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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Argumento muito superficial
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Muita simplicidade para um assunto complexo


A justificativa para o corte de verbas na área da Educação Pública foi facilmente explicada pelo ministro Abraham Weintraub, na última quinta-feira (9/5/19), usando três pedações e meio de chocolate, dos quais o presidente Bolsonaro presente comeu uma das metades. Ele reforçou que não é corte, mas apenas postergando o gasto para setembro. Portanto, o que começou por causa da “balbúrdia” em três Universidades Federais, entre elas a da Bahia (UFBA), do Rio de Janeiro (UFF) e de Brasília (UNB), se estendeu a todas que fazem parte da rede pública. Então...
O que surpreende nesta decisão que atinge todo o sistema de graduação, pós-graduação e pesquisa cientifica é a rapidez como em pouco mais de cem dias de governo se fez um diagnostico tão preciso sobre os gastos. Mais ainda, como uma foto de alunos pelados, que nem se sabe em qual campus o fato aconteceu, foi o suficiente para ganhar tantos simpatizantes da decisão do ministro da Educação? Será que num universo de milhões de alunos, onde a maioria “rala” para garantir um futuro melhor, uma simples postagem dessas tem tanto peso assim?
Mas o ranço e o ódio aos governos anteriores, ditos de esquerda e simpatizantes do bolivarianismo, não permite ver além do nariz. Quantos acusados de fumar maconha e andar pelado vêm da camada menos favorecida da sociedade? Por que se generaliza toda a classe estudantil por uma amostragem que não pode ser significativa no meio universitário? Por esses critérios... Quantos Hospitais e Postos de Saúde deveriam estar fechados, já que muitos médicos batem o ponto e vão embora para os consultórios particulares? Se esta é a única solução...
Diz a sabedoria popular que os justos pagam pelos pecadores. Isso é muito observado na nova gestão central do país. Detectada alguma irregularidade, fecha-se o estabelecimento onde funciona a atividade, ou corta-se os recursos sem pensar como o serviço vai funcionar. Simples assim! Para que servem, então, os órgãos responsáveis pela fiscalização? Algum reitor foi chamado para justificar os gastos? Será que o remédio que estão dando ao doente não está antecipando a sua morte? Ou têm outros interesses envolvidos que o povo não pode saber?
Curiosamente a oposição se manifestou muito abaixo do esperado. Estranho, muito estranho, para quem sempre valorizou a educação pública como a única oportunidade de ascensão social para os mais pobres e um dos pilares do desenvolvimento do país. Pouco se viu dos parlamentares da oposição mostrarem os avanços obtidos pelas pesquisas nas Universidades Públicas, muito menos o atraso que isso representará pelo corte de recursos. Será que acreditam que os novos comandantes se enforcarão com as próprias mãos? Isso não será muito tarde?
Infelizmente as medidas tomadas pelo novo governo não vêm ao encontro das necessidades prioritárias da população no momento. A obsessão por cortes de verbas pouco resolve o problema do desemprego. Da mesma forma que facilitar o acesso à aquisição de armas de fogo em nada vai reduzir a violência urbana, muito menos a rural. Fazer comparativo com outros países, onde inclusive existe a pena de morte, sem mostrar os dois lados da questão, não pode ser decisivo para adotar uma política nesses termos. Os exemplos estão aí para serem analisados.
Se servir de alerta para os que são facilmente convencidos por argumentos superficiais, a Reforma Trabalhista, aquela que geraria milhões de empregos, ainda não mostrou os milagrosos efeitos prometidos. Desconfiar e questionar faz parte do dia a dia de qualquer cidadão que tem motivos de sobra para não acreditar em tudo que prometem. Se o exemplo dos chilenos aposentados pela capitalização não exige mais esclarecimentos dos favoráveis à Reforma da Previdência, não é com a demonstração de barras de chocolate que a população se convencerá.


J R Ichihara
13/05/2019

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