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Artigo
 
O Vão da Existência
Por: Flávia Yeger

O choro, que sem motivo tenho guardado dentro de mim, está parado na garganta como se eu tivesse engolido uma faca atravessada. Eu sangro por dentro, eu me odeio, eu tenho ânsia. Meu estômago já não é mais o mesmo por tantos dias sem comer, tantos remédios prescritos para sintomas que nem consigo descrever, é tanto trabalho. Minha cabeça dói, meu coração se aperta e pulsa em conjunto com um cérebro hipotético.

“Eles” sugam meu humor, minha pró-atividade, minha confiança. Me sinto enganada, desiludida e, muitas vezes, por mim mesma. É tão pouco de mim pra mim, e quase tudo para “eles”.

Meu organismo começa a sofrer os efeitos. A fadiga me corroe, o vento no rosto me deixa sem ar, minhas pernas caminham sem minha ordem rumo à um lugar qualquer.

O dia termina e sinto que permaneço no mesmo lugar de onde parti pela manhã quando me levantei. Encontro-me em vão. Tudo é vão. Tudo é em vão. E é nesse vão onde ninguém me vê, é desse vão que vejo tudo acontecer lá fora. Algumas pessoas sorriem, mas no meu vão não são felizes. Algumas pessoas possuem dinheiro, mas no meu vão, elas não podem comprar um abraço. Algumas pessoas fazem bem feito, mas no meu vão, não fazem porque querem.

No meu vão a hipocrisia é jogada pro lado de fora, no meu vão existe verdade, existe humanismo, existe esperança, existe “fazer por querer”, existe sonho, existe valores que dinheiro não compra, existe a real preocupação com o próximo, o real ombro amigo, a real atenção merecida e por completo. No meu vão, existe feedback, existe palavras ditas com sentimento e verdade, existe confiança em mim mesma, nos outros inclusive – confiança tão nula lá fora... No meu vão, logo, existo.

A distância entre meu vão e o lado de fora é tão grande quanto um passo. Do lado de fora, há cicatrizes, há doenças, há lanças de mentira por todo lado. Me sinto tão indefesa, tão incapaz... Não vejo a hora do meu dia acabar. Porque quando assim acontecer, poderei voltar pro meu vão, onde fui jogada lá por todos aqueles que fizeram minhas virtudes, meus pensamentos, minha confiança, minhas palavras e muitas outras coisas serem em vão. E assim a vida passa. E de certa forma, fui apenas mais um alguém que passou pela vida “deles” em vão.

Eu simplesmente tenho repugnância pela terceira pessoa! Minha alma está ferida, e o corpo já reflete essa chaga. Às vezes penso que mais fácil seria se eu aceitasse o mundo lá de fora... Mas o preço é caro. Eu teria que deixar de fazer tudo o que um dia foi julgado vão. É como se eu abdicasse do meu cofre de valores que até então foram reprimidos. Seria deixar de ser eu mesma e viver num mundo de mascarados onde a solidão é maior do que meu próprio vão.

Os vãos poderiam não existir. As pessoas poderiam ter valores. Talvez até tenham... Mas as deixam nos seus vãos tão solitários quanto os meus. Elas aceitam a brincadeira das mascaras, da manipulação, do mecânico.

O meu vão apesar de ser formado pelo o que valorizo demais e pelo o que valorizam de menos acabam sendo meu conforto, o motivo da minha existência. A minha fraqueza do mundo de fora é minha força nesse lugar quase que especial, se não pelas circunstancias. Quero apenas que os VALORES JOGADOS NO VÃO por “eles” – aqueles que criaram e construíram o meu vão – SEJAM RESPEITADOS.

Não quero ser tirada deste lugar tão lúdico. Mas meu corpo acorda todos os dias de manhã e me lembra que não estou sozinha, que eu vivo a vida dos outros. Minha alma tem a esperança de tornar meu vão não mais um lugar de refugio, mas um lugar popular, freqüentável, estimado. Cada retorno pra lá tem se tornado mais árduo. No fundo eu não quero voltar pra lá, mas para isso “eles” precisam parar de criá-lo. Apreciem o que guardo no meu vão, e ele não mais existirá!

Flávia F. Yeger
10/12/2008

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