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Ensaio
 
“AS DUAS FACES DO ESCRITOR”
Por: Tolentino e Silva

“AS DUAS FACES DO ESCRITOR”
Texto de: Antonia Izanira de Carvalho – Professora, escritora, acadêmica
Interpretado por: Geraldo Tolentino e Silva – escritor, acadêmico
19/ago/2018 – Atualizado 13/Nov/2019

Após ler seu artigo publicado no RD, de 14/08/2018, percebendo a riqueza do conhecimento que tem acerca das personagens e os termos usados para minuciosamente descrever suas peculiaridades por, poucos conhecidas, me senti, não incapaz, mas desconfortável e desprovido do conhecimento necessário para analisar ou fazer críticas alusivas ao mesmo, em virtude da distancia que há entre o professor e o aluno, principalmente no que diz respeito à intelectualidade. Para, pelo menos, me aproximar da perspicácia acumulada na mente de uma pessoa como a autora, seria necessário me isolar no interior da Biblioteca Nacional, “comendo” livros por longos anos. Pelo que percebi, trata-se de uma criatura “casmurrenta”, que tinha ou ainda carrega obstinação pelo conhecimento. Contudo, resolvi desafiar a mim mesmo e tentar, de forma lacônica, sem jactância, descrever o texto conforme entendi, mesmo ciente de que um marinheiro de primeira viagem não pode assumir o leme, pois estará colocando em risco a embarcação e seus tripulantes. Da mesma forma, um “barriga verde”, como se diz no nordeste, não pode operar uma grua. Se o fizer, estará sujeito a causar grandes danos à construção e aos operários. Algumas palavras usadas no texto identificam a qualidade e personalidade da autora. Não se trata do vocábulo usado no cotidiano de qualquer cidadão:
alcunhar (apelidar),
agruras (dissabores)
defenestrar (marginalizar, colocar fim em alguém?)

Trata-se de um texto não literário, pois o mesmo tem objetivo esclarecedor, com linguagem informativa e explicativa, que é útil ao leitor. Com exceção das palavras não comuns, a autora o produziu de forma direta, sem deixar dúvidas, mas com leve intenção de instigar, persuadir o leitor, despertando sua curiosidade em confirmar tais informações (pesquisar).
Izanira descreve os escritores como pessoas que por diversas razões se manifestaram, através das escritas e as tornaram públicas, como forma de contribuir para a apuração dos fatos, para que a justiça seja feita, para a liberdade e igualdade social. Queiram ou não, os escritores são responsáveis pela nossa história. Segundo a autora e isso pode ser comprovado, às vezes o que se escreve, não é o que se pratica. Para ela, reportando Machado de Assis, todos nós somos loucos e a maior dessas loucuras é a de popularizar. Uma frase que me chamou a atenção foi a de que “aquele considerado louco é o que se mostra coerente, mantendo-se longe da hipocrisia, numa sociedade que vive de falsas realidades, fato que faz do ser humano um ente com duas faces, aliás, também defendida por Fernando Pessoa.” É verdade! Muitas vezes, pessoas são criticadas por tomarem decisões adversas às vontades ou interesses de outrem. Percebe-se em seu texto: “As duas faces do escritor”, publicado no DRD, de 14/08/2018, que fez uma minuciosa investigação, uma varredura, nas vidas dos escritores, passando-se por espiã, detetive particular ou caça-prêmios.
Aqui, as vitimas por ela escolhidas, a dedo, para serem desnudadas, foram:

GREGÓRIO DE MATOS – Alfinetou o rapaz, por ele ter chamado, sabe-se lá por que, de preguiçosos, os padres de uma instituição, mesmo depois de ser acolhido, usufruído das dependências e ali estudado. Tem mais: o sujeito vendeu todos os bens da esposa, Maria dos Povos (se era dos povos, não era dele) e gastou todo o dinheiro. Por outro lado, tal qual formiga mijona, o elogiou, dizendo que o mesmo deixou grandes obras, inclusive religiosas, justamente no prato que outrora cuspira.
TOMÁS ANTONIO GONZAGA - A breve descrição que Izanira faz sobre Tomas Antonio Gonzaga, cujo nome arcádico é Dirceu, nos enche de consolo, por sermos informados de que a corrupção no judiciário brasileiro não é de agora. Tomás já “tomava” dinheiro do povo, através das questionadas decisões judiciais. Segundo ela, TAG foi o inconfidente mais corrupto daquela época.
JOSÉ DE ALENCAR - Esse foi notável como escritor, por ter sido o fundador do Romance de Temática Nacional e por ser o patrono da cadeira fundada por Machado de Assis, na Academia Brasileira de Letras. Fora isso, segundo a autora, nas obras de J.A os padres têm sempre os perfis de vilões, mesmo sendo ele filho (espúrio – que se opõe à ética) de sacerdote. Seu pai José Martiniano Pereira de Alencar foi (padre, jornalista e político) na Vila de Nossa Senhora da Conceição em Messejana (distrito e bairro de classe média) de Fortaleza/CE
OLAVO BILAC - Nem imagino a quantidade de curiosos que estão vasculhando a vida de Olavo, após essas informações, prestadas por Izanira no DRD. A necrofilia não é hábito de pessoas normais. Atração por cadáveres? Muito estranho para um intelectual como Bilac! Deixar corpos vivos, quentes, que em qualquer lugar se encontra para manter relações sexuais com cadáveres? Aí não, Bilac! Apesar desses procedimentos e gostos pra lá de anormais, há de se separar o homem do monstro. Um era Olavo, o monstro, o outro era Bilac, o escritor. O significado de Olavo é “herança dos ancestrais”. Imagine se esse povo se proliferasse!
Além da atração inusitada (necrofilia), principalmente naquela época, Olavo Bilac se meteu onde não foi chamado, provocando o suicídio de Raul Pompéia, ao revelar através dos jornais, o seu lado homoafetivo.

RAUL d’ÁVILA POMPÉIA - Foi escritor brasileiro e ficou conhecido entre os maiores romancistas brasileiros, após escrever o romance "O Ateneu”. É a obra mais importante do Realismo no Brasil. Nasceu em Jacuacanga, Angra dos Reis, Estado do Rio de Janeiro, no dia 12 de abril de 1863. Mudou-se com a família para a cidade do Rio de Janeiro, onde foi matriculado como interno no Colégio Abílio, dirigido por Dr. Abílio César Borges, Barão de Macaúbas. Nessa escola, redige e ilustra o jornal "O Archote". Os anos de internato lhe inspiraram, mais tarde, para escrever "O Ateneu". Em 1879 ingressou no Colégio Pedro II onde concluiu os estudos secundários.
CLARICE LISPECTOR - Outra personagem ilustre da história literária, considerada anormal era Lispector, tida como bruxa. Numa única entrevista, concedida à TV Cultura de São Paulo, dia 01/02/1977, mesmo ano do seu falecimento, em resposta a uma pergunta formulada pelo jornalista Julio Verner, respondeu: “bom, agora eu morri, mas vamos ver se eu renasço de novo. Por enquanto eu estou morta. Estou falando do meu túmulo”. Surge aí uma pergunta: Será que foi uma suposta visão do que pudesse acontecer? Avaliemos: ‘O 7 era meu número secreto e cabalístico. Há 7 notas com as quais podem ser compostas todas as músicas que existem e que existirão, e há uma recorrência de adições teosóficas que podem ser somados para revelar uma quantia mágica […] Eu vos afianço que 1978 será o verdadeiro ano cabalístico. Portanto, mandei lustrar os instantes do tempo, rebrilhar as estrelas, lavar a lua com leite, e o sol com ouro líquido. Cada ano que se inicia, começo eu a viver outra vida’. (falandoemliteratura – O segredo de Clarice Lispector – Marcos Deminco).
CECÍLIA MEIRELES- Segundo o site “megacurioso”, Cecília tinha uma relação muito estreita com o Hinduísmo, motivo pelo qual criou o seu próprio sistema poético de representação. Chegou a receber o prêmio Doutor Honoris Causa pela Universidade de Nova Délhi, em 1953. Talvez isso explica o seu lado místico de ser.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - De Drummond, além da invejável trajetória na vida pública, dos seus poemas e seu amor por Itabira, sei que, desolado com a morte da mulher que mais amou, sua amiga e confidente, pediu à cardiologista que lhe receitasse um “infarto fulminante”.
VEJA ALGUNS EXEMPLOS
MACHADO DE ASSIS - Um dos maiores escritores em língua portuguesa, Machado de Assis era constantemente assolado pela tristeza e pela melancolia. A depressão aumentou com a morte da esposa, em 1904. O tema da depressão também é recorrente em sua obra.
VINCENT VAN GOGH - Um dos maiores gênios do movimento pós-impressionista, acometido de depressão, bipolaridade, alucinações, epilepsia e a xantopsia, tirou a própria vida através de suicídio, dois anos após cortar um pedaço da própria orelha direita.
EDVARD MUNCH - Célebre pintor norueguês sofria de depressão e agorafobia, que é o medo de ficar em espaços abertos e com muitas pessoas. Tinha também colapsos nervosos e sofria de alucinações. Supostamente, esses delírios teriam inspirado o pintor a produzir sua obra-prima: “O Grito”, em 1893.
ERNEST HEMINGWAY - Um dos maiores escritores norte-americanos do século passado, teve uma vida conturbada. Escreveu tema acerca do suicídio. Sofria de depressão, perda de memória, diabetes e hipertensão. Morreu da mesma forma que o pai, se matando, inclusive com a mesma pistola usada pelo pai.
LUDWIG VAN BEETHOVEN - Um dos mais lendários compositores da História, Beethoven sofria de depressão e de transtorno bipolar. Ele ia de um extremo enérgico criativo à melancolia profunda, com tendências suicidas. Desenvolveu a surdez. Morreu de cirrose hepática, por ter se tornado alcoólatra.
FRANCISCO GOYA - Aos 46 anos, Goya sofreu de uma misteriosa doença que lhe causava tonturas, dores de cabeça, fraqueza nos braços e problemas de visão e audição. Esses sintomas fizeram o pintor espanhol desenvolver depressão e ter ataques de alucinação e delírio. Também perdeu muito peso. Esses problemas todos refletiram em sua obra, que passou a ser mais escura e sombria.
JOHN FORBES NASH - Matemático famoso estudou a teoria dos jogos, a geometria diferencial e as equações diferenciais parciais. Sua vida serviu de inspiração para o premiado filme “Uma Mente Brilhante”, de 2001. Sofria de esquizofrenia e depressão, além de possuir baixa auto-estima. Passou anos em hospitais psiquiátricos, até abandonar os tratamentos impostos a ele. Faleceu aos 86 anos em um acidente de carro.
SYLVIA PLATH (1932) – Uma das maiores poetisas norte-americanas do século passado, sofreu de depressão durante toda sua vida. Em 1962, ela escreveu “A Redoma de Vidro”, livro em que detalha sua luta contra a doença. Aos 30 anos, cometeu suicídio por não suportar mais viver deprimida. Teve o cuidado de trancar os filhos pequenos no quarto e deixar a janela aberta, já que iria enfiar a cabeça no forno e ligar o gás. Tragicamente, em 2009, seu filho também cometeu suicídio por não suportar a depressão.
Em seu livro “O vendedor de sonhos”, Augusto Cury usa essa expressão: “De gênio e louco, todo mundo tem um pouco”. Isso endossa o que Izanira descreveu de suas personagens, em seu artigo ora comentado.

VOCÁBULO
Agorafobia - transtorno de ansiedade muito comum nos quadros de síndrome do pânico e refere-se ao medo de andar nas ruas, dificuldade de sair sozinho de casa, dificuldade de ir a certos lugares como mercados ou cinema, pois sente forte apreensão difícil de compreender e muitas vezes surgem a necessidade de ter alguém ao lado para lhe dar segurança.
Arcádia – Sociedade literária dos séculos XVII e XVIII que cultivava o classicismo, cujos membros adotavam nomes poéticos simbólicos.
Xantopsia – visão amarelada (ver tudo na cor amarela)
Xenofobia - é um dos fenômenos mais presentes na história e também um dos mais característicos de nossa sociedade. Em uma definição mais geral, pode-se dizer que é uma aversão pelo que é diferente, pelo outro, que geralmente nos assusta com sua alteridade

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