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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Desfazer sem fazer... Dá o resultado esperado?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Talvez um mandato seja pouco para isso!


Uma das declarações do presidente Bolsonaro, ainda em campanha, afirmava que a primeira coisa que faria ao assumir era desfazer tudo que o PT fez. Isso levou os seus eleitores ao delírio, vinha ao encontro da vontade de milhões de descontentes, vislumbrava o caminho de volta à normalidade, à seriedade... ao orgulho de ser brasileiro novamente. Afinal, ninguém pode negar, o caos tomou conta da vida nacional. O Mito, como ficou conhecido o então candidato, falou o que a maioria precisava ouvir – soava como música para quem estava cansado de corrupção.
Palavras o vento leva, diz o ditado popular. Mas as que ficam gravadas em vídeos ou outras formas de arquivo podem ser avaliadas com o passar do tempo. Quantas vezes vemos alguém negar que falou tal coisa? Muitos viram o que o então candidato falou sobre a Reforma da Previdência encaminhada pelo presidente Temer. Como acreditar que a mesma pessoa, depois de assumir a presidência, defende a mesma Reforma proposta pelo antecessor que ele criticou? Ficou mais esquisito ainda porque ele disse numa entrevista que mudou ao conhecer o problema.
O fato é que o atual governo está se especializando em mudar as declarações anteriores, em vários assuntos. Por exemplo, anunciou com pompa que reduziria os ministérios pela metade, pois achava um absurdo o desperdício de gastos com eles. Os fãs foram à estratosfera com tanta bravura. Passados cinco meses de gestão, o povo fica sabendo que isso depende do Congresso. Será que ele, que foi parlamentar por quase três décadas, também não sabia disso? Quem não vê isso como despreparo não precisa rever seus encantamentos sobre o atual presidente?
Alguém que acompanha o desenrolar dos fatos, sem levar em consideração a paixão político-partidária, consegue encontrar coerência e consistência no que o comandante do país declara? Ou a cada novo anúncio sobre mudanças estruturais na Administração Pública, o desconfiômetro é ligado exigindo altas doses de cautela? A euforia por causa do Decreto que liberava a posse e o porte de armas de fogo, o que aumentaria a segurança e combateria a violência, perdeu fôlego e foi rejeitada por 14 governadores do país. As pessoas caíram na real?
Infelizmente, o presidente entendeu que a classe parlamentar, de onde ele surgiu como o Salvador da Pátria, não tem os interesses convergentes com a maioria. Se ele não sabia disso e resolveu impor suas vontades, uma característica da sua personalidade adepta do confronto, deu com os burros n’água. Num momento de insatisfação com mais uma derrota na Câmara dos Deputados, declarou que o problema do Brasil são os políticos. Como sempre, na primeira oportunidade, elogiou o Parlamento. De qual dos dois personagens o país espera a solução?
Se o obstáculo a ser removido exigir um esforço além da capacidade de quem precisa ultrapassá-lo... O que uma pessoa inteligente faz? Provavelmente procura uma forma de passar por ele procurando evitar o enfrentamento desnecessário, mas sem demonstrar covardia ou perder o respeito próprio. Mas para agir desta forma, o preparo é fundamental para lidar com cada situação. Quando o interesse é coletivo, então, o orgulho e a vaidade pessoal devem ser colocados em último lugar. Para muitos que não entendem o que é isso, o nome é toma lá dá cá ou corrupção.
Qual seria a intenção do presidente divulgar uma carta anônima dizendo que o Brasil é “ingovernável”? Uma confissão de que não tem capacidade de resolver o que achava incompetência das gestões anteriores? Ou a decisão de tirar a responsabilidade dos seus ombros e jogar a culpa nos outros Poderes que fiscalizam o cumprimento da nossa Constituição? Se ele esperava uma rasgação de seda de todos os lados, acreditando que era realmente um Mito, o sonho virou um pesadelo. Como sempre dizem os especialistas: exercer a Democracia é difícil!


J R Ichihara
22/05/2019

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