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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Emenda pior que o soneto?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Pôncio Pilatos também lavou as mãos


Diz-se quando a explicação sobre um determinado assunto grave confunde mais do que esclarece que a “emenda saiu pior que o soneto”. À parte o aprofundamento sobre onde isso teve origem, mas as fontes de pesquisa informam que o ditado surgiu porque o respeitadíssimo poeta português Bocage foi procurado por alguém interessado em ser escritor. Deu-lhe um soneto para que lesse e anotasse os erros. No próximo encontro, o aprendiz soube que a opinião do poeta era que a emenda seria pior que o soneto, portanto não valeria a pena fazer correção alguma.
Nesses tempos em que a velocidade da divulgação da informação é impressionante, todos ficam sabendo de tudo o que acontece, praticamente em tempo real, basta alguém importante falar em qualquer meio de comunicação que a notícia rapidamente se espalha. E não adianta tentar negar porque está tudo registrado: fotos, vídeos, áudio etc. O celular se encarrega da tarefa do efeito multiplicador. Portanto, se o autor de alguma declaração infeliz quiser consertar o que pode ser um estrago... que o faça de forma ponderada, medindo e pesando o que vai falar.
Quem acompanha as operações de busca pelos desaparecidos no crime ambiental de Brumadinho, provocado pelo rompimento da barragem de rejeitos da Vale, percebeu que as equipes de salvamento criaram um canal de comunicação com a sociedade. O jovem oficial do Corpo de Bombeiros é a voz oficial da operação. Um outro oficial da Polícia Militar falou em nome da Corporação. Por que a necessidade disso? Com certeza para evitar o disse-me-disse. Se qualquer um falar o que vir na cabeça, a chance de tumultuar o trabalho é muito grande.
Mas tentar emendar uma declaração infeliz, realmente, pode agravar mais do que esclarecer. Depois de todas as tentativas da defesa do ex-presidente Lula, que está preso na Polícia Federal de Curitiba, desde abril do ano passado, a liberação do presidente do STF, ministro Dias Toffoli, foi considerada desumana por muitos brasileiros. Quando resolveu liberar o ex-presidente, o corpo do irmão dele, o Vavá, já havia baixado à sepultura. Mais estranha ainda foi a declaração do delegado Flores, da Polícia Federal: “pode ser feito não significa que deve ser feito”.
Analisar um trecho de conversa sem saber a história completa pode induzir a conclusões equivocadas. O caso de Brumadinho, onde um advogado disse que a empresa não se considera responsável, mas depois foi desautorizado a falar em nome da organização, é o típico exemplo da emenda ser pior que o soneto. Como não tem responsabilidade? Quem opera esta mineração? Para quem os mortos e desaparecidos trabalhavam? Alguém pediu para a Vale poluir e devastar uma área de onde muitos tiravam o sustento? De quem é a obrigação de oferecer segurança?
Sobre o insensível delegado Flores, o pedido para Lula comparecer ao sepultamento do irmão é um direito constitucional. Quando foi para traze-lo coercitivamente, sem necessidade, de São Bernardo do Campo para o aeroporto de São Paulo, nada impediu a operação. O espetáculo midiático nem se preocupou com o tumulto que isso poderia causar. Por que nesse caso “o pode dever ser feito”? Talvez se ele ficasse calado, ou falasse qualquer outra desculpa esfarrapada, a maioria aceitasse. Para completar ele ainda falou: “eu não entendo o que não entenderam”.
O mundo conhece casos de injustiças praticadas com o apoio da população. Qual seria a forma de apresentar uma emenda que não fosse pior que o soneto? Reconhecendo e assumindo o erro praticado? Deixando de lado as diferenças ideológicas e focando no respeito que todos merecem perante as Leis? Será que o fato de alguém ocupar um cargo importante é um certificado de imunidade para falar e emendar, na hora e tempo que lhe convier, palavras que podem prejudicar, ofender, humilhar e desrespeitar os direitos de um ser humano? Se a Justiça tarda...


J R Ichihara
01/02/2019

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