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Artigo
 
A CORTINA DE FERRO QUE AINDA NOS SEPARA
Por: SALETI HARTMANN


Numa época não muito distante, mais conhecida e vivida pelas pessoas de mais de 50 e 60 anos, o mundo estava dividido em comunistas e capitalistas. O Muro de Berlim e o isolamento obrigatório dos povos russos e da Alemanha Oriental, eram chamados, politicamente, de Cortina de Ferro. Tal era a força das ideias seguidas pelos governos de outrora, forçando nações inteiras a simplesmente estagnarem no tempo, sem evolução em nenhuma área a não ser na científica-militar.

Pessoas de uma mesma família foram separadas, com a construção do Muro, na Alemanha, logo após o término da 2ª Guerra Mundial, e jamais puderam se reencontrar, a não ser quando, finalmente, em 1989, quase 70 anos depois, o Muro foi derrubado por pessoas sedentas de liberdade e revoltadas ao máximo com a situação paupérrima, política e econômica que o mesmo escondia.

Gostaria de fazer um pequeno paralelo entre aquela situação do passado, que pensávamos nunca mais repetir, e a situação atual do nosso país, em questão de ideias que são defendidas até com fanatismo, pelos amantes da ideologia, tanto de direita como de esquerda, produzindo assim, uma verdadeira Cortina de Ferro entre o nosso povo, fazendo com que voltem ódios e antagonismos antigos, que jamais poderiam estar de volta num país que tem a Liberdade de expressão como objetivo principal.

O fanatismo por certas ideologias – tanto de esquerda como de direita – já causou milhares e milhões de mortes ao redor do Planeta. Não é possível que não aprendamos as lições que o passado tem a ensinar, libertando-nos completamente do ódio e do fanatismo que tentam nos governar a todo custo.
Famílias se dividem envolvidas em rancores, amizades são desmanchadas sem perdão, pessoas se isolam ou isolam outras pessoas pelo simples fato de levarem o rótulo “de direita” ou “de esquerda”.
Nosso país acabou de viver mais uma eleição, creio plenamente que em perfeita liberdade, com o livre arbítrio dos eleitores, que escolheram um Presidente à altura dos seus sonhos e esperanças. Como vivemos na Terra e não no Céu, somos todos imperfeitos, e as pessoas que chegam ao Poder são somente humanas, com seus defeitos, sua personalidade e ideologia definidas. Não podemos esperar que sejam deuses ou que agradem igualmente “gregos e troianos”. A maioria que elegeu o novo Presidente é uma maioria que deve e precisa ser respeitada, assim como o próprio que foi eleito, dentro da máxima liberdade possível.

Aprendi, com meus pais, ainda quando era criança, esse respeito e gostaria de transmitir essa lição que nos foi dada de forma tão nobre. Quando era época de eleição, meu pai nos apresentava fotos de todos os candidatos que concorriam à eleição, e nos pedia que escolhêssemos aquele que mais se identificava com nossos sonhos de Brasil. Jamais nos impôs uma escolha, sempre quis que fôssemos livres e responsáveis também na área política.

Quando, enfim, o Presidente escolhido não era aquele que gostávamos, meu pai nos dizia que, mesmo assim, devíamos respeito a este ser humano, que não chegou nesse cargo máximo da Nação por um acaso, mas pela vontade da grande maioria do Povo... e por que não, de Deus! Dessa forma, assistimos e votamos em Presidentes, ora queridos por nós, ora do nosso desagrado, mas sempre lembrando das palavras sábias do nosso pai.

O respeito por quem foi eleito com o voto do povo – mais da metade – significa que concordamos em, acima de todas as nossas ideias contrárias, cooperar em tudo o que for necessário para o Bem do país como um todo, em todas as áreas possíveis, muito mais nos nossos empregos, sejam de grande nível ou apenas de colaboração, onde o serviço bem feito reflete a nossa boa vontade com esse Brasil imenso que é de todos, não de pequenas minorias.

É preciso conhecer o passado, não através de uma ideologia, mas através da História contada de todos os lados, do vencedor e do vencido, para não trazer de volta os ódios e rancores que causam tanto isolamento, tanta separação dentro de uma Nação que diz amar esse país de coração.

Vamos derrubar essa verdadeira Cortina de Ferro que está querendo se estabelecer no Brasil, com a força do senso de irmandade e fraternidade, para que todos possamos melhorar juntos, e assim, nos tornarmos o grande país que já deveríamos ser desde há muito tempo.

Não nos guiemos pelo fanatismo das ideologias, mas pelo sonho de vermos nossos jovens e crianças crescendo em liberdade, com a possibilidade de novas ideias, novas esperanças e de um novo futuro, onde, sim, podemos pensar diferentemente, mas não agir uns contra os outros por causa dessas diferenças tão naturais do ser humano.

Saleti Hartmann
Professora e Poeta
Cândido Godói-RS

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