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Farsa
 
Voto de silêncio
Por: Vinicius P.

Depois de muito tempo em hiato, finalmente resolvo falar. Por mais irônico que possa parecer, o assunto é o silêncio.

Algo está acontecendo. De uns anos pra cá, venho me enxergando numa posição cada vez mais subalterna, sensível, fraca e despreparada para lidar com situações relativamente corriqueiras da vida comum.

Por algum motivo, seja por não manter uma certa linearidade no pensamento (esse nunca foi o meu forte), na maioria das vezes em que me encontro subjulgado, é no exato momento em que abro a minha boca.

Por que será que eu sinto essa necessidade tremenda de falar? Essa vontade de dizer o que não precisa ser dito, de descarrilhar o fio infinito de ideias redundantes até o ouvinte dizer: chega!

Pois bem; eu, como meu próprio espectador, repito a última palavra do parágrafo anterior. Não quero mais ouvir a minha voz inescrupulosa e trêmula, não quero demonstrar inseguranças e muito menos gastar energia divagando inutilidades até a rouquidão. Por isso, repito: chega. Eu não vou mais falar tanto assim.

O ouvinte pode estar se perguntando se essa não é uma tentativa de autosabotagem, onde eu mascaro a minha inaptidão social com reclusão forçada. Eu serei sincero com você: pode ser. Quem sabe. Não sou absoluto em minhas próprias decisões e julgamentos, mesmo estes sendo relacionados a mim. Mas acho que não.

Frequentemente me vejo empolgado ao verbalizar, jogar palavras no ar, corriqueiramente, tentando construir numa folha de papel gigante repousada ao chão um origami de proporções colossais, improvisado, sem início, sem meio e sem fim. A cabeça termina na pata, a pata na orelha, o cisne no macaco e a zebra na lebre.

Mas não são assim que as vontades se impõem na vida lá fora. É preciso uma navalha, um corte de precisão cirúrgica - seco, simples, sem alvoroço. Um corte cru.

E é com esse corte cru que termino esse texto, direto do início do meio pro fim. Talvez o texto mais calado que você já tenha lido. Talvez o urro mais silencioso que você já tenha interpretado. Que aqui esteja devidamente registrado em alto e bom tom: eu me calei.

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