A casa dos grandes pensadores

Bem-vindo ao site dos pensadores!!!

| Principal |  Autores | Construtor |Textos | Fale conosco CadastroBusca no site |Termos de uso | Ajuda |
 
 
 
Crônica
 
POÍESIS
Por: Valdir Sodré

Dedicada ao amigo
Prof. Dr. Tiago De Carvalho


Poíesis designa o ato ou o processo de criação. É a noção que indica, genericamente, a aptidão para a criação, para a inauguração de sentidos que são e estão no criado como conteúdo (sentido) e expressão (realização), ao mesmo tempo. Esse é seu sentido mais geral, mas o que importa são os vários momentos de seu uso e determinação.

Segundo Manuel Antônio de Castro,

poíesis é o vigorar da mediação como medida de tudo que é e não-é. O vigorar da medida denominou-se em grego lógos, sendo uma tradução possível para o português linguagem. Por isso a poíesis se torna em arte a medida de toda obra uma vez que ela opera o manifestar a realidade e o humano de todo ser humano no e enquanto diálogo.

Segundo Jorge Kotick Audy, a poíesis pode ser entendida como a capacidade de criar alguma coisa de forma criativa. Nos escritos de Platão é possível entender a poíesis como processo criativo, ação, conhecimento e aprendizado lúdico, convertendo algo ainda considerado como “não ser” em “ser”. Na maiêutica Socrática a descoberta de suas próprias verdades em movimentos intrínsecos de criação, mediante a prática do autoconhecimento.

Conforme preconiza Leonardo Boff,

além da dimensão de necessidade desponta no ser humano também a dimensão de criatividade. Ele não quer apenas matar a fome. Ao fazê-lo, coloca empenho, investe libido, cria arte e beleza. Ele não come apenas com a boca. Come também com os olhos, enfeitando esteticamente seu prato de comida. Ele é habitado por um potencial fantástico de criatividade e de capacidades que querem expressar-se e realizar-se em todos os campos: na linguagem, na culinária, no arranjo da casa, na forma de vestir-se, na inteligência, na arte plástica, na criação literária, na invenção científica, na produção simbólica da cultura, da filosofia e da religião. Nesses e em outros campos realiza sua liberdade criadora. Essa liberdade se exerce também na sua dialogação com o Supremo, com Aquele que é identificado e venerado como o Criador do céu e da terra.

Poíesis é o equilíbrio da alma. É a força maestral que nos capacita para participar da construção do mundo numa dinâmica de coexistência com nossos pares. É o desenvolvimento das inteligências intrapessoal, interpessoal e emocional.

Temos carência de poíesis na proposta de mundo moderno contemporâneo, no qual o individualismo e o diálogo virtual reinam e solidificam um processo inverso à coletividade cósmica e espiritual tão necessária.

A genialidade contemporânea não é mais individual. As formas de expressão da genialidade agora se apresentam coletivamente. Qual foi o último gênio que surgiu na humanidade?

O quociente de inteligência (QI) caiu por terra e o quociente emocional inaugura novas formas paradigmáticas de expressão humana na contemporaneidade. O ser humano é dotado, segundo Gardner, de inteligências múltiplas: linguística, lógica-matemática, espacial, musical, pictórica, corporal-cinestésica, intrapessoal, interpessoal, existencial e naturalista. Nascemos com todas elas, mas principalmente devemo-nos procurar desenvolvê-las no decorrer da vida. Ter inteligência emocional é saber identificar, entender, utilizar e administrar emoções de forma eficiente e positiva. É um traço indispensável para obter sucesso profissional – porque todos os trabalhos envolvem lidar com emoções, de alguma forma. É nesse exercício vital que se sustenta a necessidade de ancorarmos nossos atos e emoções nos pilares da poíesis.

Segundo Carlos Hilsdorf, “o que torna as coisas especiais na vida é a maneira como as fazemos”. Nessa perspectiva,

a maneira como fazemos as coisas e a qualidade dos resultados que obtemos depende das razões que nos levam a fazê-las, do nosso grau de entusiasmo e paixão ao realizá-las. Imprimimos nosso estado de espírito em tudo o que fazemos. O significado, o senso de missão, a construção no novo, do belo e do melhor permeiam as melhores realizações da humanidade em todas as áreas.

A vida é feita de escolhas e para tal é salutar compreender que efetivamente devamos preencher a vida de poíesis. Segundo Manuel Antônio de Castro,

a palavra grega poíesis, que gerou a palavra portuguesa poesia, em sentido amplo não diz originariamente uma atividade cultural entre outras. Na e pela poíesis o próprio real se destina no homem para que este realize numa plenitude que o próprio real por si não realiza. Na e pela poíesis, o próprio real se constitui como linguagem, mundo, verdade, sentido, tempo, história, em qualquer cultura.

Assim sendo, toda produção que envolva uma fabricação humana por meio de sua racionalidade pode ser considerada uma poética, uma ciência da produção. Nossa racionalidade, atributo que nos difere substancialmente dos outros seres vivos, é exercitada continuadamente e sua base intuitiva e lógica se embebeda de criatividade poética em prol a uma práxis que consolide sentido e necessariamente transformação humana, social e histórica. Por fim, definitivamente a vida deve ser regida pela força incomensurável da poíesis para que o processo criativo humano seja força motriz do desenvolvimento de nossas capacidades, habilidades e competências. Somos profundamente o que podemos ser sempre revestidos de nossa imensa capacidade de criar para se adaptar, conviver, viver, construir, transformar e harmonizar nossos sentidos.

 Comente este texto

 

Comentário (0)

Deixe um comentário

Seu nome (obrigatório) (mínimo 3, máximo 255 caracteres) (checked.gif Lembrar)
Seu email (obrigatório) ( não será publicado)
Seu comentário (obrigatório) (mínimo 3, máximo 5000 caracteres)
 
Insira abaixo as letras que aparecem ao lado: KFZI (obrigatório e sensível. Utilize letras maiúsculas e minúsculas;)
 
Não envie mensagem ofensiva e procure manter um intercâmbio saudável com o seu correspondente, que com certeza busca dar o melhor de si naquilo que faz.
Seu IP será enviado junto com a mensagem.