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Walquiria Rocha Machado
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Sonhos de criança...
Por: Walquiria Rocha Machado

As pessoas que me conhecem se indignam às vezes com minhas atitudes. Todos os Natais faço questão de descobrir, no meio de conhecidos ou de funcionários com algum tempo de antecedência, as crianças de periferias vizinhas e o que elas gostariam de ganhar do Papai Noel. E faço disso o meu prazer de Natal: bicicletas, video games, carrinhos de controle remoto, skates, patins, já fizeram a alegria de muitos meninos. Bonecas que falam, andam, dormem, cozinhas completas, carrinhos de bonecas, barbies das mais diversas e seus acessórios já fizeram a alegria de muitas meninas.

Uso a criatividade, as ofertas imperdíveis das lojas e os parentes, os filhos e netos também me socorrem. Por exemplo, minhas netas e sobrinhos quando ganham novos modelos de video game, bicicleta e até computador eles já sabem, o anterior é para as minhas doações. Ninguém acha ruim ou reclama, todos já aprenderam a frase que digo sempre e que aprendi com minha mãe: “É dando que se recebe”.

Mando para revisão, embalo, faço pacotes com grandes laços e assim realizo grandes sonhos... Minhas netas mais novas me trazem sacolas de brinquedos ganhos durante o ano. Os brinquedos estão quase sempre em suas caixas de origem, com muito pouco uso e sem nenhuma ranhura. Já me vi fazendo coisas em Natais que até o Papai Noel duvida. Confesso que às vezes me desiludo muito com os seres humanos. Fico revoltada com a falta de controle de natalidade, com a falta de higiene por parte das mães em suas moradias, e quando vejo a falta de carinho pelos filhos fico muito mais triste e abalada...

Tive uma infância pobre e a forma que minha mãe nos criou foi um exemplo. Morávamos na Vila Nivi, lugar muito pobre na zona norte de São Paulo, e ir para escola era prioridade. À noite antes de dormir, todos nós brincávamos na rua em frente a nossa casa até o escurecer, ao entrar, quando ela chamava já ouvíamos: “Banho!” Era uma grande bacia de alumínio com água morna, no qual iam primeiro as meninas, nos ensaboávamos, e ela nos enxaguava com uma caneca de água limpa e depois os meninos. Ninguém dormia sujo! Era ordem dela. Escovávamos os dentes no quintal com uma canequinha de água, um por um e ninguém saia para brincar antes de fazer a lição de casa.

Ela nunca foi de abraçar e beijar os filhos, talvez por ter sido criada em orfanatos ela não adquiriu este hábito, e também por estar sempre tão exausta de trabalhar e criar os filhos sozinha, nunca houve muito tempo para abraços. Mas havia sempre gestos de carinho e expressão de amor no olhar dela... até as chineladas, mesmo deixando marcas não deixavam rancor. Hoje fico muito indignada quando uma menina sonha em ganhar uma boneca, espera o ano inteiro e ganha no final do ano uma tão feia e pequena que mal cabe nas mãos e ainda sem cabelo! Isso não é justo! Ou um menino que pensa em nunca poder ganhar um vídeo game na vida e de repente ganha um, Isso sim é justo!

A melhor parte é ver que no meio de tanta miséria por onde passo e faço os Natais ainda existem mães protetoras, cuidadosas e com hábitos de higiene. isto me ajuda a sair recompensada dessas minhas aventuras e no ano seguinte começar tudo outra vez...

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