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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Merecimento natalino
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Os que nada merecem do governo


Aquela crença de que todos são iguais perante a lei pode entrar para o rol de lendas urbanas no Brasil. O tratamento diferenciado entre os servidores públicos, a princípio empregados de um mesmo patrão, mostra que alguns têm mais direitos que outros, ou que muitos sequer são lembrados quanto a isso. A forma evidente que pode servir de argumento para esta afirmação tem por base o pagamento dos trabalhadores nas diversas atividades. Uns recebem em dia; outros ainda não receberam o mês de novembro nem o décimo terceiro de 2017. Como entender isso?
Os policiais civis do Rio Grande do Norte entraram em greve dia 26 deste mês porque não receberam o décimo terceiro de 2017 e não havia perspectivas de receber o salário de dezembro nem o décimo terceiro do ano em curso. Segundo o Sindicato dos Policiais do RN, o SINPOL-RN, mais de 95% das Delegacias do estado fecharam, sendo atendidos apenas os casos de flagrante. O Tribunal de Justiça do RN determinou o fim imediato da greve e estipulou uma multa diária de R$15 mil no caso de descumprimento. No dia 28/12, o SINDIPOL-RN anunciou o fim da greve.
Afirmando que não tem como multiplicar o dinheiro, o governador do RN informou que vai pagar o décimo terceiro de 2017 de todos os policiais civis ativos e aposentados. Em anúncio anterior ele havia dito que pagaria o décimo terceiro de 2017 dos ativos, inativos e pensionistas da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros. As demais categorias, apenas os ativos receberiam os atrasados. Como se vê é uma situação que compromete a Segurança Pública do estado. Para quem se lembra do slogan da campanha, ele seria o governador da segurança. O que deu errado?
Na mesma semana da greve dos policiais civis, os médicos que atuam na rede estadual de saúde do Rio Grande do Norte, também entraram em greve. O motivo? Salários atrasados! Será que os serviços essenciais básicos para a população não funcionam a contento por falta pagamento dos profissionais que atuam nesta atividade? Sabe-se que os professores também ficam sem receber salários em algumas cidades e estados. O engraçado é que todo candidato só fala em lutar por educação, saúde e segurança de qualidade para todos. Alguém ainda acredita?
Mas quem não acredita em Papai Noel, mesmo na época natalina, precisa melhorar a percepção sobre o que acontece com alguns abençoados no serviço público do Brasil. Com o reajuste autorizado pelo presidente Temer, no apagar das luzes do ano e do fim do seu mandato, para os ministros do STF e PGR, alguns parlamentares receberam um presentaço porque os seus salários são equivalentes aos daqueles. Se o Natal dos médicos e dos policiais civis e militares do RN foi na base da dieta salarial, o dos ministros e parlamentares deixou muitos com água na boca.
Uma curiosidade sempre rondou a imaginação do cidadão brasileiro comum sobre a falta de pagamento de salário dos prefeitos, governadores, presidente, diretores de estatais e autarquias, parlamentares, juízes, promotores, ministros e servidores da Alta Administração. Como saber se isso ocorre? Sabe-se que o impacto para eles, caso isso ocorra, é muito diferente que para o servidor da base da pirâmide. Este não tem qualquer mordomia por conta dos cofres públicos, portanto sofrem muito mais com a falta de pagamento do seu salário. Alguém vê assim?
Aos que não foram lembrados pelo Papai Noel, resta o consolo de que Deus é brasileiro. Isso, de alguma forma, é a última tábua de salvação para os esperançosos que não mais acreditam na Justiça dos homens. Fazer o quê? Se a prioridade no pagamento dos salários é para os que ganham mais, além dos penduricalhos na forma de mordomia, fora a declaração de ilegalidade no caso de tentar uma greve, não tem outra alternativa para fazer valer os seus direitos. O desrespeito pelo trabalhador no Brasil extrapolou o limite da tolerância e da paciência. Aonde vamos parar?


J R Ichihara
30/12/2018

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