 2 a 0? Coisas do futebol.
Como toda paixão o futebol também se transforma em ódio quando o resultado não é o esperado. E o que acontece nessas horas? Procurar um culpado pelo fracasso. Note bem que chegar à final e não vencer significa uma tragédia. Cabeças precisam rolar por causa disso. De repente o herói se torna vilão, seja o goleiro que salvou inúmeras bolas que seriam gol. Ou o matador que balançou as redes adversárias várias vezes, mas falhou no momento decisivo. As análises depois do acontecido chegam a inverter muitas opiniões anteriores. Paixão é assim!
Esse nosso espírito de coletividade, de nação com um objetivo único, pouco importando a condição socioeconômica individual, só aparece durante a Copa do Mundo. Por que achar que isso é alienante e serve para encobrir os desmandos praticados pelas autoridades? Será que não podemos tirar lições disso e adaptar para outras manifestações populares? Por que nos países desenvolvidos, onde o futebol também é apreciado, os torcedores não são tratados como pessoas irresponsáveis diante dos problemas? Parece que a seletividade veio para ficar de vez por aqui.


J R Ichihara
03/07/2018

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