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ALESSANDRA LELES ROCHA
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Crônica
 
Amanhã é Dia das Mães...
Por: ALESSANDRA LELES ROCHA




Incomoda-me olhar ao redor e verificar cotidianamente a construção de um movimento de mercantilização da vida. Sim, cada dia mais é como se estivéssemos tecendo relações humanas dentro de parâmetros de “vale quanto pesa”, enquanto se esgarçam a afetividade, a cumplicidade, o companheirismo,... o amor.
Amanhã é Dia das Mães. Mas, será que faz algum sentido real eleger entre as datas do calendário uma única para celebrar alguém tão importante? Automatizados pela trivialização do dia a dia, muitos de nós, talvez, se abstêm de pensar a respeito, embora não devessem. Já dizia Rubem Alves, “aquilo que está escrito no coração não necessita de agendas, porque a gente não esquece. O que a memória ama fica eterno”.
E quão impactante é essa afirmação. Embora na vida sempre haja uma exceção, a regra nos mostra que a relação mãe e filho é algo muito sério, muito significativo, porque se baseia na fiação mais sublime do amor. Gestar um ser vai muito além de proteger, resguardar e nutrir outro ser em desenvolvimento. Gestar é realizar a mais complexa metamorfose existencial, quando uma mulher deixa para trás a sua existência primária para assumir outro papel na teia da vida. E o que move esse processo incondicionalmente, pelo menos em tese, é a capacidade de amar.
Parte de si mesma, o filho é para a mãe um misto de presente e desafio. Uma responsabilidade indescritível e que, muitas vezes, não pode ser compartilhada com ninguém; visto que, essa é uma relação que nasce antes mesmo do próprio nascimento. No toque que não toca, mas sente o movimento do bebê. Na conversa silenciosa com a barriga que cresce. Na preparação gradual para o encontro. Na perspectiva do amanhã.
Todo o narcisismo existencial da mulher vai gradativamente se diluindo para ceder espaço a outro pedaço, outro ser. A maternidade é um divisor de águas, uma cortina que se abre para enxergar o mundo como de fato ele é, nas suas incongruências, na sua diversidade, nos seus perigos, nos seus obstáculos... Então, a mãe sabe que nada será como antes, quando aquele pequeno ser abrir os olhos pela primeira vez.
A partir desse momento, ambos estarão trilhando juntos a mesma estrada. Estarão compartilhando as aventuras e as desventuras do mundo. Compatibilizando as diferenças de suas singularidades. Discutindo a relação na infinitude de seus pontos de vista em formação. Aprendendo e ensinando. Amando... Mais e mais a cada dia.
Porque amar é isso. É não se limitar pelos nossos próprios limites. Nem sempre concordaremos. Nem sempre estaremos de bom humor. Nem sempre acertaremos. Nem sempre conseguiremos realizar. Nem sempre... Mas, isso não nos impossibilita de resguardar o que há de mais profundo em nós que é o amor nosso de cada dia.
Para presentearmos, então, não precisamos de dia fixo. Dia das Mães, dos pais, dos avós, dos irmãos, dos amigos, dos amores etc., nesse contexto mercantilizado, pode ser qualquer um. O importante é que essas pessoas figurem protagonizando conosco os melhores momentos da vida. Dias e noites para não se esquecer, jamais. Que nos façam lembrar cheiros, sabores, músicas, lugares, Sol, Chuva, Arco-Íris, Lua,...
Lembrar-se da mãe, uma vez por ano, só por protocolo; quanta insensibilidade! Citando, mais uma vez, a sabedoria especial de Rubem Alves, “Amor é estado de graça e com amor não se paga. Nada mais falso do que o ditado popular que afirma que ‘amor com amor se paga’. O amor não é regido pela lógica das trocas comerciais. Nada te devo. Nada me deves. Como a rosa que floresce porque floresce, eu te amo porque te amo”. Não é porque o seu cordão umbilical foi cortado que esse amor, também, se rompeu e você precisa seguir em frente obstinado, sem olhar para trás. A pressa, o ceticismo, o materialismo,... nada do que permeia a contemporaneidade pode justificar a nossa falta de perceber, de enxergar, de cuidar, de amar o outro sempre; especialmente, a nossa mãe.

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