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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Comprando briga alheia
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Alguns estão chamando de Cavalo de Tróia!


De repente todas as atenções da alta cúpula do governo brasileiro se voltam para a ajuda humanitária dos Estados Unidos para a Venezuela. Por um momento, a Reforma da Previdência e o desentendimento entre o presidente Bolsonaro e o ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, perderam a importância. O assunto é a invasão disfarçada de ajuda, segundo alguns críticos da manobra norte-americana, provocando a reação do presidente Maduro, que mandou fechar as fronteiras da Venezuela com o Brasil e com a Colômbia. As críticas internas questionam qual o interesse do nosso país nesta operação. Cumprir a ordem do Tio Sam?
O clima ficou tenso na fronteira e nos bastidores que envolvem aliados e inimigos do regime considerado uma ditadura disfarçada de democracia, no país de Maduro. Sabe-se que a Guerra Fria acabou há algumas décadas, mas isso não significou que os Estados Unidos e a Rússia, que sobreviveu como a potência da antiga URSS, deixaram de se posicionar em lados opostos. Pelo contrário. Daí que a opinião internacional é que a Rússia ficará do lado da Venezuela nesta questão. Alguns acham que a China também apoiará, mesmo sem aparecer, o Maduro.
Sabe-se que sempre fomos considerados um país neutro em questões com a vizinhança no continente. A ex-presidente Dilma publicou um artigo na coluna do Nassif, abordando o assunto enfatizando que o Brasil não interfere nos problemas internos dos outros países. Certos de que há uma grande possibilidade de um conflito armado por causa desta situação, o Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela divulgou que “O povo brasileiro não será bucha de canhão de uma guerra fratricida!”. Será que não estamos embarcando numa canoa furada? Quais os motivos para isso?
Como sempre, as opiniões divergem quando uma medida dos Estados Unidos com relação a outro país chega ao conhecimento público. Os que apoiam a decisão da Casa Branca justificam que o ditador Maduro levou a população à miséria, portanto a ajuda é necessária e chega em um bom momento. A corrente que é contra aponta o petróleo como o único motivo para a “caridade” oportunista, não deixando de citar que o Brasil está sendo usado para fazer parte desse jogo sujo. Mas se não é o petróleo por que outros países não recebem este tipo de ajuda?
Talvez a percepção de que o Brasil está sendo usado pelos Estados Unidos vem do comportamento do presidente Bolsonaro com relação àquele país. Quando ele prestou continência à bandeira norte-americana, muitos entenderam o gesto como um sinal muito claro de subserviência. A isso, soma-se o fato mantido em segredo que um oficial de alta patente das Forças Armadas Brasileira foi destacado para trabalhar nos Estados Unidos, segundo divulgações nos meios de comunicação. Para os críticos deste governo estamos comprando briga alheia.
Mas ficou clara a intenção do presidente Trump contra o Maduro, quando congelou os US$ 7 bilhões dos fundos da PDVSA nos EUA. Além disso, outras medidas tomadas significarão a perda de US$ 11 bilhões em exportações. Tais decisões geraram críticas da parte de Maduro, que anunciou que irá à Justiça para impugnar essas sanções. O que acha o expectador alheio aos interesses comerciais entre os dois países, mas sabedor que a base da economia venezuelana é o petróleo, onde o seu maior comprador são os Estados Unidos? Estão asfixiando alguém?
Ecoaram manifestações, principalmente nas redes sociais, sobre a participação brasileira nesta ajuda humanitária. Houve comparações com as missões no Haiti, onde o Brasil teve uma presença marcante. Surgiram comentários sobre a falta de ajuda aos brasileiros abandonados nas ruas, corredores de hospitais e demais locais públicos sem qualquer assistência social. Mas as respostas que vêm das autoridades, na forma de silêncio absoluto, só reforçam a certeza que os interesses comerciais e políticos, como neste caso, sobrepõem as outras necessidades humanas.


J R Ichihara
23/02/2019

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