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Walquiria Rocha Machado
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Crônica
 
Soliedariedade
Por: Walquiria Rocha Machado

Aprendi solidariedade com a minha mãe, mesmo sendo muito pobre, ela nos dava uma moedinha todos os domingos para doarmos na missa e nos dizia: quem não pode doar um filé mignhon doe um pedacinho de pão, mas nunca deixe de ajudar...

Lembro dela pedindo para meu irmão recolher as faixas de propagandas eleitorais do bairro, pois antigamente os políticos espalhavam faixas de tecidos pintados com seus partidos e seus nomes pela cidade, depois das eleições ela juntava dezenas delas e lavava tirando toda aquela tinta que eram de má qualidade e uma fervura com sabão que ela mesmo fazia e um pouco de esforço saia quase tudo ficando apenas um pequeno sombreado...

Assim ela cortava todas aquelas faixas de tecido que era de um algodão macio, fazia bainha em volta, e transformava tudo em fraldas das quais ela entregava no posto de saúde do bairro para as mães necessitadas... Ah! quanto eu me lembro daquelas sacolas de fraldas dobradinhas e tão bem feitinhas... lembro dela fazendo casaquinhos para os bebês com retalhos coloridos de sobras das suas costuras, já que ela nos sustentava costurando para fora e fazendo faxinas... Hoje olho para trás e vejo o quanto seu coração era solidário e o quanto ela nos ensinou a ser.

Em uma noite dessas tive um sonho terrível, ou melhor um pesadelo!!! sonhei que me roubaram o carro e me levaram tudo, até minhas roupas me deixando apenas de peças íntimas... me desesperei e bati em várias portas e as pessoas olhavam pela janela e fechavam de imediato sem ouvir nenhuma palavra... andei vários quarteirões onde encontrei um mulher sentada na calçada, pedindo esmolas, e ela me ouviu e me deu uma camiseta suja e furada e uma saia maltrapilha me dizendo que era tudo o que tinha...

Vesti a roupa, agradeci e sai descalça andando com ideia fixa de apenas chegar em casa... Andei por vários quarteirões descalça e com aquela roupa, e fui me deparando com as pessoas que passavam por mim me olhavam com desprezo e nojo ou se desviavam do caminho, e o que mais me incomodava eram os olhares de desdem para os meus pés sujos e descalços...

Caminhei e caminhei... dos meus olhos escorriam lágimas salgadas e amargas de vergonha, e o meu coração sangrava com os olhares enojados das pessoas que passavam por mim... acordei chorando e olhei de imediato para os meus pés, e os vi bem tratados, macios, unhas feitas e então os acariciei e chorei muito mais em lembrar dos pés feridos e descalços que andei em meu sonho e o quanto a maioria das pessoas fazem isso em seus dias... desprezando os seres humanos, sujos e famintos, que vivem nas ruas como bichos as margens da dignidade e da vida...

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