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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Crônica
 
A sabedoria do ditado popular
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Visão crítica independe de graus de instrução?


Geralmente quem não teve acesso aos ensinamentos acadêmicos, principalmente às aulas presenciais, costuma usar uma linguagem simples para se comunicar, tanto falada quanto escrita. O importante nesta interação é conseguir o objetivo, se fazer entender, ao transmitir a sua mensagem. Claro que existem as exceções, os chamados autodidatas, que não esperam ingressar nas universidades para melhorar o conhecimento e serem aceitos como alguém que sabe se expressar e manter uma conversa em alto nível – os livros servem para isso mesmo.
Mas qualquer idioma só se mantém por causa do dinamismo. Quantos valorizam a forma erudita da Língua Portuguesa nos dias atuais? A velocidade do mundo atual não perde mais tempo com isso, às vezes detalhes sem muita importância. Soma-se a isso a importação de termos estrangeiros, fruto da globalização e da supremacia norte-americana no pós-Segunda Guerra Mundial. Portanto, o preciosismo gramatical se restringe aos documentos oficiais e contratos particulares, aos livros didáticos, às publicações científicas, à imprensa em geral e às leis.
Se a educação formal é a base do desenvolvimento de um país, pelo menos é o que dizem as avaliações que o mensuram, a sabedoria popular tem o seu valor e jamais pode ser desprezada. Quantas vezes nos deparamos com situações embaraçosas onde as numerosas páginas explicativas dos relatórios podem se resumir numa simples frase. Aí que a maioria reconhece o valor do entendimento popular sobre o que parece complexo. Para crise financeira atual que vivemos, à parte tanta explicação técnica, não é o popular “de onde só se tira acaba faltando”?
A mídia superlota os noticiários com a situação de penúria que vivem alguns brasileiros nos locais carentes de tudo. Nesses casos não caberia a aplicação da conhecida frase “se a montanha não vem a Maomé... Maomé vai à montanha”? Quem tem mais condições de mudar a situação, o cidadão ou o Poder Público? Para os indiferentes ao sofrimento alheio, nem sempre por culpa própria, seria muito oportuno citar que “pimenta nos olhos dos outros é refresco”? Talvez isso seja mais eficaz que milhares de justificativas que ouvimos dos responsáveis pela solução.
Infelizmente as máximas populares também enfatizam situações onde demonstram que o povo é impotente perante as irregularidades e não tem a quem recorrer. O que poderia ser mais adequado ao momento de combate à corrupção, onde quiseram rotular apenas uns partidos políticos e chovem denúncias contra quase todos? Isso mesmo, o ditado mais apropriado para enquadrá-los quanto a ética e a moral é o batido “tudo farinha do mesmo saco”. Algum brasileiro desconhece o que isso significa? Mas “já vimos este filme antes” sintetiza o que é impunidade.
O recente aumento autorizado para os ministros do STF e da PGR, sob a farsa que era um acordo em troca deles abrirem mão do auxílio-moradia, apenas revogou o penduricalho questionável para quem não tinha direito. Continua valendo o aumento mesmo para quem vai receber justamente o auxílio-moradia. À parte os direitos constitucionais e tudo o mais, o que ficou caracterizado, sob o jargão popular, é o famoso “farinha pouca, meu pirão primeiro”. Tem como desconhecer que com palavras tão simples definimos uma situação muito revoltante? Portanto...
Não poderia faltar a situação onde os críticos ferrenhos, principalmente os de fora da situação que envolve um problema, passam a ocupar a berlinda. Quando reclamam dos ataques da mesma posição vexatória em que atacavam o inimigo, é muito comum ouvir que “ser pedra é fácil, o difícil é ser vidraça” Ou se for pego nas mesmas irregularidades que prometeu combater e denunciava ferozmente exigindo Justiça, é inevitável que o cidadão imparcial o classifique como “o sujo falando do mal lavado”. A sabedoria popular, com todo respeito ao restante, diz tudo.


J R Ichihara
19/12/2018

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