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Walquiria Rocha Machado
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Todos pensaram que eu era boazinha...
Por: Walquiria Rocha Machado

Quem passou por grandes dificuldades na infância e teve muitos irmãos para dividir, desde a comida, a roupa e até o material escolar, saberá o porque da minha história.

Estava na terceira série do curso primário, em uma escola simples com quatro salas apenas em galpão de madeira, e minhas duas irmãs mais novas também faziam a segunda e primeira série neste local, pois era a escola mais próxima da rua em que morávamos, era Escolas Agrupadas de Vila Nivi ao lado da Vila Gustavo na Zona Norte (hoje é apenas uma pequena pracinha).

Era final de ano e tanto os alunos quanto os professores ficavam agoniados pensando em uma forma de dar presentes de despedidas...
Minha mãe por mais pobre que fôssemos, como ela costurava, sempre arrumava alguma coisinha para levarmos. A felicidade de chegarmos com um presentinho para a professora era imensa, enchíamos de orgulho em levar aquele pacotinho embrulhado com tanto carinho...

Começa mais um dia de aula e surpreendentemente, D. Mitiko, minha professora, nos comunicou que cada um de nós ganharíamos uma surpresa, ficamos em polvorosa com o prazer de receber algo dado por ela, e assim ela começou a distribuir... Era um lápis preto e cada um tinha um barbantinho amarrado com um cartãozinho escrito: “Parabéns por mais um ano, continue assim! Com a data e o nome dela...”

No final da distribuição, a última criança ficou sem ganhar, pois havia acabado o presente. Então ela disse para a classe:
- “Nossa, acabou e a fulana ficou sem, eu errei na conta, será que alguém pode dar o seu lápis para ela?”
Eu me levantei e dei o meu sem pestanejar... Além de ganhar uma salva de palmas, a professora me chamou na frente da classe e me presenteou com três lápis que ela havia reservado para esta pegadinha (hoje seria uma pegadinha).

Pois bem meus amigos, o que eu nunca contei a ninguém foi que quando ganhei o lápis eu pensei: Coitada das minhas duas irmãs, elas estudam na classe ao lado e não vão ganhar nada, imaginei a tristeza delas por não terem um lápis novo, e este pensamento me fez na hora dar o meu para quem ficou sem, pois não teria como dividi-lo com as duas, assim não causaria tristeza a nenhuma delas.

Naquele dia, fiquei deslumbrada em receber aquele presente, poder dar um lápis para cada uma das irmãs e ainda ter ficado com um, e feliz com tantos elogios... na verdade eu tive um motivo para ter agido assim, e não foi por solidariedade à amiga da classe e sim com as minhas irmãs, talvez por isso, hoje penso que eu não agi com tanta bondade com a amiga como todos pensaram e me aplaudiram por isso, eu agi em causa própria, e só me dei conta muitos anos depois pensando no episódio daquele dia...

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