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Crônica
 
Se ficar o bicho pega, se correr o bicho come
Por: Morena

Atente o ledor para a estória que uma enfermeira contou-me hoje, quando confabulávamos à respeito da empresária de 55 anos, que conheceu um advogado, 27 anos, em rede social, com o qual vinha se comunicando há oito meses e o convidou para ir na sua casa no último sábado. A mulher comprou queijos e vinhos para recebê-lo. E findou sendo espancada violentamente. O sujeito quase a matou.

Retornando à enfermeira, há poucos anos ela conheceu um homem em rede social que dizia-se ser ex-policial. Sentindo-se carente, acabou por marcar um encontro com o homem em local público, de dia. Conversaram bastante num barzinho. Na hora de ir embora ele alegou que seu carro estava numa oficina mecânica e pediu que o levasse para casa no carro dela. A moça, de 40 anos, não queria, mas ele, educado e atencioso, a convenceu.

Mal, no exato momento que ele entrou no carro seus modos começaram a mudar. Já não era o homem educado e atencioso de antes. Sentindo-se dono da situação agora, pretendeu apalpá-la. Ela o impediu e ele mostrou-se grosso. Nessa parte a enfermeira já estava amargamente arrependida. Usando de psicologia, querendo se livrar dele e não vê-lo nunca mais, ela o deixou no prédio onde ele morava. O homem pediu que entrasse no seu apartamento. Um não o deixou muito nervoso, algo furioso. Parecia querer agredi-la. Seus trejeitos corporais a paralisaram de medo. Sentiu-se na temível situação de "se ficar o bicho pega, se correr o bicho come". Por fim, conseguiu acalmá-lo pedindo para que ligasse para marcar novo encontro ou ligaria para ele.

Ao chegar em casa a primeira coisa que a enfermeira fez foi tomar providência de excluir o homem de todos os seu contatos virtuais. Surpreendentemente, ele lhe enviara muitas mensagens ofensivas e grotescos palavrões, revelando-se um psicopata medonho. A enfermeira se safou por pouco. Ainda bem que o encontro foi de dia, em local publico e o bicho-papão não sabia o endereço físico dela. Caso contrário...

Ora, só do homem dizer ser ex-policial já era para ela ter ligado o pisca-alerta. Ex porquê? O que ele andou aprontando? Estaria mentindo? Ao contrário, a enfermeira sentiu que estaria protegida com ele. Ora, ela jamais deveria ter iniciado bate papo com ele ou com nenhum outro. A rede social está repleta de predadores. Não é difícil reconhecer perfis predadores. Um predador nato que tenha mil amigos, tais amigos são todas mulheres. Predadores passam muitas horas espreitando possíveis vítimas, carentes e ingênuas. Uma mulher inteligente, cautelosa, que tem amor à sua vida linda, sequer vai se aventurar amorosamente em rede social. Muito menos postando fotos sugestivas, sensualizadas. Se na vida real a coisa já é feia, onde até mesmo no seio familiar a mulher pode ser vítima de feminicidio, imagine-se desconhecendo tudo do pretendente a qualquer coisa.

Finalizando, deixo abaixo o texto “Bicho-papão” que publiquei em Para Ler e Pensar, em outubro de 2017, que relata o drama da advogada Mariana, que em 2017 foi atacada pelo homem que conheceu na internet, sendo que ela o convidou para ir em sua casa, ou seja, forneceu seu endereço físico a um perfeito desconhecido.

“Mariana diz que não aguenta mais ser julgada. Mas não se trata de julgamento! Trata-se de tentar entender como uma mulher de 43 anos, advogada, ativista feminista de causas de mulheres violentadas, pôde confiar num estranho que ela conheceu em um site de relacionamento. Ela acreditou nas "referências" que o sujeito lhe passou (virtualmente!), e após, sentindo-se segura, forneceu-lhe seus dados pessoais, unido ao seu endereço físico, abrindo-lhe a porta para que entrasse como recebesse um velho amigo - justo ela que foi violentada quando criança e depois mais jovem. E ainda transou com seu estuprador num primeiro encontro sem se incomodar com doenças sexualmente transmissíveis. E como todos sabem, depois foi atacada violentamente pelo bicho-papão. Inacreditável o comportamento ingênuo dela. Mariana teve muita sorte de não ter sido morta.
Gente, pelo amor de todos os deuses e deusas do Olimpo!... Pode-se esperar comportamento ingênuo assim vindo da ala infanto-juvenil, não de mulheres que conhecem as velhas historinhas do bicho-papão. Relacionamentos amorosos surgem a partir de grupos de amigos, de colegas de escola, de trabalho, nos quais se conhece tudo sobre a pessoa e especialmente a sua família. E mesmo assim pode ser perigoso. Lembram que em fevereiro de 2012, em Campina Grande, algumas mulheres foram convidadas para festa de amigos homens, conhecidíssimos de elas e, uma vez na casa de um deles, sofreram estupro coletivo e duas foram assassinadas? Pois então, seus amigos haviam preparado uma cilada terrível para elas.
E quem pensa que Mariana é um fato isolado, engana-se! Eu tenho colegas de trabalho que moram sozinhas e dentre elas há aquelas que também abrem a porta para estranhos que conhecem em sites de relacionamentos ou baladas (sabem como é, uma bebida a mais e o bom senso vai pro espaço), para ter com elas. E depois contam com foi a aventura. Eu me arrepio de medo por elas.
Há coisa de quatro anos, uma dessas chegou desesperada no serviço contando que um cara fora em sua casa e depois da transa levara-lhe todo seu dinheiro, seus notebook e celular, e uma corrente e dois anéis de ouro. Ela não sabia sequer se o nome do cara era mesmo verdadeiro. Ainda bem que foi só isso. Se tais mulheres são novinhas? Não! São quarentonas, cinquentonas, sessentonas. Mulheres fortes, aguerridas e, doidas! Acham-se modernas, livres, poderosas, fazem e acontecem. São elas as Marianas da vida pondo a vida em risco extremo.
Sim, as grossas correntes do patriarcalismo medieval foram cerradas e o preço que se paga pela liberdade de mulheres terem o direito de serem donas dos seus atos continua sendo alto. Que se diga isso de todas aquelas que foram torturadas, seviciadas, lesionadas (como Maria da Penha) e mortas pelas mãos brutais de um homem. Então, não terão as mulheres o direito pleno de convidarem amigos para um bate-papo? Com amigos estranhos, que acabaram de conhecer? De jeito nenhum! Nem mesmo se essa pessoa for outra mulher. Mulher, cuide-se! Seja desconfiada, cautelosa, intuitiva. Um sujeito à caça de mulheres bobinhas possui vários perfis na internet. O mundo está repleto de ogros disfarçados de príncipes encantados. Nada justifica uma agressão sexual, contudo, abrir a porta de casa para um estranho?... Quanta ingenuidade!”

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