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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Bic no gabinete e fuzil na rua
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

A diplomacia e a truculência sob o mesmo teto


Qual a notícia mais preocupante sobre os acontecimentos que mostraram as ações do novo governo quando usa suas as armas mais poderosas? O poder de fogo, literalmente falando, do Exército que disparou 80 tiros contra um veículo que trafegava por um acesso para a Avenida Brasil, no Rio de Janeiro, na tarde do último domingo? Ou a caneta Bic do presidente Bolsonaro que exonerou o ministro da Educação Ricardo Veléz e nomeou Abraham Weintraub para o cargo? Pela importância das áreas ligadas às pastas, o assunto ganhou uma repercussão à altura.
Um dos ocupantes do veículo, o músico Evaldo Rosa, de 51 anos, morreu e outros dois ficaram feridos. Qual a justificativa para efetuar tanto disparo contra essas pessoas? Os militares fortemente armados sentiram-se ameaçados de morte? A primeira declaração do Comando Militar foi que o morto era um assaltante. Depois, constatando inconsistências nas declarações dos envolvidos, determinou a prisão de 10 militares, dos 12 ouvidos, sob alegação de descumprimento de regras de engajamento. O Exército será o responsável pelas investigações. E as vítimas?
À parte torcer contra ou a favor, a exoneração do ministro da Educação é muito precoce, considerando a esperança depositada pelo povo no novo governo. Será que o comandante da equipe, que foi escolhida a dedo e levou em consideração apenas o critério técnico, não acredita que em time que está ganhando não se mexe? Ou a torcida convenceu o maestro da orquestra que alguns elementos estavam desafinando e comprometendo o resultado geral? Seja lá qual foi o motivo, o fato é que a poderosa caneta Bic mostrou que ainda tem muita tinta na carga.
Quanto ao fuzilamento contra o veículo dos perigosíssimos ocupantes que transportava, os defensores do uso do poder de fogo das polícias e de qualquer corporação militar devem ter considerado a execução como mais uma fatalidade. Coisas que acontecem quando se tenta manter a ordem num ambiente onde a violência se instalou porque as gestões anteriores assim permitiram. A comunidade, esperam os novos governantes, devem entender que o conserto de tanto erro acumulado leva tempo e o caminho escolhido está totalmente certo. Simples assim!
O fato é que o comportamento linha dura da segurança pública, com o incentivo de uma atuação mais repressiva da polícia, inclusive com direito a atirar para matar se alguém estiver exibindo uma arma, pode agravar mais do que amenizar. Insistir que bandido bom é bandido morto, só será aplicado a um grupo seleto de pessoas das periferias, das comunidades carentes, onde o Poder Público se recusa a comparecer, gerando mais injustiça e violência. Quando o povo vê que esta punição deixa de fora os criminosos de colarinho branco... Como acreditar na Justiça?
Diz-se que quem tem boca fala o que quer, mas o ditado poderia acrescentar que isso não pode ser aplicado a qualquer pessoa. Os ocupantes de alguns cargos no serviço público devem se resguardar ao falarem sobre questões delicadas, que podem estimular a insegurança sob qualquer aspecto do dia a dia. Como o cidadão comum agirá se ouvir que o presidente aprova totalmente quem mata uma pessoa, com uma arma de fogo, porque se sentiu ameaçado e procurou se defender? Será que ele vai procurar uma solução pacífica para resolver a situação?
Causou alguma estranheza a declaração do presidente Bolsonaro dizer que há uma pressão para que ele se candidate para as eleições presidenciais de 2022? Isso ocorre exatamente no momento que a mídia divulga que a sua avaliação positiva caiu 15 pontos percentuais, desde janeiro do ano em curso. Qual seriam os argumentos usados pelos incentivadores que o pressionam para tomar esta atitude? Se as mudanças que todos esperam dependem somente dos convincentes fuzis e da poderosa caneta Bic, o tiro pode sair pela culatra.


J R Ichihara
10/04/2017

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