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Artigo
 
Quando o orgulho torna-se maior que a necessidade.
Por: Moisés Dias

Era uma vez, um tempo, um alguém, uma vida, um amor, um lugar, um encontro, um mistério, uma nova chance, um novo caminho.

Fui de encontro ao desconhecido. Lá chegando encontrei boas pessoas, bons lugares, ótimas alternativas. Fiquei ali pensando por um tempo. Decidi. Vou permanecer por alguns instantes aqui. E, comecei a observar as pessoas. Algumas sorriam sozinhas, outras em conjunto, e, não raras, algumas tinham os semblantes pesados. Mas, continuei ali, sentado naquele banco da praça. Vi algumas crianças felizes e outras tristes e carrancudas, com semblantes iguais aos de seus pais. Muitos dos que ali passavam eram requintados, porém vazios. Outros, maltrapilhos porém alegres. Outros bem vestidos, sem conteúdos, sem objetivos. E, a maioria, apenas com roupas e sem vidas. Dentre outros transeuntes um me chamou a atenção. Era um moribundo, com um olhar forte, triste, falava bem, suas vestes rasgadas não pedia nada mas ganhava a atenção e algumas moedas. Aproximei-me dele, cumprimentei, educadamente me cumprimentou de volta. Dei-lhe uns trocados. Agradeceu. Olhei para ele e perguntei... Quem está por trás dessa versão de uma pessoa mascarada? Ele respondeu: alguém que fez tudo certo, porém dá maneira errada. Fiquei sem entender e questionei: como assim? Ele, pediu para sentar na mureta da praça, próximo a ele, e pausadamente me falou.. Nossa, tem certeza que quer me ouvir? Eu respondi, com toda certeza. Ele disse, então vamos tá, vamos lá. Durante anos fui lembrado que uma família se faz com amor, educação e respeito. Meus primeiros anos de vida foram difíceis, pobres, porém cheios de vida. Tive infância, comida, educação. Minha adolescência foi crucial para minha formação intelectual, estudei muito, era sempre um dos primeiros dá classe. Minha família, sempre presente, me levantava, educação, mostrava regras e limites. Amor, compreensão, e assim foi formando a pessoa que eu acreditava ser a ideal. Antes dos 30 me casei, inclusive fui pai aos 29. Depois vieram outros filhos. Aos poucos, fui criando a minha família. Marido, esposa, filhos, dificuldades, educação... Mas, a vida cobra muito de nós. Depois de alguns anos, filhos grandes, adultos, com vidas próprias. Foi surgindo um novo desenho da vida onde os valores do que fizeste iam ficando próximo de zero e o que valia mesmo eram o que os filhos queriam. Sentia-me inútil, incapaz de acompanhar as mudanças que aconteciam. Mas, ainda assim, acreditava em algumas coisas. Continuei na jornada. Já não via meus filhos todos os dias, de repente, semanas. A esposa cobrando mudanças para que os filhos voltassem a ter uma convivência diária. Mas, impossível, os jovens são indomáveis, incontroláveis, insubordináveis. Os dias foram passando. Um dia, minha esposa pediu para eu ir embora, era a única maneira de ter os filhos de volta uma vez que meu modelo de vida não era igual ao deles. Arrumei minha mochila, peguei meus documentos, deixei meu carro, meus talões de cheques assinados, meu último extrato bancário, cartões de créditos, olhei em meus bolsos, R$ 140,00. Puxei uma cadeira, pedi para que ela fizesse o mesmo. Passei tudo o que era meu pra ela. Disse-lhe: Um dia, não muito distante, você vai perceber que seus filhos querem apenas a única coisa que não dou á eles por não saberem usar... Meu dinheiro, aliás, agora seu. Tudo fora isso eles tiveram mas não deram valor. Que Deus possa ajudar vocês. Sejam felizes. Se cuidem. Me levantei, peguei minha mochila, saí caminhando sem destino. Era primavera, as flores estavam lindas e em cada uma ,um motivo para viver. Nem bem passou alguns minutos a saudade já se manifestava. Veio o primeiro choro. As primeiras lembranças. Um desespero para desistir de ir embora. Nessa noite que saí de casa dormi na rodoviária. De mal jeito acordei todo quebrado. Peguei o ônibus para o trabalho. Lá chegando, pedi minhas contas, o patrão me pagou em dinheiro o pouco que tinha à receber. Agradeci. Fui para a praia pensar no que fazer. 3 dias depois voltei. Disposto a não fazer nada a não ser, recomeçar a vida. Escolhi uma cidade 1000 quilômetros distante da vida de onde vivia. Lá chegando, escolhi uma pensão. Me alojei. Estava exausto da viagem. Tomei um banho. Depois uma cerveja. E fui dormir. Acordei 12 horas depois. Tomei outro banho. Tomei um café com pão e me desloquei para a estrada. Decidir não trabalhar para mais ninguém. Mudei de nome, passei a me chamar pelo meu apelido. Sem endereço divulgado. Sem carro. Com o mínimo de dinheiro no bolso. Poucas roupas. Um par de sapatos. Mas com o propósito de provar a mim mesmo que viver é melhor que existir. Decidi a viver durante vários dias fazendo artes em uma praça onde vivo atualmente... Decidi escrever poemas e dedicar ás pessoas. Percebi o quanto é gostoso falar e escrever coisas boas sobre pessoas boas. Muitas pessoas não sabiam como escrever algo para as pessoas que eles amavam. Passei a ser uma interpretação de sentimentos paralisados. O incrível é que ninguém parava para me perguntar sobre mim. Essa questão é muito boa. Afinal eu iria continuar no anonimato. O tempo corria, a vida seguia. Certo dia, resolvi escrever para minha ex... Disse que eu estava bem, estava feliz, estava ajudando pessoas. Me sentia bem. Dias depois, chegou a resposta. Ela estava bem. Trabalhando. Se auto sustentava. Seus filhos, acabaram com todo o dinheiro. A abandonaram. Estão envolvidos com drogas. Na sarjeta. Ela, conheceu alguém e está vivendo com essa pessoa. Estão pensando em mudar para longe, para ter uma vida longe dos filhos que só aparecem para infernizar a sua vida. Disse que errou em culpar a mim pela ausência constantes dos filhos, e, entendeu que tudo o que queriam era gastar o pouco que tínhamos. Mas, infelizmente veio a aprender quando não era mais possível estar comigo. Minha vida já tinha ia a pós dia, alcançado meio século. E, dia a dia, vejo o quanto mais vale observar e agir no momento certo, visando o meu bem estar sem prejudicar ninguém. Hoje meu Senhor, tudo o que quero é continuar aqui nessa praça, mostrando as pessoas o que de bom eles têm para oferecer aos outros. E, com toda calma do mundo, me mostrou alguns trechos escritos, frases, versos, pequenos contos, todos eles falavam de um modelo de família que não existe mais. Eram conceitos peculiares, educação rígida, respeito mútuo, uma época em que os filhos obedecem e respeitam aos seus pais. E, em todas as escritas ficava evidente o quanto aquele homem amou os seus filhos, e, ao mesmo tempo, o quanto esses mesmos filhos o rejeitaram e o excluíram de suas vidas.

Aos poucos guardou todos os papeis, e pausadamente falou-me olhando nos olhos: De nada adianta você dedicar a sua vida às outras pessoas... Com o tempo essas pessoas mostram à você o quanto tudo o que você faz não tem valor algum se essas pessoas já têm suas próprias vidas, em sua maioria, ridículas, sem conteúdo e sem sentido. Após me dizer isso, perguntei: mas porque não volta à sua vida normal se é uma pessoa culta e reúne todas as condições para ter sucesso na vida? Ele, com toda paciência e propriedade me respondeu: O melhor que descobri em minha vida, é ter o suficiente para comer, beber e dormir e utilizar o meu tempo em função de ajudar pessoas que precisam de mim de alguma forma e nada podem me dar em troca a não ser o que sempre quis de meus filhos, amor e gratidão. Por incrível que pareça, muito do que procuramos dentro da família, pode estar a um passo de você, mas fora de seu âmbito familiar.Depois disso... Me levantei. Agradeci a atenção dele. E, afirmei: você é uma pessoa fantástica, talvez maior que a sua própria família. Mais tarde, em minha casa, fiquei refletindo sobre tudo o que aquele homem me disse, e concluo que o amor ele pode ser sim um ingrediente de vida, mas nem sempre, a melhor versão a ser oferecida. Muitas pessoas são tão vazias que por mais que você queira preencher, sempre haverá um espaço maior para o contrário do que você esteja dando.

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