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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Justificando o mais do mesmo?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Façam o que eu digo... não o que eu faço!


Após 200 dias de governo Bolsonaro no comando do Brasil as críticas e os elogios, como não poderia deixar de ser em qualquer regime democrático, dividem o país, inclusive os meios de comunicação tradicional e as redes sociais. Para os opositores, a cada declaração do presidente fica claro que as mudanças prometidas estão longe da realidade; os defensores reafirmam que o rumo certo está traçado. Mas para o cidadão comum, o que engrossa fila dos desempregados e desalentados... nenhuma mudança significativa ocorreu nesse período. O velho mais do mesmo!
Claro que algumas medidas podem gerar bons frutos no futuro, como por exemplo, um critério apurado na ocupação de cargos públicos sem concurso, a venda de imóveis desocupados e a fiscalização dos recursos repassados às atividades públicas. O que torna tudo isso sem visibilidade são as declarações desnecessárias do ocupante do cargo máximo da nação. Qual imagem ele transmite ao povo quando falou “vou beneficiar o meu filho, sim”, sobre a indicação para a Embaixada dos Estados Unidos, visto como um evidente caso de nepotismo? Precisava?
Independentemente de nenhum impedimento legal para isso, além da justificativa dos que concordam apontando que Lula indicou um deputado petista, que perdeu aas eleições, para uma representação em Cuba, o caso envolve ética, moral, isenção e preparo técnico. Usar prerrogativas para isso, usando as falhas dos antecessores, cai no velho discurso do “mais do mesmo” ou da “mudança para ficar tudo igual”. O Mito, como assim o chamam os fanáticos, foi escolhido porque faria tudo diferente dos seus desafetos. Era apenas promessas de campanha?
O que pode decepcionar quem esperava uma mudança radical na forma de gestão após Bolsonaro assumir, pelo menos os isentos de paixão político-partidária, é não aceitar as críticas, os questionamentos e as denúncias sobre atos mal explicados. A implantação de medidas corretas, valorizando a transparência e visando o bem-comum, aliadas à correção dos erros cometidos no passado, é o sonho de consumo do contribuinte. Mas isso não significa que tudo que depender da aprovação do Congresso nem precisa ser analisado, questionado e rejeitado.
Diz-se que as palavras após ditas não tem como voltar atrás, principalmente se foram gravadas em áudio e vídeo. O que pode mudar é o reconhecimento de quem falou, do equívoco cometido. Mas isso não pode ser o lugar comum, a prática usual, o estilo pessoal de um ocupante de alto cargo. Será que o Bolsonaro assiste os vídeos quando ele falava antes de ser presidente? O que ele acha que falaria hoje sobre os mesmos assuntos abordados na época? Continuaria estimulando todos a sonegarem impostos? Criticaria a Reforma da Previdência do Temer?
Uma recomendação a todos que pretendem fazer carreira na política, seja de direita, esquerda ou centro, é que as palavras neste meio o vento não leva. O tempo e o espaço – ou o efeito bumerangue – pode causar um enorme constrangimento nos que não medem as palavras no auge da crítica, às vezes reconhecidamente construtiva, porque ninguém sabe o dia de amanhã. Os exemplos estão aí para comprovar. Todos os que criticavam ferrenhamente – PT, MDB, PSDB e outros – os ocupantes da atualidade cometeram os mesmos erros dos outros.
Então o prudente é não criticar? De jeito nenhum! A crítica faz parte da busca no aperfeiçoamento de qualquer processo de gestão na administração pública. O importante é reconhecer a decisão errada e procurar corrigir. Partido algum, assim como nenhuma pessoa, está vacinado contra o erro, a sede pelo poder e a tentação pela facilidade do enriquecimento ilícito. Daí a necessidade de instituições fortes e imparciais para delimitar os abusos e os excessos dos que se acham acima da lei. Mas até quem deve proteger a Constituição precisa ser questionado.


J R Ichihara
19/07/2019

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