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Walquiria Rocha Machado
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Me lembro do abacateiro...
Por: Walquiria Rocha Machado

A casa era muito pobre e de uma simplicidade imensa, móveis velhos e cheio de lascas soltas pelo tempo, uma pequena mesa com dois bancos de madeira na cozinha, uma cristaleira e uma mesa redonda na sala com quatro cadeiras de estofamentos rasgados e também de pés frágeis e prontos para quebrarem a qualquer um que sentasse nelas, talvez elas ficavam ali apenas para enfeitar a sala de paredes descascadas e mofadas com o passar dos anos...

Lembro que tinha um quarto que ficavam as meninas, onde tinha duas camas improvisadas com colchoes feitos de retalhos de espumas que minha mãe ganhou de uma fábrica bem distante dali, que já havia fechado e agora eram só escombros... nós meninas dormíamos duas em cada caminha daquela de estrado, feitas no improviso, mas que tinha o amor e o capricho da minha mãe.

Os meninos dormiam na sala também em estrados improvisados e apertadinhos se encaixavam como dava, porque era o que tínhamos e vivíamos na época. Minha mãe batalhava muito para nos criar e nos educar, nunca nos deixou faltar na escola, e a nota de comportamento tinha que ser "dez" senão o chinelo cantava... ela costurava lavava roupas e fazia faxina, tudo para nos sustentar e nos dar o feijão de cada dia como dizia ela...

Mas a lembrança que deixou saudades desta casa tão humilde, se resume em um abacateiro imenso nos fundos do quintal, que além de ter abacates para saborearmos, era a árvore que eu e meus irmãos subíamos para espiar o quintal dos vizinhos e olhar a nossa rua de terra vermelha tão vazia e sem nunca passar um veículo por ela...

Foi naquele abacateiro que me escondi tantas vezes em brincadeiras de criança, e algumas para chorar... ele acrescentou tanto na minha infância que hoje mais de cinquenta anos depois eu ainda sinto o cheiro daquela árvore frondosa e cheia de frutos que me encheu de momentos tão felizes...

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