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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Fritura a conta-gotas, tortura psicológica ou cozimento em fogo brando
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Quem com grampo fere, com grampo será ferido?


Quem acompanhou os últimos suspiros do PT na gestão do governo federal no Brasil percebeu que a mídia soltava diariamente um assunto negativo envolvendo este partido. Isso era um prato cheio para quem o queria fora do poder. A cada nova denúncia, aumentava a certeza de que banir aquela turma do cenário político era a prioridade zero por quem não suportava mais tanta corrupção. Os manifestos contra Dilma Rousseff tinham lugar cativo na Rede Globo, a líder em audiência de TV aberta no país, que interrompia programas para mostrar imagens ao vivo.
Tanto movimento, com apoio das empresas nacionais e estrangeiras, do STF e de todo o aparato a ele ligado, da mídia e dos cidadãos de bem do país, tiraram a presidenta do cargo. Mas o objetivo maior era exterminar o partido que venceu quatro eleições presidenciais seguidas, tendo como adversário o PSDB. Portanto, não bastava tirar a atual ocupante do posto, mas eliminar qualquer possibilidade de um retorno do PT ao poder. Qual era o perigo disso acontecer? A candidatura de Lula, o ex-presidente que exerceu dois mandatos e deixou sua marca na História.
Analisando os fatos mostrados pela mídia fica explicito que o objetivo da Operação Lava Jato era incriminar Lula, prendê-lo e impedir a sua candidatura à Presidência da República. Basta ver as declarações do ex-juiz Sergio Moro e a forma como a TV Globo transmitia as denúncias sobre o ex-presidente. Quem não se lembra da espetacularização quando o levaram coercitivamente para depor? Precisava fazer aquilo? Em algum momento ele se recusou a comparecer quando convocado, intimado ou convidado? Mas era importante expor a vítima.
Diz-se que alguém está sendo frito quando o seu destino já foi traçado, mas a saída do cargo que ocupa será de forma lenta, gradual, cercada de pontos negativos, onde até quem devia dar o apoio não o faz como deveria – uma espécie de tortura sem agressão física. Toda pessoa com um mínimo de inteligência sabe quando isso está acontecendo. No final ela se vê isolada de tudo e de todos, restando como única saída a renúncia. Isso é muito comum na Administração Pública de todos os países do planeta. O exemplo com a Dilma Rousseff teve muito disso.
Mas o mundo dá voltas, segundo o ditado popular. Da mesma forma que para os amigos, os recursos permitidos e a compreensão, mas para os inimigos, o rigor da Lei. Tudo que a mídia divulgava como exemplo de combate à corrupção, merecendo muito tempo de exposição nos telejornais, onde o impacto e o alcance são consideráveis, valia porque a sociedade queria passar o país a limpo. Por que agora o escândalo sobre a promiscuidade entre o ex-juiz e o procurador não ganhou a mesma dimensão? Ou a ideia é fritar, torturar ou cozinhar os envolvidos no caso?
Os especialistas sobre o comportamento humano afirmam que toda pessoa tem um limite para resistir às torturas física e psicológica. Ultrapassada essa fronteira, todos confessam e assinam qualquer declaração de culpa, mesmo que sejam inocentes. Portanto, a validade de certas confissões, especialmente sob condições de tratamento desumanas, é muito questionável. Como ter certeza que alguém falou a verdade numa delação premiada? Se o benefício oferecido, sem ver o lado ético e moral, for vantajoso... quantos não confirmam o que pedem? Portanto...
Numa de suas entrevistas, quando ainda não era candidato à Presidência da República, o presidente Bolsonaro defendeu a tortura cometida durante o Regime Militar, inclusive disse que em vez disso o certo seria matar os que as sofreram. Será que ele ainda mantém este pensamento sobre quem discorda da sua maneira de conduzir o país? Ou isso é restrito apenas aos inimigos declarados, os que merecem o rigor da Lei? Pelo sim, pelo não, é bom saber como ele se comporta quando contrariado nas suas vontades. Ou ele não aceitou a mudança nas regras pós-Ditadura?


J R Ichihara
15/06/2019

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