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Geraldo Esteves Sobrinho
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Eternos Aprendizes
Por: Geraldo Esteves Sobrinho

ETERNOS APRENDIZES

Geraldo Esteves Sobrinho



Certa vez um Sábio propôs aos discípulos:
- escrevam em uma folha de papel, sem identificação, o que pensam de mim e onde posso estar deixando a desejar.
Eram três discípulos que opinaram anonimamente. Na primeira folha havia um ponto de interrogação, na segunda, reticência e a terceira, estava em branco.
Após as orações o Sábio falou:
- acredito que a interrogação signifique que não devo deixar de questionar e aprender, principalmente no que tange a conhecer meu universo interior. A reticência me convida à reflexão sobre a continuidade da caminhada, no silêncio da meditação. E a folha em branco representa as páginas do livro de minha existência, onde forçosamente terei de escrever, usando a preciosa faculdade do livre arbítrio.
Neste momento um discípulo solicitou a palavra:
- sabe mestre, agimos assim para testá-lo. Achamos que não se daria ao trabalho de fazer uma análise. Entretanto, aprendemos mais uma lição valiosa; que por mais insignificantes sejam as situações ou coisas que nos cercam, elas podem encerrar ensinamentos sobre nós. Você soube extrair com lucidez e bom senso, mas, sobretudo, com humildade, reflexões profundas acerca de ti mesmo.
O Sábio olhou carinhosamente para eles e concluiu:
- hoje crescemos mais um pouco. Não existem mestres e discípulos e sim eternos aprendizes. Não desejo que me sigam, apenas, anseio que caminhemos lado a lado nesta busca sagrada pela autoiluminação.

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Analisando esta curta, mas, preciosa história fictícia, somos convidados a fazer algumas ilações proveitosas à nossa caminhada espiritual no encontro inevitável com nós mesmos.
Ao pedir que os discípulos escrevessem em uma folha sem identificação, o Sábio procurou deixá-los à vontade para emitir seus pontos de vista. Em seguida, esboça o objetivo da atividade, ou seja, convida os companheiros de caminhada para ajudá-lo a conhecer mais um pouco de si próprio. Tarefa difícil essa, entregar em mãos alheias a responsabilidade de expor observações sobre nossa personalidade sujeitando-nos a avaliações.

Entretanto, ele já atingira certo grau de maturidade espiritual, conquistado sabe lá a duras penas, pela extensa esteira da evolução. Estava preparado para ouvir o que pensavam dele. Provavelmente precisava dessa experiência, mas não era só isso, desejava também, proporcionar aos seus tutelados, rica oportunidade de autocrescimento.

“Conhecer-se a si próprio”, eis o segredo para se atingir o Nirvana. É nesse mergulho mágico e doloroso, necessário e inevitável, individual e intransferível que todos somos convidados pelos sagrados mecanismos da evolução. Quantos de nós já passamos por situação idêntica quando encontramos em nossos caminhos aqueles, que embora não sejam nossos discípulos, são instrumentos da Justiça Divina para alertar-nos sobre facetas negativas de nossa personalidade ou ainda chamar a atenção para onde podemos estar deixando a desejar?
A identificação das arestas que abrigamos em nosso interior, quer sejam detectadas por nós ou por terceiros, exige o cultivo de nobre virtude denominada humildade, sem a qual, todo o processo de reforma ficará comprometido.

Mas afinal, o que é humildade? Segundo o dicionário da língua portuguesa ela é: virtude pela qual reconhecemos nossas limitações, modéstia, pobreza, demonstração de respeito, de submissão, simplicidade.
Observamos que em todas as definições cinco são de natureza subjetiva e apenas uma objetiva. As de ordem subjetiva têm sua raiz na interioridade do indivíduo, por ipso facto são imateriais e a objetiva, ou seja, a pobreza, na exterioridade, portanto, material. Onde pretendo chegar com esse raciocínio? Muito simples. Equivocadamente confunde-se pobreza (até o dicionário também), enquanto condição social e financeira, com humildade. Isso falsamente nos faz concluir que pessoas pobres são humildes e ricas são orgulhosas. Todavia isso também não escapa da relatividade que permeia todas as coisas, pois, existe pobre orgulhoso e rico humilde. Deduzimos com isso que humildade é uma questão de interioridade.

Continuando a interpretação de nossa história, o Sábio se deparou com uma situação inusitada quando lhe foi apresentado três folhas, uma com interrogação, outra com reticência e outra em branco. Para surpresa dos discípulos fez uma análise das respostas, aplicando a si próprio o significado delas.
1) Questionar e aprender
O ponto de interrogação é a ferramenta através da qual o aprendiz investiga, perscruta, indaga e raciocina, objetivando encontrar respostas, solucionar questões duvidosas, construindo o conhecimento por meio do aprendizado acerca de tudo que o rodeia, inclusive, e principalmente, sobre seu universo interior.
2) Caminhar e meditar
Nada melhor para representar a peregrinação do espírito pelos caminhos das existências do que a reticência. Por não se definir o momento de seu termo, esta jornada afigura-se praticamente infinita. Expressa uma continuidade de algo indefinido, não vivido, não experienciado.
E a meditação? Ah, a meditação! Sublime oração mental que precipita seu praticante pelos caminhos difíceis do autoexame. Como almejar o aprimoramento do espírito renunciando a tão fundamental atitude?
O Sábio foi feliz em sua colocação quando disse que é no silêncio da meditação que se reflete sobre a continuidade da caminhada.
3) Escolher e escrever
Eis aí duas ações determinantes na vida do espírito, das quais nenhum de nós consegue abster-se. Sem escolha não existe poder de decisão e sem poder de decisão inexiste liberdade e autonomia para escrever no livro da existência. Cada um escreve a sua história e a cada um será dado segundo o que construir ou destruir, usando seu livre arbítrio.
O Sábio surpreendeu os discípulos e estes a ele. Ocorreu um aprendizado único onde todos foram Mestres e discípulos.

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