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Crônica
 
AMOR SUBLIME AMOR
Por: Valdir Sodré

AMOR SUBLIME AMOR
Valdir Sodré

Dedicada à minha amada esposa, amiga e
companheira Carla de Souza Albuquerque Sodré.


Refletir sobre os diferentes significados do amor nos leva naturalmente a todos os poetas que escreveram sobre esse sublime sentimento, além dos preceitos sagrados contidos no maior livro hipertextual que existe: a Bíblia Sagrada. Ainda há de se recorrer ao magistral apoio pedagógico da filosofia. Amor é uma palavra de múltiplas definições, porém todas elas nos projetam ao encontro com o sobrenatural numa atmosfera subjetivamente existencial.

Na Grécia Antiga os pensadores reconheciam sete tipos de amor. Cada qual com sua devida importância e cada um intimamente ligado na consolidação de se obter uma vida saudável e feliz, na busca de uma melhor qualidade de vida, da construção de si mesmo e do melhor modo de ser e viver.

O amor Philautia se trata do amor que temos por nós mesmos. Cuidar do meio ambiente que nos cerca é primeiramente cuidar de nós mesmos. Não é possível amar outrem sem que ame a si mesmo. O amor Philautia é sedimentado na comunhão com a autoestima e a confiança.

O amor Pragma é um tipo de amor que cultiva de forma pragmática o bem maior. O ser humano nasce pela coletividade e jamais deve manifestar-se como sendo uma ilha. Vivemos pela e para a comunicabilidade num sentido ontológico de prezar pelo bem maior de todas e todos.

O amor Ludus se opõe ao Pragma e é uma forma de amor calcado na brincadeira, na alegria e na falta de compromisso. Com o tempo, ou desaparece ou cresce para Eros ou Philia.

O amor Eros se caracteriza pelo romance, paixão e desejo. É o amor mais perigoso e desafia qualquer tipo de lógica. Eros designa o pulsar da vida e da autoconservação regidos pelo princípio do prazer. Inconscientemente buscamos a perpetuação de nossa espécie através da energia vital do amor Eros.

O amor Philia se alicerça no sentimento compartilhado de intenso calor que temos com nossos irmãos ou amigos próximos. Terminantemente é sabido que a amizade é um sentimento que abrange o amor. É pela amizade que cultivamos laços permanentes que, se aliada ao amor, intensifica o valor existencial da vida.

O amor Storge é um tipo muito especial de amor que os pais têm para com seus filhos. Certamente o amor dos pais pelos descendentes supera a dimensão carnal. O amor Storge transcende, engrandece nossa capacidade de amar e é capaz de demonstrar aos pais que de fato não sejam as pessoas mais importantes nessa relação afetiva.

O amor Ágape é o sentido universal do amor. É um amor incondicional e que nos dá o desejo de fazer bem. Sentimo-nos quando estamos próximos de Deus. O amor Ágape é o amor que se doa, o amor incondicional, o amor que se entrega. “Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor” (1 João 4:8). Por tudo isso, “revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição” (Colossenses 3:14).

Luís de Camões, em seu poema Amor é um fogo que arde sem se ver, entoado na canção Monte Castelo da banda Legião Urbana, emblematicamente nos embebeda de espírito amoroso e fraternal contido nos versos:

Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se e contente;
É um cuidar que ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Ao assistirmos as diversas cenas de barbaridades, injustiças, guerras, intolerância, desrespeito, crueldades, desumanidade, isolamento, desencanto, fragilidades e demais características de opressão e violência nos deparamos com a falta de amor, mais principalmente pela falta de amor de Deus. Determinantemente,

“O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta (1 Coríntios 13, 4 – 7).

Para amar uns aos outros, o maior dos preceitos bíblicos, basta viver a vida com simplicidade. Amar é uma atitude simples e está presente aonde há espírito de fraternidade, caridade, acolhimento, carinho, humanidade, solidariedade e esperança. “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor” (1 Coríntios 13:13).

O amor nos capacita para nos transformarmos e para transformarmos o mundo. É evidente que na contemporaneidade as pessoas carecem de amor. E são nos gestos mais simples que o amor se apresenta entre nós. É pelo poder da palavra amorosa que se compõe a virtude mais pura da boa convivência humana.
É com o dom da sabedoria, que adquirimos com o passar dos anos de vida, que o amor é demonstrado de forma sintética, direta e contundente, pois ao ouvirmos mais e ao falarmos menos somos capazes de doar amor sem a pretensão da espera de algo em troca. O amor é antes de tudo doação. Os versos da canção Tchau de Nando Reis compreendemos essa sublime atitude:

A gente não percebe o amor
Que se perde aos poucos sem virar carinho
Guardar lá dentro amor não impede
Que ele empedre mesmo crendo-se infinito
Tornar o amor real é expulsá-lo de você
Pra que ele possa ser de alguém

Para a concretização de um mundo mais plural, multicultural, pacífico, ecumênico e justo só se torna possível pelo caminho da “boniteza” da amorosidade, conforme preconiza Paulo Freire. É pela educação dos sentidos que se contempla a afetividade, a alteridade e a delicadeza solidária da fraternidade, forças que alimentam o amor.
Não somos capazes sozinhos de mudar o mundo, mas ao sonharmos juntos somos capazes de mover montanhas e transformar corações. Somos pecadores e imperfeitos, mas temos tempo enquanto vivemos para aprender a aprender, a aprender a fazer, a aprender a conviver (a viver juntos) e, sobretudo, a aprender a ser. Esses pilares da educação no século XXI traçados pela UNESCO nos dão os traços de uma pós-modernidade que deseja alcançar a força incomensurável do amor, que é coletivamente possível e transformador na certeza de vivermos dias melhores hoje e no futuro próximo das novas gerações.


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