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ANTONIO CARNIATO FILHO
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EM NOME DA SAUDADE QUE FICOU
Por: ANTONIO CARNIATO FILHO

EM NOME DA SAUDADE QUE FICOU.

Dois meses a mais na cidade de Porto Ferreira. Um tempo a esculpir o passado com gratas recordações.
Lembranças de uma pequenina cidade com sete mil habitantes no antigo ano, um mil novecentos e cinquenta e quatro.
Explodia um horizonte de oportunidades, a industrialização engraxava os componentes para erguer-se. Sonhos mirabolantes de empreendedores embalavam o desenvolvimento e a terra de João Ferreira alongava suas ruas para agasalhar um contingente grande de pessoas que chegavam das regiões mais próximas, diariamente para buscar trabalho.
Fazendo parte desse grupo, no dia 4 de fevereiro de mil novecentos e cinquenta e quatro, cheguei à cidade, para trabalhar na Nestlé, recém estabelecida, prometendo-me uma carreira cheia de oportunidades.
Estabeleci-me no Hotel Chefer com tratamento integral. Juntos lá já estava o Ismael Perina, Arlindo Correia, Luiz Guiduli e Francisco Borri Neto, todos prestando serviços à Nestlé e vindos de outros rincões.
Passado um tempo a Companhia alugou uma casa atrás da Igreja Matriz, onde montou um republica para os funcionários que moravam fora. Comecei então conhecer pessoas novas. Logo conheci o Paschoal Bruno, o Si Teixeira e Tota Teixeira, meus primeiros amigos ferreirenses. No trabalho os meus colegas, Orindo Francisco de Oliveira, Chico Borri, Sergio Marques Castelhano, Arlindo Correia, Luiz Guiduli, Aparecida de Toni, Griseide Moreschi, Octacilio Carlos Teixeira, Durval Prado, Breno Rosa, Alípio Carlos Rosa, Adelma e José Voltarelli o nosso Chefe Mário Moraes e o nosso querido servidor de café o Senhor Genésio Mourão.
Lembranças eternas, muito trabalho com muita garra para crescer, assumir novos postos e conquistas internas.
Depois de dois anos, casei-me em quatro de fevereiro de mil novecentos cinquenta e seis. Minha esposa Nereide sentiu bastante a mudança.
A cidade oferecia muitas oportunidades de trabalho, mas, pouco possuía para oferecer aos seus habitantes. Os bairros se desenvolviam e novos loteamentos surgiam. No entanto as ruas eram de terra, sem calçadas, sem saneamento básico e a água não era tratada o que ocasionava problemas seríssimos à saúde. O Posto de Saúde estava sempre repleto de pacientes com amarelão.
No início de casados, gastávamos no Armazém do Constantino João, depois passamos para venda do Dino Cunha e mais adiante na Cooperativa da Nestlé. A farmácia que nos servia era do João Querubim.
Os médicos que nos atendia, Dr. Plinio Góes Valeriani, pela Nestlé e Dr. Mozarth Bágio. Gastávamos na loja do Elias e Casa Gloria.
Não esquecemos da Padaria do Chico Gentil, Quitanda do Dudu Carandina, Açogue do Abilio Carandina, do Bar do Gerola, do Restaurante do Verechia, da Alfaitaria do Ney Falco e da antiga Igreja Matriz com o Padre Nestor Cavalcante Maranhão e o nosso querido Padre Pavezi.
As grandes personalidades: Dr. Erlindo Salzano, seu pai Pachoal Salzano,
Dr. Djalma Forjaz, seu filho Dr. Nicolau, Mário Boreli Thomaz, Miguel Boreli,
Mário Moraes, Chefe Administrativo da Nestlé, Johan Van Hill, Gerente da Nestlé, Syrio Ignácios, (um dos maiores oradores que já pude ouvir), Joaquim Coelho Filho, Oswaldo Cunha os Peronde e outros que a minha memória não lembra.
Os jogos de futebol aos domingos, grandes partidas com o Porto Ferreira Futebol Clube. Excelentes jogadores que vestiam a camisa alvinegra com amor, garra e técnica. Dionisio, Telão, Moacyr Porto, Edivur, Pechincha, Pinhata, Biba, Adélcio, Si e Tota, entre tantos outros que se evolaram no tempo.
Semanalmente liamos o Jornal O Ferreirense, editado pela família Fenili.
As margens do Rio Mogi-Guaçu com os ranchos bucólicos, as pescarias com os amigos e famílias. A velha Ponte de Ferro, marco histórico com o saudoso Porto de João Ferreira, onde desembarcava a riqueza brasileira, o café procedente de outros municípios, para transporte ferroviário através da Cia Paulista de Estradas de Ferro.
As bitolas assentadas na Estação Ferroviária que melancolicamente desapareceram no decorrer do tempo. Bitola larga para a linha mestra, São Paulo/Descalvado. Bitola estreita para a linha Porto Ferreira/ Santa Rita do Passa Quatro. Lembro-me com tristeza, da última viagem do trenzinho de bitola estreita, descrito no meu livro “Labor, Poesia e Amor”.
No mês de maio de mil novecentos e sessenta e sete, mudei-me de Porto Ferreira, onde nasceu o meu tesouro, quatro filhos, Mozart Alberto, Tania Maria, Antonio Fernando e Marinela Adriana tendo sido transferido para São Paulo, promovido ao cargo superior.
Tenho andado pelas ruas, bairros e no comercio em geral, senti que a cidade sofreu uma gratificante metamorfose. Cresceu e Cresceu em todos os aspectos, está linda e ganhou a opulência de uma cidade média, chamada “Capital da Cerâmica”
Nestes dois meses, dia sim e dia não, vou fazer uma leve caminhada pelas ruas, para sentir a brisa fresca das manhãs e o calorzinho do sol ferreirense, em nome da saudade que ficou.

ANTONIO CARNIATO FILHO, 02 DE MAIO 2019


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