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Crônica
 
O PROGNÓSTICO DA MARCHA DA SAÚVA
Por: Marcos Costa Filho


Em carnavais do século passado, em seus anos quarenta, cinquenta... fazia parte das folias de momo músicas compostas especialmente para o evento e serem cantadas nos bailes dos salões dos clubes. As letras eram compostas de poucos versos e sempre fáceis de serem decoradas. Havia inclusive um concurso desse tipo de música em que era levado em consideração a preferência popular e a de maior sucesso era eleita a campeão do carnaval.
Nas letras daquelas músicas os autores colocavam de tudo, amor, dor de cotovelo, saudade, sátiras e muita crítica a tudo que precisava chamar a atenção do povo para fatos que, às vezes, passavam despercebidos. Então, muita filosofia popular andava à solta.
Em ditos populares, dos antigos romanos temos: “Vox Populi vox Dei”, ou seja, “Voz do povo voz de Deus”. Isto cai bem certinho em uma marchinha daqueles carnavais que se intitulava Marcha da Saúva, composta por Roberto Roberti e Arlindo Marques Júnior, que foi gravada em 78 RPM, no ano de 1954 pela dupla Alvarenga e Ranchinho.
Em seus dois versos iniciais: “Ou o Brasil acaba com a saúva / ou a saúva acaba com o Brasil,” a crítica já resume todo propósito de aonde os autores queriam chegar. Uma comparação entre a voracidade das formigas cortadeiras que dizimavam lavouras e o desvio do dinheiro público. O povo divertia-se com esta ironia, cantada a pleno nos bailes carnavalescos, com certeza, sem um minuto sequer pensar em seu Brasil vilipendiado.
E nos versos seguintes: ˜Tem saúva na lavoura / Tem saúva no quintal,” já alertavam os autores que o mal da corrupção lastrava por este Gigante em seus quatro pontos cardeais. Mas, o povo feliz. não levava a questão a sério, somente, o folgado sorriso ao cantar os versos seguintes, embora sendo de uma acusação gravíssima; ˜Mas onde tem mais saúva / É no Distrito Federal / Esta é a pior saúva seu Cabral / Que não trabalha e mete a mão no capital.”
O carnaval do ano de 1954 passou, o tempo correu, mudamos de século, e as tecnologias resolveram o problema da saúva nos quintais, nas lavouras, realmente. Mas para a outra saúva, aquela que mete a mão no capital, o prognosticado na Marcha da Saúva se concretizou. Não houve equipe técnica, que tivesse um laboratório de última geração, que conseguisse elaborar um neutralizante adequado para debelar a sua proliferada ganância. E, esta saúva indomável passou a encontrar campos cada vez mais propícios ao seu desenvolvimento, que hoje está em todos os espaços possíveis, desde que haja lá, o dinheiro público. Embora, nos últimos tempos tenham surgido alguns sinais de combate a esta nefasta saúva, o Gigante foi tão violentamente corroído em sua estrutura, que anda, e andará por muito tempo trôpego, com sua imagem longe de ser a prometida no seu Hino: o “Florão da América.”

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