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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Encanto virando fumaça
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

O que passou não ficou para trás?


Pouco mais de quatro meses no cargo de presidente da República do Brasil, Jair Bolsonaro vê sua popularidade descer ladeira abaixo. Se houve falha na comunicação sobre o “corte” de verbas na Educação, que segundo sua equipe é um “contingenciamento”, a população entendeu de outra maneira e foi às ruas. Para colocar mais lenha na fogueira, o presidente disse que os manifestantes são “idiotas úteis, militantes e massa de manobra”. À parte saber o que significa “idiota útil”, o mal está feito e o país viu como o povo recebeu a medida. Hermenêutica?
Mas o que poderia amenizar e tentar reverter a situação desconfortável para o governo, a ida do ministro da Educação, Abraham Weintraub, à Câmara de Deputados, em nada ajudou para melhorar a imagem do governo. Ele resumiu tudo à responsabilidade da gestão de Dilma Rousseff, o que pode ser verdade, mas não tem como atribuir o corte/contingenciamento a ela. Será que ele assumiu sem saber em quais condições receberia a Pasta da Educação? Para quem se considera muito superior aos ministros anteriores, esta declaração soou muito estranha. Vida que segue...
Desgraça pouca é bobagem, diz o ditado popular. Para apimentar o cardápio dos que gostam de ver o circo pegar fogo, a mídia divulgou que o MP (Ministério Público) do Rio de Janeiro informou que a organização criminosa do Gabinete de Flavio Bolsonaro, um dos filhos do presidente, quando era deputado estadual pelo Rio de Janeiro, tinha uma clara divisão de tarefas. Outro artigo cita os R$40 mil depositados, com vários cheques, na conta da Primeira-Dama Michelle Bolsonaro. Na época o atual presidente alegou ser devolução de um empréstimo pessoal.
Talvez o encanto que muitos viram no atual presidente esteja se desafazendo diante dos fatos e das medidas que ele tem tomado. Provavelmente a decepção seja porque nenhuma delas sinaliza no sentido de amenizar o desemprego e a segurança, muito menos na melhoria da educação e da saúde. O fato é que em pouco tempo, o desgaste e a desilusão popular está se mostrando. Será que ele pensou que viveria eternamente nos braços dos que votaram nele? Que todas as suas vontades seriam atendidas pelo Congresso e pelo Judiciário? A realidade é cruel!
Os críticos das notícias que arranham a imagem do novo governo dizem que isso parte dos que torcem contra o sucesso, dos adeptos do quanto pior melhor, e dos que não se conformaram com o resultado das urnas. Mas uma visão desapegada de paixão político-partidária consegue diagnosticar que é exatamente isso que está acontecendo? Quem espera que num regime democrático um gestor público, de qualquer dos Poderes, esteja acima da Lei e dos questionamentos, deve procurar outra atividade para exercer. Pior ainda se não souber dialogar.
Infelizmente, talvez por convicções pessoais, o presidente Bolsonaro dá a entender que negociar esteja intimamente ligado à corrupção. Negociação faz parte de qualquer relacionamento civilizado entre interesses, sem que isso envolva crime ou o vergonhoso toma lá dá cá. Se ele, que passou quase trinta anos na Câmara de Deputados, não tem respeito pelos parlamentares... Como deveria ser a negociação dos cortes nos orçamentos aprovados? Quem sabe uma mudança na forma de falar com os outros Poderes facilite as coisas e ajude o seu governo a deslanchar?
As adversidades e os erros, dizem os especialistas em gestão, servem para uma reflexão e mudança de atitudes, quando se quer atingir um objetivo específico. Se as crises e os monstros são criados no próprio seio da gestão, a solução exige o indesejável “cortar na própria carne”, o que pode gerar perda de apoio e ganho de desafetos. Mas alguém disposto a mudar tudo que está errado e não funciona, como uma meta individual patriótica, sem medo de enfrentar os obstáculos, sabe que as dificuldades serão enormes. Quem se expõe ao risco sem avaliar as consequências...


J R Ichihara
16/05/2019

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