A casa dos grandes pensadores

Bem-vindo ao site dos pensadores!!!

| Principal |  Autores | Construtor |Textos | Fale conosco CadastroBusca no site |Termos de uso | Ajuda |
 
 
 

 

ALESSANDRA LELES ROCHA
Publicações
Perfil
Comente este texto
 
Crônica
 
Novinho em folha!
Por: ALESSANDRA LELES ROCHA




Diante de uma folha de papel em branco há quem fique intimidado; afinal, preencher aquele espaço não é tarefa fácil. Mas, poucos se dão conta de que essa é uma metáfora da própria vida. Agora, nesse instante, cada um vive o primeiro dos trezentos e sessenta e cinco dias do novo ano. E o que é um novo ciclo senão um conjunto de páginas em branco a serem escritas individual e coletivamente?
Ideias, expectativas, esperanças, sonhos... todos temos muito. Justamente por isso é que equacionar harmoniosamente as nossas escritas, em prol de um denominador comum, torna-se tão desafiador. Um texto coeso e coerente, compreensível ao leitor, escrito por muitas mãos, exige uma boa dose de habilidade, de sensibilidade, e porque não dizer, de bom senso.
Olhando para trás, para o ano que acabou, tomando pelas mãos os rascunhos desse capítulo da vida, é possível entender o que estou dizendo. Quantas não são as passagens dessa história, que não gostaríamos de passar a limpo, de reescrever com mais esmero ou, até mesmo, de substituir por aspectos mais relevantes?
Mas, aí nos lembramos de que a vida é um livro em rascunho. Cada página se escreve como resultado das conjunturas, das imprevisibilidades, por mais pensada e refletida previamente. E esse rascunho é o que conta. Mudá-lo certamente mudaria o final da história; seria lidar com o velho e bom “se”. Sem contar que nem todas as páginas nos trazem uma motivação corretiva. Sim, há qualidade nessa escrita, a qual se quer preservar. Lembranças, emoções, sentimentos,...
No fim das contas é muito bom que não haja versão final para cada um desses trezentos e sessenta e cinco (ou seis) fragmentos de vida, porque nos erros, nos tropeços ou nos desajustes encontram-se nossas maiores lições. Entretanto, apesar disso, mesmo estando ali diante dos olhos da consciência, percebemos que eles não raras às vezes se repetem. Mesmo com tantos rascunhos importantes... Ainda persistimos, resistimos as eventuais releituras da história.
Então, nesse momento tão significativo, no qual o relógio cumpre a sina de completar as primeiras vinte e quatro horas, que tal se abster do peso desafiador da escrita perfeita para uma reflexão mais profunda quanto ao valor de SER humano? Toda escrita tem um pouco do seu autor, da sua humanidade. Quando aprimoramos nossa essência, nossas habilidades e nossas competências humanas, inevitavelmente consolidamos as nossas marcas, imprimindo um registro mais valoroso ao que somos.
Para escrever o que quer que seja precisamos, portanto, de leveza, de paz para nos debruçarmos sobre o papel em branco, o dia em branco, como quem dialoga com o melhor amigo. E amigo que é amigo não te constrange, não te intimida; ao contrário, te abraça te afaga e te permite falar. De modo que no findar de cada dia, de cada fragmento de vida rascunhado, sem querer nos deparamos com o alinhavar da tessitura da nossa identidade, da nossa maturidade, da nossa existência.
Assim, seja bem vindo o novo ano! Sejam bem vindas todas e quaisquer páginas em branco! Que o viver cotidiano se traduza na escrita de muitas histórias para o nosso irremediável rascunho.

 Comente este texto

 

Comentário (0)

Deixe um comentário

Seu nome (obrigatório) (mínimo 3, máximo 255 caracteres) (checked.gif Lembrar)
Seu email (obrigatório) ( não será publicado)
Seu comentário (obrigatório) (mínimo 3, máximo 5000 caracteres)
 
Insira abaixo as letras que aparecem ao lado: bdHM (obrigatório e sensível. Utilize letras maiúsculas e minúsculas;)
 
Não envie mensagem ofensiva e procure manter um intercâmbio saudável com o seu correspondente, que com certeza busca dar o melhor de si naquilo que faz.
Seu IP será enviado junto com a mensagem.